Estados Unidos em chamas Diante da opressão, rebeliões de massas tomam novo impulso

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O grande levante de massas no interior da superpotência imperialista Estados Unidos (USA), cujo auge foi em maio deste ano, não parou, mesmo quatro meses após o seu início. A fagulha que fez aumentar ainda mais as labaredas do incêndio popular contra a velha ordem de exploração e opressão foi a covarde tentativa de assassinato de Jacob Blake pela polícia, com sete tiros nas costas. Jacob, pai e trabalhador preto, foi alvejado em frente de três de seus filhos pequenos, enquanto tentava apartar uma briga  de rua em 23 de agosto, na cidade de Kenosha, em Wisconsin.

Ainda na cena, imediatamente após a ação criminosa da polícia (os ferimentos causaram paralisia da cintura para baixo e diversos danos em órgãos vitais de Blake), os moradores do bairro entraram em confronto com a polícia e começaram a marchar nas ruas, dirigindo-se para o Edifício de Segurança Pública do Condado de Kenosha (sede da polícia), que já havia sido bloqueado pelas forças de repressão.

Os manifestantes enfrentaram os agentes da Armas e Táticas Especiais (Swat, sigla original) destacados para reprimir as massas utilizando-se de equipamentos anti-motim, escudos e bastões, além de spray de pimenta. Os manifestantes responderam arremessando bombas de cloro e outras armas caseiras.

Vários caminhões de lixo, carros e lojas da burguesia foram incendiados pelos trabalhadores enfurecidos, e pichações foram feitas no Tribunal do Condado de Kenosha, cujo primeiro andar foi incendiado.

No resto da noite, agentes e veículos da Swat permaneceram nas ruas para impedir as massas de atacar os prédios do Estado ianque, mesmo após declaração de toque de recolher obrigatório durante a noite. Gás lacrimogêneo foi usado para dispersar grupos de pessoas que continuaram a se rebelar madrugada adentro.

Em 24/08, as massas de Kenosha novamente protagonizaram grandes enfrentamentos com a polícia e incendiaram em prédios do sistema prisional ianque e lojas do monopólio.

Nesse dia, os manifestantes se reuniram em frente ao tribunal da cidade. A polícia, então, os atacou indiscriminadamente com gás lacrimogêneo e bombas de fumaça, ao passo que os manifestantes, em resposta, acenderam fogos de artifício contra os agentes de repressão. Veículos de coleta de lixo foram novamente incendiados, bloqueando várias vias.

Por volta de meia-noite, não muito longe do tribunal, vários edifícios foram incendiados, incluindo um escritório de monitoramento de liberdade condicional e um prédio do Departamento de Correções, ambos também ligados ao sistema prisional. A Guarda Nacional teve de ser acionada na tentativa de conter a rebelião popular e um segundo toque de recolher foi instaurado.

 

Fascista executa manifestantes

Durante a terceira noite de protestos em Kenosha, no dia 25/08, duas pessoas foram assassinadas e outra foi ferida por um atirador fascista que disparou contra a multidão em rebelião. Os homicídios, injustos e com o objetivo de amedrontar o povo em luta contra a opressão, ocorreu próximo à meia-noite.

Vídeos do ocorrido mostram três veículos blindados da polícia passando diretamente pelo assassino fascista e os corpos estirados no chão, enquanto a multidão gritava “ele matou alguém!”. Mesmo com as mãos para cima e em frente a uma viatura, ademais dos três blindados, o criminoso não foi preso pela polícia.

Ao final da tarde desse mesmo dia, uma grande cerca de metal foi erguida pelos agentes de repressão em frente ao tribunal da cidade, que já havia sido repetidamente alvejado e parcialmente incendiado pelos manifestantes, o que não impediu tampouco o povo rebelado de tentar derrubá-la, ou de lançar fogos de artifício contra o cordão de policiais que guardavam, do lado de fora, o tribunal.

Durante os enfrentamentos, veículos blindados lançaram gás lacrimogêneo e os agentes dispararam balas de borracha para dispersar a multidão. Os manifestantes, em resposta, atiraram objetos, como garrafas de vidro. O monopólio de imprensa CBS Chicago informou que mais prédios foram incendiados em Kenosha naquela noite.

O contingente policial também foi o maior de todas as noites de protesto, com a presença de várias jurisdições, juntamente com veículos blindados e apoio de departamentos ao redor do estado para reprimir os manifestantes.

No mesmo dia do alvejamento de Jacob Blake, em Lafayette (Louisiana), cerca de 150 manifestantes bloquearam o trânsito próximo a uma delegacia de polícia, incendiaram o gramado e atiraram fogos contra o prédio do velho Estado, após o assassinato pela polícia de outro homem preto, Trayford Pellerin, de 31 anos.

Blindados ocupam as ruas de Kenosha, 24/08, para reprimir incontível rebelião popular.

Blindados ocupam as ruas de Kenosha, 24/08, para reprimir incontível rebelião popular.
Foto: Brandon Bell/Getty Images

Violência policial racista agita as massas

Diante do acirramento das contradições entre as massas em luta e os reacionários, no dia 29/08, um fascista membro do grupo de extrema-direita Patriot Prayer (“Orador Patriota”) foi baleado e morto durante enfrentamentos entre apoiadores do presidente ultrarreacionário ianque Donald Trump e as massas de Portland (Oregon), que protestam dia após dia, há mais de quatro meses,  contra o sistema de exploração e opressão imperialista.

Uma passeata com cerca de 600 veículos dos apoiadores fascistas de Trump e dos que desprezam a rebelião do povo preto foi confrontada pelos manifestantes rebelados no centro da cidade. A passeata havia se reunido no início do dia em um centro comercial próximo e se dirigira para o coração de Portland, mas foi detida por manifestantes antifascistas que  bloquearam ruas e pontes.

Vídeos do local mostraram diversos enfrentamentos, assim como os reacionários atirando balas de paintball nos manifestantes e utilizando spray de uso contra ursos.

Os enfrentamentos aconteceram dias depois que Trump agitou suas bases fascistas na cidade em um discurso na Convenção Nacional Republicana, como parte da palavra de ordem de sua campanha de reeleição: “lei e ordem”. A passeata marcou o terceiro sábado consecutivo em que os fascistas se reuniram na cidade.

Na manhã do dia 29/08, manifestantes também incendiaram um prédio da Associação de polícia, local onde frequentemente ocorrem protestos. A polícia da cidade, diante da rebelião irreprimível, declarou estado de “motim” (semelhante a um “estado de emergência”), o que permite à polícia romper com alguns procedimentos e ter mais impunidade para reprimir as massas em luta.

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