Para combater camponeses, Forças Armadas expandem intervenção militar no Norte

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No dia 20 de agosto, como parte da Operação “Verde Brasil 2” – em meio à Garantia da Lei e Ordem (GLO) emplacada em 59% do território nacional –, o governo militar dos generais/Bolsonaro determinou o envio das Forças Armadas para o Tocantins.

Militares em comunidades periféricas.

Militares em comunidades periféricas.
Foto: Leo CorreaAFP

A determinação, assinada pelo fascista Jair Bolsonaro e publicada no Diário Oficial da União, é parte da GLO e tem como pretexto o “combate ao desmatamento e queimadas na Amazônia”. 

A operação das Forças Armadas reacionárias, que teve início em maio, foi prorrogada até novembro. No seu decorrer, segundo dados divulgados em agosto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve um aumento de 28% no número de queimadas na floresta amazônica no mês de julho de 2020 em comparação a julho do ano anterior. Houve também alta nos índices de desmatamento, totalizando 9,2 mil km² de área desmatada. Ao comparar o desmatamento acumulado na região entre agosto de 2019 a julho de 2020, verificou-se uma alta de 34% em relação ao mesmo período de um ano antes (agosto de 2018 a julho de 2019). Diante tais dados, fica evidente que a operação militar não é contra a devastação do meio geográfico.

Sob o pretexto de combater crimes ambientais por meio das GLOs, diversas áreas camponesas foram invadidas pelos militares, em regiões onde não havia focos de queimadas. Em 7 de setembro de 2019, dezenas de homens das Forças Armadas e da Força Nacional desembarcaram na Área Enilson Ribeiro, município de Seringueiras (Rondônia), onde permaneceram por uma semana supostamente realizando uma operação baseada nesta GLO. Três dias depois, na mesma operação, o Exército reacionário, a Força Nacional e a Força Tática da Polícia Militar (PM) expulsaram 400 famílias camponesas do Acampamento Boa Esperança, em Porto Velho. No Pará, estado onde está localizada uma das três bases da operação atual, um dos alvos durante os dois primeiros dias de operação foi o assentamento federal Vila União, que fica a cerca de 140 quilômetros de distância do centro de Marabá.

Conforme apontado pelo AND na ocasião do decreto de outra GLO na região amazônica, em meados de setembro de 2019, esses projetos são parte da ofensiva contrarrevolucionária, mais especificamente da sua terceira tarefa, que consiste em militarizar o campo e impulsionar empreendimentos que justifiquem a presença militar. O plano dos reacionários – e também dos fascistas – é sobrepor na Amazônia um volumoso aparato repressivo para inibir a luta camponesa e tentar reprimi-la.

 

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