Governo Ianque de Joe Biden: Muita hipocrisia para apenas 100 dias

Os 100 primeiros dias de Joe Biden à frente do governo ianque (Estados Unidos, USA) foram marcados por trilionários pacotes de recuperação econômica e “admiráveis” promessas de combate ao racismo e às desigualdades sociais que há séculos afligem o povo daquele país. Sendo a superpotência hegemônica única no mundo, o USA aplica o massacre diário aos oprimidos e explorados que lá se encontram.

Em seu discurso no Congresso, dia 28 de abril, relativo à data em que completou 100 dias à cabeça do Estado imperialista, Biden declarou seus “grandes feitos”, como as 220 milhões de vacinas contra a Covid-19 aplicadas e que mais de 1,3 milhões de empregos teriam sido criados. Ele também pediu para que o USA  “cortasse pela raiz o racismo estrutural”.

 

As mentiras do discurso ianque

Os detalhes que o presidente convenientemente esqueceu de mencionar foram o fato de que o USA havia comprado doses suficientes para vacinar duas vezes toda a sua população elegível e que ele também detinha os direitos a 100 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Tal quantidade de aplicações de vacinas explica-se exclusivamente pelo monopólio de produção e compra das vacinas, o que acarreta na privação a outros países (principalmente os do Terceiro Mundo, coloniais e semicoloniais) de ter acesso às doses para o processo extensivo de vacinação. Nesse ínterim, o USA ameaça os governos lacaios ao redor do globo, proibindo-os de comprar vacinas produzidas nestes ou naqueles países.

No que tange à geração de empregos, os que foram criados nesses 100 dias não compensam os 22,4 milhões perdidos entre março e abril de 2020. Ainda há 8,4 milhões de empregos a menos do que antes da pandemia (expressão da crise de superprodução relativa). Tal número se aproxima  aos empregos perdidos na crise de superprodução de 2008-2009.

Cínico, Biden tentou explicar a crise migratória na fronteira com o México afirmando que um aumento “acontece todos os anos nos meses de inverno”. O chefe de Estado ianque argumenta que um “clima ameno de inverno” torna convidativo às famílias de imigrantes “vagar por terra alheia”. O ultrarreacionário tenta dissimular com um fator climático o real motivo do aumento da imigração atualmente: o capitalismo burocrático engendrado pelo imperialismo ianque, que é a desgraça que assola os povos oprimidos das nações subjugadas.

Ao contrário, o que se passou esse ano no Texas (estado estadunidense na fronteira com o México e destino da maioria dos imigrantes) foram as mais baixas temperaturas em 30 anos. As famílias congelavam nos campos de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas. E, mesmo nos anos passados em que as temperaturas não foram tão baixas, não há um padrão de aumento da imigração no inverno e a afirmação do presidente não se confirma.

 

O ianque não engana ninguém

Vamos ao “antirracismo” do nosso “nobre esclarecido”. Nas últimas semanas de abril, Dereck Chauvin, policial que matou George Floyd, foi considerado culpado de todas as acusações. Biden, dando mostras de seu progressismo retórico, afirmou que o veredito trata-se de “um passo à frente”.

O “passo à frente” de Biden, na verdade, era em sentido à repressão. Desde o início do julgamento de Chauvin, pelo menos 64 pessoas morreram nas mãos da polícia. Mais da metade eram pessoas pretas.

O julgamento começou em 29 de março. Exatos 21 dias depois, o número de mortes pela polícia foi, em média, de mais de três pessoas por dia.

Em diversas cidades, protestos combativos eclodiram em rechaço aos assassinatos contínuos e crescentes, principalmente de jovens negros e latinos.

 

Reação em toda a linha

Revisionistas e oportunistas depositam esperanças infinitas de que o “democrata” mudará a situação de saqueio e opressão dos povos, bem como atenuará os conflitos interimperialistas. Entretanto, o novo chefe da maior máquina de guerra do mundo já deixou claro que nada disso mudará. Inclusive, saiu do roteiro do discurso de 100 dias para ameaçar a Rússia e China, indicando que a disputa por colônias e semicolônias ao redor do globo se agravará ainda mais.

“Deixei muito claro ao Presidente Putin que, embora não procuremos uma escalada [nos conflitos], suas ações têm consequências”, afirmou Biden. E, em relação à China, disse que o USA está em “uma competição” com o país “para vencer no século XXI”. Acrescentou, ainda, que “deixei absolutamente claro [para Xi Jinping] que defenderei os interesses norte-americanos em toda a linha”.

Isso tudo se dá diante da necessidade de repartilhar as nações oprimidas em meio a esta que é a maior crise de superprodução relativa desde 1929. Em meio à crise geral do imperialismo. Os imperialistas ianques precisam dar sobrevida aos seus monopólios através de uma maior consolidação de posições no domínio de mercados cativos para seu capital e controle irrestrito das fontes de matéria-prima e força de trabalho baratas, de modo que dizimam as influências que outras potências venham a exercer em determinada região. Tal conflito, em última instância, se resolve mediante à guerra.

 

Agravamento aponta nova guerra mundial

Como já expresso em AND, com o agravamento da crise geral do imperialismo, agravam-se, consequentemente, todas as contradições fundamentais da época atual: a principal delas, que opõe povos/nações oprimidas ao imperialismo; a contradição entre proletariado e burguesia; e a terceira, que é a contradição entre as potências imperialistas e seus monopólios.

A luta de classes e a experiência histórica da Revolução Proletária Mundial já provaram quão acertada é a afirmação de Mao Tsetung: “Ou a revolução conjura a guerra mundial ou a guerra mundial atiça a revolução”.

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