Colômbia: Rebeliões prosseguem por quase dois meses!

Os protestos populares massivos e combativos continuam a acontecer na Colômbia, completando mais de 40 dias. Em 10 de junho foi divulgada uma pesquisa do Centro Estratégico Latino Americano de Geopolítica (Celag) que indica que 75% da população apoia as manifestações, e que 60% considera que existe uma repressão excessiva. Além disso, no dia 04/06 um relatório do Ministério da Defesa revelou que 45 pessoas teriam morrido nas manifestações até então. 

Ao gabinete do Inspetor-Geral da Polícia chegaram, semanas antes, mais de 170 casos de abuso policial. O comandante de polícia encarregado pela apuração afirma, demagogicamente, que está investigando. Ao menos 11 desses casos estão diretamente relacionados com a morte de manifestantes. 

São contabilizadas também 1.108 pessoas feridas, de acordo com o Ministério da Defesa; 65 lesões oculares, segundo a ONG Temblores, e 527 pessoas desaparecidas, conforme a Procuradoria Geral. 

Todos esses números – ainda que incrivelmente subestimados, seja pela própria negligência do velho Estado em expor os números da violência que ele mesmo perpetua, ou por defasagem nos levantamentos de feridos, presos ou assassinados durante os protestos realizados por ONGs – dão mostra da resposta brutal do velho Estado colombiano às manifestações, que não pararam ao longo dos mais de 40 dias. 

Sobre a brutal e escancarada violência do velho Estado colombiano contra as massas, o Estados Unidos se pronunciou, no início do mês de junho, afirmando que o papel do governo colombiano na greve nacional que se estende até agora teria sido “altamente democrático”. 

 

Apesar da repressão, massas resistem 

Em 09/06, pelo menos uma pessoa foi morta e centenas ficaram feridas durante as novas manifestações. Em várias cidades do país houve confrontos entre os manifestantes e agentes da Polícia Nacional. 

No bairro Yomasa de Bogotá, dezenas de pessoas foram feridas em confrontos com a polícia de choque. Na área do Portal América, um grupo de médicos que tratava os manifestantes feridos foi alvejado com balas de borracha várias vezes. 

Na cidade de Medellín, no noroeste, 23 manifestantes foram feridos, na sua maioria devido a queimaduras, lacerações e asfixia. Já em Cali, os agentes dispararam gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Mesmo em cidades menores, como Popayán e Bucaramanga, ocorreram manifestações e enfrentamentos intensos. 

Em Bucaramanga, manifestantes e estudantes enfrentaram a repressão com coquetéis molotov. Um total de oito manifestantes e três policiais ficaram feridos nos embates. No dia seguinte, 10/06, 43° dia de protestos, mais uma vez as manifestações foram combativas e aconteceram em diversas cidades. Na capital Bogotá, 36 policiais e 32 civis ficaram feridos após um dia intenso de protestos. 

Uma audiência pública com altos funcionários do governo na Colômbia teve de ser suspensa devido ao ataque de manifestantes, que utilizaram  pedras para atingir membros da prefeitura. A ação dos manifestantes se deu em rechaço ao velho Estado e ao seu sistema judiciário que não exita em criminalizar as ações das massas e legitimar a repressão à luta popular. Em Santander, os enfrentamentos foram particularmente intensos. Os manifestantes responderam à repressão policial atingindo um agente com coquetéis molotov. 

 

Maoistas combatem junto às massas 

Em informe, o Partido Comunista da Colômbia (Fração Vermelha) analisa que “o saldo dessas manifestações permite dimensionar a massiva participação e grande combatividade do povo nas atuais jornadas. As confrontações deixam como saldo ao velho Estado um saldo de um policial morto e ao menos outros 941 feridos, mais de mil veículos de transporte público e 156 estações de transporte destruídas, aproximadamente 80 instalações policiais atacadas, 421 agências bancárias atacadas pela fúria do povo, ao menos 300 ações de sabotagem e confisco popular contra grandes lojas comerciais e 7 mil manifestações populares, dentre marchas, ocupações etc. em 784 municípios”. 

“Se reafirma a correta tese maoista da situação revolucionária em desenvolvimento desigual no mundo inteiro e na Colômbia, como nação oprimida principalmente pelo imperialismo ianque (Estados Unidos, USA)”, assevera o Partido. 

A organização de vanguarda do proletariado em formação da Colômbia afirma ainda que, “nas cidades onde os maoistas vêm atuando com maior firmeza e intrepidez, cada vez mais rapidamente vai sendo transformada a fisionomia da luta de classes”. “Em meio da ativa participação na luta de classes e da intensa luta de duas linhas, uma nova linha vermelha vem se forjando e dando importantes saltos qualitativos em seu processo, avançando na tarefa estratégica e atrasada dos comunistas no país: reconstituir o Partido Comunista da Colômbia para iniciar e desenvolver a Guerra Popular para a conquista do Poder para o proletariado e as massas populares. A exitosa atuação do ainda pequeno, mas firme contingente maoista na Colômbia se reflete em sua cada vez mais ampla convocação e mobilização das massas; a luta férrea contra as tendências oportunistas de direita e de ‘esquerda’ no seio do movimento de massas; a forja de uma ardoroso e disciplinada militância; a construção de uma cada vez mais ampla base de massas sob sua influência e de uma sólida frente revolucionária”. 

Os maoistas colombianos apontam que seu trabalho está esclarecendo as massas populares sublevadas do país e apontando-lhes o caminho para alcançar seus objetivos imediatos e históricos, cujo elemento estratégico é “fortalecer sua organização, dando passos concretos no processo da construção dos Três Instrumentos: Partido, Exército e Frente, que mediante a Guerra Popular destruirão o velho Estado e suas Forças Armadas reacionárias, erigindo sobre suas cinzas o Novo Poder baseado na aliança operário-camponesa”. Apontam, ainda, que os comunistas devem concentrar-se na organização dos camponeses pobres “incansavelmente, sob a direção do proletariado”. 

 

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin