Investigações sobre origem da Covid-19 e a contenda imperialista

No dia 16 de junho, o presidente do Estados Unidos (USA) Joe Biden levantou novamente a hipótese de que o governo chinês estaria sabotando as investigações sobre a origem da Covid-19. O presidente disse que, apesar da China estar “esforçando-se para se projetar como uma nação responsável e bastante acessível”, questiona: “a China realmente está querendo chegar ao fundo disso?”. Essa declaração aconteceu durante a turnê do imperialista Biden em encontros com líderes do Grupo dos 7 (G7) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que, segundo aponta o jornal revolucionário estadunidense Tribune of the People, teve como principal objetivo “reforçar a posição do EUA como a superpotência hegemônica única no mundo hoje, cuidadosamente manejando a linha entre pugna e conluio com outras potências imperialistas enquanto o imperialismo ianque enfrenta um aprofundamento de sua crise”, e focou extensivamente “em combater a crescente influência da China social-imperialista, uma vez que é prevista sua ascensão à maior economia do mundo em 2028, de acordo com o Centre for Economics and Business Research”. O comunicado conjunto do encontro avaliou Rússia e China como “ameaças crescentes”. 

O posicionamento de Biden é referendado em fala oficial de Jake Sullivan, Conselheiro da Segurança Nacional do USA, que disse que a China “arriscará isolamento internacional se falhar em permitir a condução de uma investigação ‘real’ em seu território”. O porta-voz do Ministério de Assuntos Estrangeiros da China Zhao Lijian respondeu que as falas não passavam de “pura chantagem e ameaça” e que não há base alguma para acusar a China de atrapalhar as investigações. No dia 22/06, Zhao também comparou os esforços do “aparato de inteligência norte-americano” com a farsa das “armas de destruição em massa” que foi utilizada como justificativa para a invasão do Iraque em 2003. 

A hipótese que está sendo mais explorada pelo governo ianque (Estados Unidos, USA) gira em torno de um possível vazamento do vírus do Instituto de Virologia de Wuhan – de um laboratório nível de biossegurança 4 (BSL-4) –, na cidade chinesa onde se registraram os primeiros casos de Covid-19. A hipótese acusa três possibilidades: 1) o vírus ter sido encontrado em um morcego na natureza, já com capacidade de contagiar seres humanos, e cientistas teriam isolado o vírus no laboratório e este escapado; 2) o vírus ter sido coletado de um morcego na natureza, cientistas terem isolado e cultivado o vírus em laboratório, e posteriormente este ter sofrido mutações que o tornasse contagioso a seres humanos e escapou por acidente; ou 3) ter sido o vírus coletado de um morcego da natureza, cientistas terem propositadamente modificado o vírus em laboratório para infectar seres humanos e, posteriormente, o vírus ter escapado. 

Shi Zhengli, uma importante virologista deste laboratório, disse que as suspeitas tratam-se de “especulação enraizada em uma desconfiança total”. Shi também nega que três pesquisadores do laboratório tenham sido infectados com Covid-19 antes que se espalhasse pela cidade de Wuhan – hipótese levantada pelo Wall Street Journal a partir de um relatório de inteligência ianque. 

Apesar de que as posições recentes do governo chinês tenham caráter defensivo, já foram feitas acusações do mesmo tipo por sua parte, especialmente frente à provocação do então presidente Donald Trump – que, como seu vira-lata no Brasil, falava de “vírus chinês”. 

No dia 21/06, o mesmo porta-voz Zhao Lijian publicou em seu twitter que um relatório da Sociedade para Doenças Infecciosas da América “mostra que, entre 13 e 16 de dezembro de 2019, anticorpos de coronavírus foram detectados em no mínimo 39 amostras de sangue dos estados de Califórnia, Oregon e Washington”. Em março de 2020, Zhao também foi notícia por uma postagem que dizia ser “(...) possível que o exército norte-americano tenha trazido o vírus para Wuhan”. Sua posição é uma referência à hipótese amplamente difundida na China de que militares ianques levaram o vírus ao país durante sua participação nas Olimpíadas Militares de 2019, que aconteceram em Wuhan, no mesmo período em que começaram os contágios locais. Zhao complementa: “quando aconteceu o paciente zero no USA?”. Nessa ocasião, o embaixador da China no USA Cui Tiankai disse que tais colocações eram “loucas”, apesar de que a mesma especulação tenha sido levantada no Diário do Povo (órgão de imprensa oficial do governo chinês) em fevereiro de 2020. 

Mesmo que ainda faltem provas definitivas para basear as afirmações de maquinação e guerra biológica, é importante observar as contendas em questão, no seu caráter de agitação imperialista para demarcação de espaço numa circunstância em que as grandes potências estão alcançando relativa estabilidade no manejo da pandemia. Ao sistema de dominação imperialista, portanto, cabe abordar o surgimento do novo coronavírus como guerra biológica. Biden continua a política de Trump, todavia de maneira menos histriônica, de isolar internacionalmente o social-imperialismo chinês valendo-se desse argumento. 

Quanto à hipótese de ser a Covid-19 uma arma biológica, AND já havia colocado em seu editorial da edição nº 232 (abril de 2020), Século XXI e medievo, que “sendo resultante de uma evolução biológica natural ou uma maquinação do imperialismo ianque (hipótese que não se pode descartar de todo, pois que bem se calha aos criminosos “jogos de guerra” do Pentágono crente fervoroso do malthusianismo), o coronavírus atua como pequenas bombas atômicas invisíveis, aparentando outra forma de guerra mundial”. Nesse sentido, a Covid-19 comporta-se como uma arma biológica de fato, ainda que não seja possível dizer se ele é ou não uma arma por propósito, pela maneira como está sendo manejado pelo imperialismo. Não, principalmente, com o alardeado objetivo de “guerra biológica” entre uma potência e outra, mas como elemento de destruição das forças produtivas, de agitação contrainsurgente e mesmo de eliminação de parte da população por meio de genocídio planificado. 

 

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