Sem governo

A propaganda sempre utiliza figuras simpáticas e idéias que aparentam ser inatacáveis, junto à opinião pública, para divulgar um produto. O problema são as “maquiagens” e fraudes para direcionar o consumo, muitas vezes desnecessário. 

Ninguém contesta que criança não deve trabalhar e a propaganda oficial do governo tem destacado o empenho em acabar com o trabalho infantil e com este tema, atraindo a simpatia da população para a sua atuação.

Então vamos pegar estradas!

O transporte rodoviário é erradamente privilegiado e, mesmo assim, encontramos a malha rodoviária em péssimo estado.

No Norte, existem buracos enormes que não se formam da noite para o dia, e ao lado deles, crianças magérrimas, denunciando a fome. Sob sol a pino, tampam buracos para ganhar alguns trocados.

Isto registra a realidade e o anúncio enganoso; há propaganda e não temos governo. Também não existe governo quando jovens recebem o seu histórico escolar ao final do ano, ou do curso, com a anotação: aprovação sp.

Aprovação sp significa que o aluno, durante todo o ano letivo, não teve professor naquela matéria e recebeu sua aprovação com a ridícula desculpa de não prejudicar o jovem.

Escondem que não há professores e eles são mal pagos porque a arrecadação do governo (impostos e taxas) é crescentemente destinada ao pagamento de juros.

Alijados de melhor chance na ida para o curso superior, vítimas da discriminação social e governo inepto, inventam um disfarce criando quotas para negros e possibilitando surgir uma desavença odiosa entre os que têm nota e os que têm cor. Desgoverno...

No semi-árido Nordeste, na entradas dos municípios e lugarejos multiplicam-se as placas de propaganda. Calçamento com paralelepípedos, elaboração de plano diretor para o local, construção de cisternas, até instalação de privadas higiênicas — todas indicando que ali há obras financiadas pelo Banco Mundial.

O todo poderoso Banco Mundial financiando privada no agreste?

O que isto significa?

Que não há governo, porque não se pode ser chamado de governante o eleito que assina um contrato de financiamento em dólar para obras simples, realizadas com tecnologia de extenso domínio público.

Convenhamos, alvenaria de privada higiênica não tem nenhuma ciência profunda. Além disto, nelas, todos os pagamentos para a sua realização são feitos em real — a moeda nacional — portanto, é absolutamente desnecessário o dólar.

Se dermos uma olhada nos contratos de financiamento há coisas inacreditáveis. O Banco Mundial (BIRD) tem o direito de vasculhar tudo que desejar em obras, prédios, documentos, com a obrigação do “governo” de fazer dois pagamentos anuais (março e dezembro) de nove milhões e novecentos mil dólares.

O que tudo isto acarreta?

As prefeituras do agreste semi-árido — com pouca renda, co-participantes dos financiamentos — são obrigadas a utilizar o Fundo de Participação dos Municípios para pagar a dívida em dólar, sacrificando ainda mais todas as atividades, entre as mais elementares e urgentes, que lhe dizem respeito.

O Banco Mundial exige sua aprovação para selecionar, admitir gestores, consultorias, empreiteiras. Bloqueia os resistentes ao absurdo, leva a fama de ser o pagador-financiador de tudo. Não mandamos, perdemos a soberania; não temos governo.

O noticiário de TV anuncia frenético que, desde janeiro deste ano, uma licitação foi aberta para restauração da estrada próxima a Brasília, com financiamento do Banco Mundial. Agora, oito meses depois, nenhum movimento de obra, nem mesmo de conservação mínima. A empresa, primeira colocada, desistiu da empreitada e estão, segundo o noticiário, esperando o Banco Mundial permitir a entrada do segundo colocado ou a realização de uma nova concorrência. Nisto, há uma sequência burocrática que não é decidida pelo governo brasileiro. A população que continue sofrendo com o estado de conservação da estrada, as quebras e os desastres consequentes. Governo sem doutrina, sem metas, sem brio, não é governo.


O doutor Rui Nogueira é médico, escritor, frequentemente solicitado para proferir palestras em todo o país. É autor de Servos da moeda; Petrobras, orgulho de ser brasileiro; Nação do sol; Nova consciência, século XXI.
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