Itaú e Unibanco, Luiz Inácio e Henrique Meirelles: A banca e seus funcionários

No dia 03 de novembro, as duas maiores famílias de banqueiros do Brasil fundiram seus negócios e foram para a frente das câmeras com o sorriso de quem acabava de casar suas próprias filhas. Naquela segunda-feira, os herdeiros Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, paulista e carioca, que mantiveram segredo sobre o namoro durante 15 meses — um privilégio de quem controla muita, muita grana —, acertaram os termos do matrimônio, comunicaram a novidade ao padrinho Luiz Inácio pela manhã, e à tarde anunciaram a união do Itaú e do Unibanco.

Trata-se de mais uma prova, em meio à crise, da picaretagem que caracteriza os postulados do liberalismo econô mico. A tão celebrada concorrência afinal não traz as maravilhas anunciadas pelos vendedores da ilusão capitalista; ela resulta no exato contrário do que é prometido, como a novíssima "Itaú Unibanco Holding S/A".

A nota dos banqueiros sobre a fusão dizia o seguinte: "Trata-se de uma instituição financeira com a capacidade de competir no cenário internacional com os grandes bancos mundiais". Talvez a dobradinha dos herdeiros dos papais faça bonito no jogo da banca internacional, disputando novos endividados juro a juro com agiotas ingleses, ianques e espanhóis. Mas, por aqui, trata-se mesmo é de assanhamento do capital financeiro monopolista.

Um assanhamento que já vinha desde a aquisição do Banco Real pelo Santander, e que ainda deve se desdobrar na    resposta do Bradesco, que virá mais cedo ou mais tarde, provavelmente com o abocanhamento de um banco menor, para fazer frente à recém-criada e festejada "maior instituição financeira do hemisfério sul". É o monopólio do capital financeiro reforçando seu poder. Tudo com as bênçãos dos padrinhos Luiz Inácio e Guido Mantega.

Tudo isto vem sendo visto pelos oportunistas que administram o Brasil como "natural". No Brasil, aliás, Luiz Inácio vem fazendo com afinco o dever de casa passado pelos banqueiros e pelos gerenciadores profissionais de crises do capital. Apesar das negativas de que a economia brasileira seria afetada pela ruína internacional do crédito, a administração do PT já anunciou uma série de medidas que visam minimizar os impactos do colapso capitalista para a grande burguesia local.

Desde o dia 19 de setembro, quando leiloou 500 milhões de dólares entre as ouriçadas instituições financeiras nacionais, o Banco Central do Brasil — cuja presidência é cargo reservado aos homens de confiança do FMI e da banca internacional — vêm realizando operações de venda de dólares quase que diárias, a fim de amortizar os prejuízos tomados pelo patronato metido a esperto, que fez negócios apostando em um cenário futuro de dólar em baixa.

Como sempre, o dinheiro para pagar a conta das apostas furadas tanto dos patrões quanto dos especuladores vem dos cofres públicos. No caso, Luiz Inácio e Henrique Meirelles vêm torrando as reservas brasileiras para dar uma força aos empresários com os quais têm compromisso.

Sim, o compromisso com empresários, latifundiários e especuladores fica muito mais claro agora, com a crise, ainda que Lula tente convencer, do alto dos muitos palanques aos quais comparece, que seu compromisso é com o povo trabalhador. Tanto que, no dia 6 de outubro, o presidente da República editou medida provisória dando mais poderes ao Banco Central para que Henrique Meirelles atue como lhe der na telha durante a crise. Trocando em miúdos, Luiz Inácio deu carta branca a Meirelles para fazer o que for preciso para ajudar o capital financeiro agonizante.

Não satisfeito, Luiz Inácio ainda criou ferramentas oficiais de repasse de dinheiro público para latifundiários, empreiteiros e banqueiros. À exemplo do que se faz na Europa e no USA, chamou estes mecanismos de rapinagem institucionalizada de "linhas de crédito".

No início de novembro, Luiz Inácio e sua equipe de gerentes anunciaram mais um pacotão de respaldo ao patronato. Foram cinco medidas, entre as quais R$ 10 bilhões repassados à grande burguesia via BNDES, e outros R$ 9 bilhões via Banco do Brasil. Ainda ampliaram o prazo para as empresas pagarem tributos federais, o que garantiu aos patrões mais R$ 21 bilhões em caixa. Se o trabalhador não paga em dia a conta enviada pela empresa privatizada, tem a luz e a água cortada.

Seguindo o exemplo de Obama e Bush no USA, o ministro da Fazendo de Luiz Inácio, Guido Mantega, anunciou no dia 11 de novembro que o governo acabara de disponibilizar mais R$ 4 bilhões para as montadoras que operam no Brasil. É dinheiro público transformado pelo PT em capital para financiar a manutenção de taxas de lucros, sendo que estas empresas automotivas são as transnacionais que mais remetem dinheiro para suas matrizes no USA, na Europa e no Japão. Talvez por isso mesmo o estado de São Paulo, onde está instalada a maioria das fábricas de carros em nosso país, premiou a ameaça velada de demissão vinda do patronato do setor com mais R$ 4 bilhões, por intermédio do Banco Nossa Caixa.

A desculpa para financiar a grande burguesia em apuros é a mesma de sempre: garantir o emprego de milhares de trabalhadores.

Balela. Fosse este o caso, uma política pública garantidora de seguro desemprego sairia muito mais barato do que gastar bilhões salvando postos de trabalho que rendem salários de fome. Mas as massas não devem, e não podem se iludir nem com uma coisa, nem com outra. Não devem respaldar o socorro a seus patrões, e nem devem se contentar com eventuais medidas que perpetuam a submissão aos humores do capital. É tempo de se preparar a luta por emancipação frente a todo tipo de humilhação e amarras. E, diante do agravamento das pressões sobre a classe trabalhadora, derrotar o capital opressor é um imperativo inadiável.

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