Revolucionário basco deportado da Venezuela

Carta aberta dos companheiros bascos de Sebastián Echaniz* 

Há algumas semanas comentávamos com um amigo fraterno, refugiado político basco, a situação na República Bolivariana da Venezuela. Falávamos sobre o que lá estava acontecendo; sobre a reviravolta que, se supunha, viria ocorrer com a chegada do comandante Chávez à esfera política; de como se havia multiplicado a tomada de consciência política e social do povo.

Falávamos com certa preocupação sobre a situação atual e nosso amigo, com sessenta anos de vida e experiência nas costas, nos afirmava que este momento tinha que chegar; que cedo ou tarde as contradições de classe, as diferenças sociais, o abismo entre exploradores e explorados se tornaria insustentável e aí, nesse mesmo instante, chegaria a hora verdadeira do povo, das massas revolucionárias. Nós o escutávamos com atenção, não em vão, pois em seus sessenta anos haviam ocorrido processos semelhantes na Europa e na América Latina, como no caso em que, junto aos sandinistas e ao povo nicaraguense, ele compartilhou uma das maiores experiências revolucionárias da América Latina.

Recordo que nos dizia que via muitas semelhanças entre ambos os processos, ou seja, o nicaraguense e o venezuelano, mas que sobretudo e, salvando as diferenças, a maior semelhança se podia ver nas posições adotadas pelos contras (leia-se, oposição). Na Venezuela, queriam submeter o país a um caos econômico, político, social e institucional de maneira que, ao forçar um processo eleitoral o povo se visse obrigado a decidir não entre dois, três ou quatro candidatos, senão entre paz social e conflito permanente. O mesmo que aconteceu na Nicarágua, quando se obrigou o povo nicaragüense a decidir, não entre Daniel Ortega e Violeta Chamorro, mas entre guerra ou paz. Nos dizia ele que considerava um erro ir a um processo eleitoral nas condições atuais de deteriorização social e econômica, e que era o momento de aprofundar a revolução, de ceder o papel de protagonista às organizações populares, aos movimentos sociais, aos trabalhadores e trabalhadoras, verdadeiros donos e sujeitos de todo processo revolucionário.

Frente a seu copo de rum, sob o céu de Chichiriviche e com seu eterno cigarro na boca, ele nos dizia que estava convencido de que o processo revolucionário bolivariano poderia ser a soma do que foi e do que não pôde ser a revolução sandinista.

Hoje, nosso amigo Sebastián Echaniz, com seus sessenta anos e suas recordações de revoluções vividas, está sendo torturado numa fria e escura dependência policial espanhola, onde permanecerá incomunicável durante cinco dias, à mercê daqueles que jamais o perdoaram por ter estendido sua dignidade e compromisso revolucionário com Euskal Herria, Nicarágua, Venezuela...

Na segunda-feira passada, a DISIP o deteve em Chichiriviche, quando passeava com uma flanela e seus cholas. Sete horas depois ele estava num avião rumo a Madrid. Até lá, o levou um vôo da Ibéria e o silêncio cúmplice das autoridades "bolivarianas", que aceitaram como boas as explicações e petições de um governo (o espanhol) que conspirou e conspira contra nosso processo.

E eu me pergunto: por que? Ele tinha carteira de residente, tinha passaporte em ordem, tinha trabalho, tinha família, tinha, ainda, muitos sonhos por viver e compartilhar conosco. E, sobretudo, tinha muita dignidade revolucionária, algo que já parece caduco nestes tempos que correm.

Bom, Sebas, como diz a foto de Sandino que, orgulhosa, lhe espera na parede de sua casa: a luta continua!

Desde Info Euskalherria te asseguramos que assim será: até a vitória final!

República Bolivariana da Venezuela
18 de dezembro de 2002
Infoeuskalherria


Sebastián Echaníz Alkorta, revolucionário basco, militante do ETA (Pátria Basca e Liberdade, na língua basca) foi detido, e deportado para a Espanha no dia 17/12/2002, por agentes da polícia espanhola.

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