Mais um jovem executado por PMs no Rio

Na noite de 18 de setembro os noticiários da TV Globo anunciavam que a PM do Rio de Janeiro interceptou um comboio de traficantes que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, pretendiam atacar viaturas e cabines da polícia no bairro de Cordovil, zona norte da cidade. Os traficantes estariam reunidos no conjunto habitacional Cidade Alta e, com a chegada da PM, teriam resistido à prisão. De acordo com os noticiários da TV Globo, quatro deles foram mortos no confronto.

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Moradores da Cidade Alta protestam por punição para os PMs que executaram Júlio César

Mas a versão dada pelo monopólio dos meios de comunicação, pela PM e pela Secretaria de Segurança foi contestada pelos moradores da Cidade Alta. Segundo eles, os policiais chegaram em um caveirão e começaram a atirar, baleando quatro pessoas: o estudante e comerciante Júlio César de Menezes Coelho, o motorista de van Rodrigo Alves Catureba, o entregador de pizzas e operário da construção civil Wantuyller Marques Lopes e Jairo da Silva de Luna. Todos morreram no local.

A família de Júlio César de Menezes Coelho, de 21 anos, revoltou-se com os assassinatos e, em seguida, com as notícias de que o rapaz seria traficante. Ele trabalhava em uma lanchonete em Copacabana e acabara de concluir um curso de gastronomia na ONG Ação Comunitária do Brasil, na Cidade Alta.

A pracinha estava cheia, com muitas crianças, porque tinha um parque de diversões no local. Os PMs chegaram atirando e houve correria, desespero. Júlio tentou se proteger, mas eles gritaram: 'Levanta, levanta, e entrega as armas'. Meu sobrinho disse que era trabalhador e inocente, mesmo assim eles atiraram no peito dele a queima-roupa. Fizeram uma covardia com ele — disse a tia do jovem, Ana Cláudia Amaral, de 39 anos.

Policiais não respeitam os moradores. O Júlio César estava indo trabalhar, mas, antes, parou para conversar. Era um bom garoto, todos aqui gostavam dele. Estamos cansados disso, queremos dar um basta nessa situação — desabafou Ana Cláudia.

Ele era uma criança, tinha só tamanho. Queria me ajudar a todo custo, e eu não pude fazer nada por ele nessa hora — lamentou a diarista Jane Coelho, mãe de Júlio

Segundo testemunhas, Júlio estava em uma praça na rua Ponto Chique, na entrada da Cidade Alta, conversando com uma amiga, a cabeleireira Priscila da Silva Monteiro, de 23 anos, quando PMs começaram a atirar. Priscila teria gritado alertando Júlio para que corresse, mas o rapaz já teria sido baleado. Os policiais se aproximaram do comerciante e o executaram com um tiro no peito. Priscila, mesmo baleada no pé, escapou da execução. Ela foi levada para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e operada.

Ela se salvou porque se escondeu embaixo de um carro — contou Gabriela Freitas, amiga de Júlio César e Priscila.

No dia seguinte, amigos que trabalhavam na mesma lanchonete que Júlio, receberam com muito pesar a notícia do assassinato do colega, que segundo o gerente Geílson, era muito querido por todos os funcionários.

Aqui é sempre uma correria. Ele chegava, batia o ponto e trabalhava direto, mas a gente tinha uma relação legal. Todos estão sentindo a falta dele. Num dia, o sujeito está aqui, trabalhando, bem de saúde. No outro, a gente fica sabendo de uma coisa dessas. Quando é que isso vai acabar? — pergunta Geílson.

O rapaz foi velado na manhã do dia 20 de setembro, no cemitério do Cajú, zona Norte do Rio. Após o enterro, cerca de cem pessoas, entre amigos e parentes de Júlio César, bloquearam um dos acessos à Avenida Brasil, na altura da Cidade Alta, em protesto pelo assassinato dos quatro homens. Mesmo com todas as evidências de que Júlio fora executado pelos PMs, nos dias seguintes ao enterro, o governador Sérgio Cabral e os comandos das polícias Civil e Militar, saíram em defesa dos assassinos a serviço do Estado.

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