Ode aos que não se rendem

dedico esses cantos aos tantos que, nas curvas desse mundo, não se curvam"
R. Ventura

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Muro

muro
no alto e suntuoso muro
protetor dos bem nascidos
defensor da divina posse
escreveram em legível blasfêmia
ABAIXO!

Anunciamos o lançamento de Cartas de Alforria, primeiro livro do educador e poeta mineiro R. Ventura. Cartas de Alforria reúne poesias, "filhas legítimas da luta de classes", frutos da experiência e luta do autor, dirigidas aos que, como ele, "insistem em desobedecer".

Em uma breve entrevista concedida a AND, R. Ventura fala um pouco sobre seu trabalho e luta:

 Sempre fui muito ligado à literatura e, em particular, à poesia. Essa ligação, inclusive, foi determinante na escolha de minha carreira acadêmica: formei-me em Letras! Lembro-me do meu pai colocando livros de poesia na prateleira (ele gostava muito de J. G. de Araújo Jorge), isso no interior mineiro onde nasci (Ponte Nova).

A vida foi seguindo seu curso e eis que em 1998 vim para Belo Horizonte, inicialmente cursar História na UFMG. Foi nesse período que iniciei minha participação no movimento estudantil e na construção de escolas populares.

Percebi que a palavra escrita, fosse por meio de um panfleto, de uma pichação ou de um poema tinha uma força grande, cumprindo um papel importante de instigar, provocar, propagandear, anunciar. Foi concebendo a poesia dessa forma, não como algo fechado em si mesmo, mas como mais uma arma passível de uso na luta de classes, que comecei a escrever.

Tive oportunidade de conhecer algumas partes do Brasil e por onde andei encarei a realidade com olhos de revolta. Tornei-me militante, fiz minha opção ao lado dos trabalhadores, dos pobres. E a poesia acompanhou-me, engajou-se, tomou partido.

O livro Cartas de Alforria é uma pequena coletânea de poemas escritos entre 2005 e 2010. Inicialmente resisti um pouco em publicá-los, mas eis que fui convencido da importância de um material com esse caráter.

Num tempo como o nosso, onde se ouve que já não vale mais a pena lutar, que tudo deve ser relativizado, que a arte deve estar 'acima' da luta de classes e que sua única função é entreter..., espero poder provar o contrário: o tempo é de lutar, o tempo é de tomar posição, a arte não é neutra.

Quando se escreve algo, aquela coisa é sua. Quando se publica algo a propriedade daquilo passa a ser dos leitores. Espero que quem leia um, dois ou todos os poemas do livro possa se identificar com a mensagem e possa sentir que não está sozinho na luta, enxergar que a arte é também uma importante trincheira de combate por um mundo novo.

Este livro é um canto, um grito, uma ação, e não seria possível realizá-lo sem o incentivo e apoio de inúmeros companheiros. Gostaria de registrar meu sincero agradecimento, primeiramente aos companheiros da Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves, em Belo Horizonte, onde sou professor com muita honra. Em segundo lugar aos companheiros Cleuber Cristiano e Paulo Prudêncio, por suas contribuições com as ilustrações e projeto gráfico.

Desejo ardentemente que os leitores dessas Cartas de alforria encontrem nelas inspiração e que se apropriem de meus versos fazendo deles elemento vivo na luta pela emancipação de nosso povo.

Cartas de alforria pode ser adquirido através das seguintes páginas na internet: www.estantevirtual.com.br/richardson e www.escolapopular.com.br

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

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