Ato lembra os 20 anos do Massacre do Carandiru

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Ativistas de movimentos populares em ato contra a violência do Estado

No dia 2 de outubro,  parentes de vítimas  do Massacre do Carandirú, juntamente com organizações que apoiam o movimento por condenação dos policiais que participaram da chacina fizeram um ato na praça da Sé, centro de São Paulo, para lembrar os 20 anos do episódio que deixou 111 mortos em 1992. Apesar da luta de duas décadas das famílias das vítimas, até hoje ninguém foi punido pelo massacre.

Em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a ação da polícia, foi condenado a 632 anos de prisão pelo crime. Contudo, em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a decisão e absolveu o coronel. A 2ª Vara do Júri marcou para o dia 28 de janeiro de 2013 o julgamento de outra parte dos réus acusados de participar do massacre. Comandada pelo capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos, o destacamento de 25 homens é acusado de assassinar 15 presos no 2º pavimento.

—  O massacre do Carandiru é símbolo da convergência de duas políticas do Estado que ainda vigoram: a política de extermínio e de encarceramento em massa da população mais pobre e periférica. Essas duas políticas não só subsistiram como também hoje estão mais aprofundadas — diz o advogado da Pastoral Carcerária em São Paulo, Rodolfo Valente, que também criticou a política de encarceramento em massa de pobres no Brasil.

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Imagem da babárie ocorrida em 2/10/1992

Em São Paulo, nesse ano de 2012, temos uma média de entrada no sistema prisional de 9 mil pessoas e uma média de saída de seis mil pessoas por mês, o que dá um saldo de três mil pessoas a mais por mês. Para dar conta disso, teríamos que construir quatro presídios por mês. Além disso, o sistema prisional não é só falho. É algo caro, inútil e violento à sociedade. E atinge principalmente às vítimas — diz.

O Estado não tem o direito de achar que tem autonomia para matar e encarcerar. Mas é mais fácil matar e encarcerar do que investir em escolas profissionalizantes, por exemplo, para dar dignidade às pessoas — diz Débora Maria da Silva, coordenadora do Movimento Mães de Maio e mãe de uma das vítimas dos chamados Crimes de Maio, em 2006, quando 493 pessoas foram assassinadas pela polícia.

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A gente questiona a lógica dos massacres como um todo. A negação dos direitos mais elementares da população pobre, preta e periférica, como saúde, educação, moradia, transporte, condições mínimas de vida, de trabalho. Isso tudo somado à repressão violentíssima que continua da parte do Estado e só se intensificou durante o período democrático, com a militarização de todas as dimensões da vida, mais de 550 mil pessoas encarceradas no Brasil e cerca de 49 mil pessoas assassinadas por ano. A gente vem discutir tudo isso a partir do emblema do massacre do Carandiru — explica Daniel Dara, membro do Movimento Mães de Maio.


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