Música brasileira com jeitinho caipira

Comprometidos com a música popular cultural brasileira, a dupla paulistana Moacyr e Sandra realiza um trabalho voltado para a música caipira, com influências da cultura musical adquirida individualmente, que inclui choro, seresta, bossa nova e a viola tradicional. Casados, a dupla lançou seu primeiro disco e logo caiu no gosto das Galvão, que abraçaram o trabalho e tornaram-se suas principais divulgadoras. 

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– Comecei com música há vinte e sete anos em um programa de calouros. Depois participei da bossa nova, quando conheci alguns compositores e fiquei bastante entrosada. Fazia algumas festas particulares e em uma dessas, em 1995, conheci o Moacyr no palco. Começamos uma amizade, um namoro e depois veio o casamento. A partir daí pensamos numa dupla – conta Sandra.

– Logo percebemos que também tínhamos um bom casamento de voz, o que é difícil acontecer com casal, porque normalmente irmãos que tem essa facilidade, por cantar juntos desde cedo. Então estava tudo certo, o problema foi na hora de escolher uma linha a seguir, já que tínhamos muitas boas influências musicais – continua.

– Além da bossa nova, cresci ouvindo choro. Minha família é toda de músicos e a maioria deles tinha intimidade com o cavaquinho e o bandolim, e fazia saraus com rodas de choro na casa que foi dos meus tataravós, no interior de Minas. Mas também tinha música caipira por lá. Meu avô tocava rabeca em grupo de folia de reis, por exemplo. A música caipira e a música folclórica vieram me acompanhando – constata.

Já Moacyr tem a influência dos bailes que participou e da viola que aprendeu a tocar com o Lorito, da dupla Lorito e Loreto.

– Conheci o Lorito com doze anos de idade, através do meu pai. Ele e o Loreto, seu irmão, cantavam muito bonito, e me apaixonei quando ouvi a sua viola. Pedi, e ele me ensinou a tocar. Ia à sua casa e ele tinha prazer de me passar o que sabia. Até uns cinco anos atrás ainda era vivo e mantínhamos contato, mas nunca fizemos dupla – conta.

– Nós somos de São Paulo capital, mas tanto da parte do Moacyr quanto da minha existe uma vivência rural muito forte. Sou filha de mineiros e boa parte da minha infância e juventude, por conta das viagens de férias, passei convivendo com meu primos em Cordislândia, interior de Minas, próximo a Pouso Alegre e Três Corações – acrescenta Sandra.

– Meus familiares são de Capivari, interior paulista, próximo a Tietê, Piracicaba, região que tem uma influência caipira muito forte. Meu pai era seresteiro e tocava violão em rodas de amigos. Cresci ouvindo radinho em baixo do travesseiro quando ia dormir. Era Tião Carreiro, Tonico e Tinoco, Bambico, só violeiros tradicionais, moda de viola, pagodes – fala Moacyr.

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