Denúncia urgente: Criminosa reintegração de posse contra famílias camponesas da Comunidade Olaria Barra do Mirador (MG)

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Norte de Minas: Criminosa reintegração de posse contra mais de 50 famílias camponesas da Comunidade Olaria Barra do Mirador/Miravânia

Na madrugada desta terça-feira, dia 9 de julho, uma grande operação envolvendo mais de 100 policiais militares fortemente armados expulsou e destruiu as casas das famílias da Comunidade Olaria Barra do Mirador, localizada no município de Miravânia, no Norte de Minas Gerais. A decisão pelo cumprimento da injusta, ilegal, ilegítima e criminosa reintegração foi assinada pelo Sr. Walter Zwicker Esbaille Júnior, juiz da Vara Agrária de Conflitos Agrários do estado.

Os policiais militares, em dezenas de viaturas, chegaram à comunidade ameaçando as famílias, destruindo suas casas e coagindo os camponeses a assinarem um suposto “acordo” que, na prática, legaliza o roubo de suas terras pelo latifundiário grileiro Walter Arantes. Ainda nesta madrugada, apoiadores dos camponeses realizaram um bloqueio de uma estrada que liga Januária à cidade de Miravânia, com pedaços de pau, fogo e faixas denunciando o latifundiário grileiro, que é conhecido na região como “Waltinho”. O Comitê de Apoio ao jornal A Nova Democracia está no local e continuará noticiando o desdobramento dos fatos.

As famílias da Comunidade Olaria Barra do Mirador, apoiadas pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Sul da Bahia, há 19 anos ocupam aquelas terras, que antes eram improdutivas. Em nota publicada no dia 08/07, o Comitê de Defesa das Famílias da Olaria Barra do Mirador denunciou que tal operação foi orquestrada e financiada pelo latifundiário Walter Arantes, recentemente preso por “lavagem de dinheiro” pela “Operação Lava Jato”, e que responde a dezenas de processos em aberto na região e na capital do estado, envolvendo crimes que vão desde “danos ambientais” à “enriquecimento ilícito”.

O antes e o depois do ataque da polícia. Residência camponesa é destruída durante reintegração

Evidenciando como mais este crime contra os pobres do campo está sendo articulado pelo latifúndio junto à Policia Militar, a reintegração foi realizada, sorrateiramente, um dia antes da realização de uma Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, que seria realizada no dia 10/07, em Belo Horizonte.

As famílias e seus representantes legais não foram notificados sobre a realização da reintegração de posse, mas, pelo contrário, no objetivo de tentar impedir sua justa resistência e a grande repercussão favorável às famílias camponesas, o comandante do 30º Batalhão da PM - tenente coronel Rubens Pereira - enviou um ofício ao Conselho Tutelar somente no domingo, dia 07/07. Como demonstra a imagem abaixo, tal ofício foi expedido ainda no dia 14/06 e deliberadamente comunicado somente às vésperas da reintegração. Importante frisar que tal documento não deixa evidente que o cumprimento da reintegração se daria naquele dia, mas anuncia a formação do “Comitê Permanente de Crise”, que sequer foi formalizado.  

Em nota, o Comitê de Defesa das Famílias da Olaria Barra do Mirador afirma:

“No dia 31 de maio, em ato público ocorrido na Escola Estadual Dona Maria Carlos Mota, dezenas de pessoas de bem de diversas comunidades e entidades, comerciantes, vereadores de nossa cidade, a LCP (Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia),  a FETAEMG (Federação dos Trabalhadores da Agricultura de MG), a CPT (Comissão Pastoral da Terra), camponeses de outras cidades e intelectuais honestos, manifestaram apoio à luta das famílias da comunidade Olaria Barra do Mirador. Em todo o Norte de Minas e na capital, nossa denúncia foi levada. Já saiu até em jornal de circulação nacional. Se alguém pretende cometer esse crime contra as famílias, vai fazer à luz do dia e não terá mais paz na vida! Não estamos sozinhos nessa luta! Calamos a boca de muita gente no dia 16 de maio. Até a  advogada do latifundiário ficou de boca aberta, quando uma amiga nossa nos defendeu e falou as verdades na cara de todo mundo. As famílias que estavam sendo pisadas e humilhadas levantaram a cabeça. O prefeito e a polícia estão do lado dos ricos e poderosos, mas nós acreditamos na força do povo organizado, porque ao final das contas a justiça final está é do nosso lado e ela não falhará no momento certo de nos dar força e coragem para enfrentar nossos inimigos.  O gerenciamento de Bolsonaro já declarou guerra aos camponeses e quer a todo custo legalizar a atuação dos pistoleiros e grupos paramilitares dos latifundiários. Este velho Estado, com seu congresso e judiciário corruptos, já demonstrou que está caindo de podre. Não reconhecemos qualquer decisão judicial que não seja pela imediata suspensão da Reintegração de Posse e a legalização das propriedades camponesas”.

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