Síria: Empresa ianque fecha acordo com grupo paramilitar para explorar o petróleo do país

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Um tanque de óleo de um campo petrolífero  em Rmeilan, província de Hassakeh, na Síria, controlado por um grupo curdo apoiado pelo imperialismo ianque. Foto: Hussein Malla / AP

O Ministério das Relações Exteriores da Síria publicou uma declaração no dia 2 de agosto criticando a assinatura de um acordo entre uma companhia de petróleo do Estados Unidos (USA) com o grupo chamado “Forças Democráticas Sírias” (FDS, sigla em português) por ser, nas suas palavras, um acordo criminoso que visa a “roubar” riquezas naturais da nação síria. 

As FDS são um grupo paramilitar diverso, encabeçado por frações de curdos, como as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), e conformado por outros grupos étnicos da região e mercenários vindos de diversas partes do mundo, que contou com forte apoio do imperialismo ianque em seu esforço de depor o governo de Bashar al-Assad (serviçal do imperialismo russo) no país. As FDS possuíam, e possuem hoje ainda, em menores quantidades, controle sobre territórios no nordeste da Síria. 

A declaração do Ministério das Relações Exteriores da Síria afirmou que o governo de Assad “condena nos termos mais fortes o acordo assinado entre a milícia al-Qasd [FDS] e uma empresa petrolífera estadunidense para roubar o petróleo da Síria com o patrocínio e apoio do governo estadunidense”, e condenou o acordo: “Esse contrato é nulo e sem base legal”.

Dias antes da declaração, o acordo sobre os campos petrolíferos veio à tona durante uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado ianque, em que o senador Lindsey Graham e o secretário de Estado ianque, Mike Pompeo, se referiram a ele. 

Em ambos os casos, a empresa ianque envolvida no acordo não foi identificada, porém a organização de jornalismo Politico afirmou se tratar da Delta Crescent Energy LLC, que envolve o “ex-embaixador do USA na Dinamarca, James Cain; James Reese, um ex-oficial da elite Delta Force do exército [ianque]; e John P. Dorrier Jr., ex-executivo da GulfSands Petroleum, uma empresa de petróleo sediada no Reino Unido, com escritórios e experiência em perfuração na Síria”. 

A multinacional imperialista estaria em negociação com os curdos há mais de um ano, segundo a Politico, mas só teria recebido licença do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro ianque para explorar o petróleo sírio em abril. O projeto da empresa busca tanto refinar e usar parte do petróleo extraído localmente, como também exportá-lo. 

Durante a audiência, o senador republicano afirmou que o comandante geral das FDS, o curdo Mazloum Abdi, informou que tinha assinado o contrato com a empresa ianque a fim de “modernizar os campos de petróleo no nordeste da Síria”. Graham questionou Pompeo se o governo apoiava a iniciativa, ao que o representante do Estado ianque respondeu que sim: “O acordo demorou um pouco mais (...) do que esperávamos, e agora estamos em implementação”. 

OS CURDOS, O PETRÓLEO SÍRIO E O IMPERIALISMO IANQUE

Tal acordo parece não condizer com as múltiplas sanções que o imperialismo ianque embargou contra a Síria, em especial sobre a sua economia do petróleo, que afetaram profundamente o setor energético do país. Em março de 2019, por exemplo, o governo do arquirreacionário Donald Trump emitiu os pedidos direcionados às empresas que entregam ou financiam remessas de petróleo da Síria em nome do governo do país. 

No entanto, o Pentágono e o Departamento de Estado vinham exprimindo extenuante esforço para “proteger” os campos de petróleo sob controle dos curdos, mesmo após as tropas ianques serem retiradas do nordeste da Síria, onde ofereciam apoio aos seus lacaios curdos. Em seguida, após o imperialismo ianque deixar o caminho livre, a Turquia invadiu a região em questão, sob a premissa de combater os curdos, e até agora esse território vive sob disputa entre essas forças e as do próprio Assad.

À época, em outubro de 2019, Trump ordenou que apenas um punhado de forças residuais ianques fosse mantido “onde eles têm petróleo”. Em uma reunião na Casa Branca com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, Trump declarou, em uma veemente repetição: “Estamos mantendo o petróleo, temos o petróleo, o petróleo está seguro, deixamos as tropas apenas para o petróleo”. 

Nesse mesmo período, o Pentágono declarou que as receitas dos campos petrolíferos localizados nessa região seriam parcialmente destinadas às FDS, ou seja: continuaria a financiar os grupos paramilitares, principalmente curdos, para servirem na defesa da exploração do petróleo, que agora, ao que tudo indica, será feita sob monopólio da Delta Crescent. Dessa forma, o USA evita o “trabalho sujo”, de colocar suas próprias botas no terreno.

Antes da guerra imperialista ser lançada sobre o país, em 2011, a Síria produzia mais de 380 mil barris de petróleo por dia, número que caiu 96% em três anos. Desse total, a maioria era provinda do nordeste do país. 

Apesar da principal razão para a intervenção imperialista (independente de qual for) na região ser a busca por hegemonia política - conformar controle sobre territórios estratégicos que, na pugna interimperialista, servem como cartas de barganha e negociação; uma partilha do mundo -, a rapina dos recursos nacionais é também parte essencial desse processo. O petróleo acaba funcionando como um elemento transacional entre o imperialismo e seus agentes locais, nesse caso.

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