Alemanha: No dia do julgamento do ‘Processo do TKP/ML’, protestos exigem liberdade aos presos políticos

A- A A+


Revolucionários tomam as ruas no dia do julgamento do Processo do TKP/ML. No cartaz: “Liberdade para os acusados no Processo do TKP/ML! Liberdade para todos os presos políticos!”. Foto: Dem Volke Dienen

Cinco anos após a prisão de dez ativistas da Confederação dos Trabalhadores Turcos na Europa (Atik), no chamado "Processo do TKP/ML", o julgamento foi finalizado e as sentenças declaradas, no dia 28 de julho, com os ativistas presos em custódia durante esses cinco anos. Em ocasião do julgamento, com o chamado do Comitê Estrangeiro do Partido Comunista da Turquia/Marxista-Leninista (TKP/ML –YDK) e da Associação dos Trabalhadores Migrantes na Europa (Aged), um ato reunindo mais de 500 manifestantes foi realizado em Munique, cidade onde seriam julgados os dez ativistas, organizado pela Ageb e a organização revolucionária Partizan.

Empunhando bandeiras com o símbolo da união operário-camponesa em dourado e bandeiras das organizações presentes, os manifestantes em protesto não exigiam apenas a liberdade dos ativistas, mas também a liberdade de outros presos políticos revolucionários. Cartazes com a foto do Presidente Gonzalo, chefe do Partido Comunista do Peru e da Revolução Peruana; Varavara Rao, poeta indiano preso sob a acusação de ser supostamente membro do Partido Comunista da Índia (Maoista) e diversos outros presos políticos revolucionários podiam ser vistos no ato.


Cartazes exigindo a liberdade de presos políticos. Foto: Dem Volke Dienen

Um discurso proferido por um ativista da Ageb, em nome do TKP/ML, foi realizado, onde o Comunismo foi defendido, afirmando que o TKP/ML representava a vanguarda do comunismo na Turquia, defendendo o marxismo-leninismo-maoismo como uma ciência e que “nenhum tribunal da burguesia, nenhum tribunal do sistema imperialista, que nenhuma instituição irá fazer-nos dar um passo atrás, não havendo nenhum  possibilidade de retrocederem na defesa e na ideia do Comunismo”, informa a revista revolucionária Partizan.

Segundo também a revista, enquanto os condenados do julgamento saíam, um cartaz preparado pelo Comitê Bandeira Vermelha com os dizeres: A Luta Revolucionária é justa! O TKP/ML não pode ser condenado! foi aberta pelos manifestantes.

Encerrando o ato, a Ageb e seus militantes, em conjunto com a Partizan, afirmaram em um discurso que iriam combater a prática da delação, além de declarar que vão seguir em defesa da revolução e do Comunismo.


Revolucionários empunham cartaz com os dizeres A Luta Revolucionária é justa! O TKP/ML não pode ser condenado!. Foto: Dem Volke Dienen


Centenas se reúnem exigindo a liberdade dos presos políticos. Foto: Dem Volke Dienen

Chega ao fim o Processo do TKP/ML

O julgamento dos dez ativistas percorre desde 2015, quando Estado imperialista alemão realizou uma operação em conluio com o governo de turno de inclinação fascista da Turquia para prender diversos ativistas da Atik, sob a acusação, sem provas, de serem membros do Partido Comunista da Turquia/Marxista-Leninista (TKP/ML). Numa ação arbitrária, oficiais das Forças Especiais alemãs invadiram armados as casas de 10 ativistas da Atik em diversos países da Europa. No dia 28 de julho, a 7ª Divisão Criminal do Tribunal Superior Regional de Munique anunciou a sentença do “Processo do TKP/ML”.

Os dez acusados receberam sentenças de 2 anos e 9 meses até 6 anos e 6 meses. Vale lembrar também que, os acusados, como Müslum Elma, estavam nas masmorras do Estado imperialista alemão há cinco anos.

São as condenações de cada um dos ativistas: Müslüm Elma: 6 anos 6 meses; Deniz Pektas: 5 anos; Seyit Ali Uğur: 4 anos 6 meses; Erhan Aktürk: 4 anos 6 meses; Sinan Aydın: 3 anos 6 meses; Banu Büyükavcı: 3 anos 6 meses; Haydar Bern 3 anos 4 meses; Musa Demir: 3 anos 4 meses; Sami Solmaz: 3 anos; Mehmet Yeşilçalı: 2 anos 9 meses

Sem serem acusados de cometerem crime algum, apenas de serem membros do TKP/ML – Partido considerado terrorista pelo velho Estado turco, mas não pelo Alemão, foi o primeiro julgamento “legal” na Alemanha sob esse tipo de  acusação.  Utilizando o Artigo do Código Penal §129 / a-b, as atividades do TKP/ML na Turquia foi a única base da acusação. Devido a isso, a organização revolucionária Partizan considerou o caso uma “condenação de pensamentos comunistas e de atividade revolucionária”, sendo também a primeira vez em que o acusado foi condenado por ser membro de uma organização "terrorista estrangeira" sob o artigo, mesmo o TKP/ML não estando em nenhuma lista de terrorismo internacional, além de não ser proibida na Alemanha sob a Lei de Associação e cujos acusados, em sua maioria, receberam o status de refugiados na Alemanha.

Violando as próprias leis num julgamento com claro teor político, o tribunal do Estado reacionário alemão tomou como base “avaliações" e "provas" do velho Estado turco. 


Müslum Elma, um dos ativistas condenados, faz um discurso no ato. Foto: Free Müslum Elma

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Fausto Arruda

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza