USA: milhões de estadunidenses têm de recorrer à doações de alimentos para combater a fome

Família Messick é uma das afetadas pela crise de superprodução imperialista, tendo de recorrer a bancos de alimentos para combater a fome. Foto: AP Photo/ Mark Thiessen.

A crise geral do capital de superprodução está a afetar os povos de todo o mundo, incluindo nos lugares mais inconvenientes para os imperialistas: no seu próprio território. O povo estadunidense se viu obrigado a recorrer aos milhões aos “bancos de alimentos”, organizados por ONGs que visam remediar a fome no país, papel chave em uma situação já estabelecida de rebelião popular contra a velha ordem de opressão e exploração.

Aqueles que agora lutam para não sucumbir à fome dizem que nunca viram nada assim no Estados Unidos (USA), mesmo durante a crise de superprodução do imperialismo de 2007-2009. O desemprego durante esse ano disparou para 14,7%, uma taxa não vista em quase um século.

A maior organização de doação de alimentos do USA, a Feeding America, nunca distribuiu tanta comida tão rapidamente – foram 4,2 bilhões de refeições de março a outubro. A organização viu um aumento médio de 60% nos usuários de bancos de alimentos durante a pandemia: cerca de 4 em cada 10 estavam procurando os bancos de alimentos pela primeira vez.

Uma análise feita pelo monopólio de imprensa AP reuniu os dados de 181 bancos de alimentos da Feeding America. Nela, constatou-se que a organização distribuiu quase 57% mais alimentos no terceiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período em 2019. No final de março, 20% dos 200 bancos de alimentos da organização corriam o risco de ficar sem alimentos.

A Feeding America estima que os famintos aumentarão para 1 em cada 6 pessoas: de 35 milhões em 2019 para mais de 50 milhões até o final deste ano. As consequências são ainda mais graves para as crianças – 1 em cada 4, de acordo com a organização, influenciado pelo fechamento das escolas durante o lockdown, que antes serviam café da manhã e almoço grátis.

Outro dado que a matéria traz é o U.S. Census Bureau Household Pulse Survey, de novembro, que constata que (oficialmente) 12% dos que perderam seus empregos às vezes não tem o suficiente para comer, 4,3% não têm o suficiente para comer frequentemente e 32% têm o suficiente para comer, mas não o tipo de comida desejada. Entre os empregados, 20% têm o suficiente para comer, mas não o tipo de comida desejada, e 4% às vezes não têm o suficiente para comer.

Para as famílias pretas ou latinas, a situação se agrava

A pandemia e a crise de superprodução afetaram ainda mais as famílias pretas e latinas, que já sofriam com as condições mais precarizadas historicamente no país imperialista. As taxas desproporcionalmente altas de mortes, infecções e desemprego evidenciam isso.

O desemprego aumentou para 18,9% entre os latinos entre março e junho, mais alto que qualquer outro grupo racial e étnico, de acordo com estatísticas federais. 

Mais de 1 em cada 5 adultos negros e latinos com filhos disseram que, a partir de julho de 2020, às vezes ou muitas vezes não tinham o suficiente para comer, de acordo com o relatório. Isso representa o dobro da taxa de famílias brancas ou asiáticas. Também constatou que mulheres, famílias com crianças e pessoas não brancas correm maior risco de passar fome.

‘Ou pago as contas, ou compro comida.’

São apresentados na matéria, também, casos de famílias que, desde o culminar da crise de superprodução com a crise sanitária do novo coronavírus, perderam seus empregos. Agora dependem dos bancos de alimentos, cada vez mais escassos, devido à demanda. 

A família Crawford, por exemplo, recorreu a um dos bancos de alimentos em Apple Valley, Minnesota. Quando necessário, eles recebem mensalmente as caixas de produtos e, se os alimentos se esgotarem, eles podem receber um pacote de emergência para se manter durante o resto do mês.

A esposa de Crawford, Sheyla, insistiu que eles procurassem auxílio, uma vez que suas horas haviam sido cortadas na creche onde ela trabalhava. No início, Crawford estava envergonhado de ir à prateleira de alimentos; ele se preocupava em esbarrar em alguém que conhecia, sentimento comum aos que frequentaram os bancos de alimentos pela primeira vez. 

"Isso não fez de mim um homem mau ou um péssimo marido ou pai", diz ele. "Pelo contrário, eu estava realmente fazendo algo para garantir que minha esposa e meus filhos tivessem algo para comer".

Alguns estados também foram especialmente atingidos: Nevada, na cidade de Las Vegas, estado turístico cujas indústrias de hotelaria, cassino e restaurantes foram profundamente impactados pela pandemia, é esperado para ir do 20º lugar em 2018 para o 5º lugar este ano em “insegurança alimentar”, de acordo com um relatório da Feeding America.

Em quatro estados - Mississippi, Arkansas, Alabama e Louisiana - espera-se que mais de 1 em cada 5 residentes esteja em insegurança alimentar até o final do ano, o que significa que eles não terão dinheiro ou recursos para colocar comida na mesa, afirma o relatório.

Uma das entrevistadas, Donna Duerr de Nova Orleans, também recorreu aos bancos de alimentos esse ano. Seu marido foi demitido do seu trabalho como encanador e ela estava impossibilitada de trabalhar, tendo sido submetida a duas cirurgias – uma na coluna vertebral e outra no braço – nos últimos dois meses. Ela também tem dois filhos adultos que se mudaram para sua casa desde que a pandemia começou.

"É difícil aceitar que você tem que fazer isto", diz Duerr. Todas as manhãs ela monitora as notícias locais para anúncios da próxima doação de alimentos; ela tenta frequentar o máximo que pode, às vezes compartilhando a comida com vizinhos.

Ela, aos 56 anos, têm de escolher: "Ou pago as contas, ou compro comida", desabafa.

Norman Butler é outro que frequenta pela primeira vez os bancos. Na fila para conseguir os alimentos para a ceia do Dia de Ação de Graças, em que ele esperava desde as 3 da manhã, ele disse em entrevista à AFP sobre as outras pessoas que aguardavam como ele: "Você pode ver o olhar de incerteza em seus rostos", diz ele. "Todos estão simplesmente preocupados com se terão sua próxima refeição".

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