PE: Rodoviários em greve por direitos trabalhistas

A manhã de terça-feira, 22 de dezembro, foi marcada por um ato de motoristas de ônibus em Jaboatão, região metropolitana de Recife, Pernambucano. A manifestação foi organizada no dia em que teve início a greve dos rodoviários. Mobilizados há meses pela defesa de seus direitos, os trabalhadores decidiram pela greve após ter suas reivindicações mais uma vez ignoradas e acordos anteriores rompidos pelo governador do Estado de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), pelo Grande Recife Consórcio de Transportes e pelas empresas de transporte "público" da região metropolitana de Recife.

Cartaz feito pelo Sindicato dos Rodoviários do Recife e Região Metropolitana do Recife.

Os profissionais alegam que houve o descumprimento em um acordo na justiça trabalhista (6ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho). A mobilização se dá em torno das seguintes pautas: fim da dupla função exercida por motoristas - que atualmente precisam receber o dinheiro, passar troco e conduzir o veículo -; readmissão de cobradores pelas empresas que oferecem o serviço de transporte público; cumprimento do pagamento do retroativo de julho a dezembro; e estabilidade de emprego de seis meses.

O descontentamento destes motoristas de ônibus, que há meses estão buscando recursos também na justiça, chegou a um grau elevado. O que pode ser visto pelas declarações divulgadas pelos portais de notícias da região. Um dirigente do sindicato afirmou: "Eu não vou contar com ônibus que vão estar na garagem, eu vou simplesmente fazer greve. A gente está fazendo disso aqui um palco de guerra mesmo, não tem problema nenhum. Se eles quiserem tomar o sindicato, a gente para na rua do mesmo jeito. A guerra está declarada.".

Já um outro trabalhador revoltado, em entrevista também para o mesmo portal de notícia, denunciou a empresa e colocou a greve como a forma principal de garantia dos direitos: "Não tem acordo, eles têm que ir para o tribunal. O que a gente vai dialogar? Não tem como sentar e conversar. É desumano, eles tratam o trabalhador dessa forma, explorando. Nos tratam como números mesmo. A gente vai estar aberto a qualquer discussão depois que iniciarmos a greve. Agora não tem como discutir nada, porque não tem nada. Eles descumpriram tudo. O trabalhador já está saturado, está todo mundo revoltado."

polícia militar intimida a massa e estimula trabalhadores a 'furar' greve

PM's foram chamados para intimidar o protesto dos rodoviários. Em vídeo divulgado em redes sociais é possível ver que ao lado dos policiais há uma mulher que afirma que não se pode impedir os trabalhadores que não aderirem à greve de sair com os ônibus. Somente pelas imagens não é possível saber se é alguma representante das empresas ou mesmo da justiça. Mas ela se posiciona ao lado dos policiais, que também argumentam no mesmo sentido.

Os trabalhadores, porém, seguem sem recuar. Um deles afirma:

- Empresários descumprem acordo judicial e quem paga é o trabalhador!

Protesto ocorrido em 25 de junho em que Rodoviários de Recife exigiam a revogação da demissão de trabalhadores.

SINDICATO DENUNCIA GOVERNADOR E PREFEITO DO PSB

Em nota feita após a assembleia da categoria que decidiu pela greve, o Sindicato dos Rodoviários de Recife e Região Metropolitana afirmou que a greve é para cumprir duas tarefas principais: derrotar a quebra do acordo dos patrões e derrotar o estelionato eleitoral do PSB.

O Sindicato explica que o PSB, partido que governa tanto o município de Recife e o estado de Pernambuco, se juntou com os donos das empresas de ônibus. Como exemplo, está justamente o descumprimento do acordo feito no dia 23 de novembro, um mês antes do início da greve.

Denuncia, ainda, que passada a farsa eleitoral, que elegeu João Campos (PSB) para prefeitura de Recife, o governador Paulo Câmara (também do PSB) suspendeu portaria que exigia a volta dos cobradores. Esta é uma das pautas da greve dos rodoviários.

Os rodoviários em greve apontam também que o culpado pela greve é o governador, seu secretário Sileno Guedes e o presidente do Grande Recife Consórcio de Transportes, Erivaldo Coutinho que "juntos com os empresários do transporte massacram os rodoviários e oferecem um serviço de péssima qualidade à população, tudo em nome do lucro".

Eles também relembram que ocorreu uma demissão em massa ocorrida no início da pandemia (março/abril). Na ocasião ocorreu também a promessa do governador Paulo Câmara de barrar as demissões. Promessa que "não se sustentou nem por um dia".

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