SP: Policiais invadem casa e agridem família em Bauru

[Atualizado 06/01/2021; 14h14]

Os policiais invadem a casa e agridem a família. Foto: Reprodução.

Policiais militares (PMs) invadiram uma casa e agrediram diversas pessoas, entre homens e mulheres, em Bauru, no interior de São Paulo, no dia 2 de janeiro. Os policiais não tinham qualquer tipo de mandado e invadiram a casa somente quando o vizinho, que também é Policial Militar, começou uma briga.

Segundo Jocimara Fabiana da Silva, de 37 anos, proprietária do imóvel invadido, a confusão começou quando o seu vizinho conhecido como Venturini partiu para cima de jovens que estavam na festa de aniversário na casa da mulher. Os jovens estavam comemorando a festa de aniversário de 16 anos de sua filha, quando o seu vizinho se indignou pois supostamente dois jovens estariam fumando maconha na rua. Neste momento, o PM partiu para cima dos jovens e os agrediu. De acordo com Jocimara, ela e seu marido também foram agredidos pelo PM que estava de folga.

Cerca de 10 minutos após a confusão e os bate-bocas e xingamentos que aconteceram na rua, Venturini bateu à porta da casa da família cercado de PMs fardados. 

"Foi uma coisa surreal. O vizinho chegou e me deu um soco no rosto, depois veio outro com um cassetete. Meu cunhado, que tinha acabado de chegar e não sabia de nada que tinha acontecido, também foi espancado. Tinha criança na piscina, e eles com arma em punho", contou Jocimara.

Jocimara mostra as marcas das agressões que recebeu dos PMs. Foto: Reprodução.

A mulher denunciou que os policiais ficaram mais de 40 minutos procurando drogas, conduzidos pelo seu vizinho, dentro de sua casa. “Não tinha mandado de busca e apreensão, e na minha casa não tinha droga. Parecia até que eles queriam ‘plantar’ alguma coisa”, expôs ela.

A mulher registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) por abuso de autoridade e agressão contra o vizinho e os PMs que participaram da ação ilegal. A corregedoria da PM abriu uma investigação sobre o caso.

Quatro pessoas foram feridas pelos PMs e foram levadas ao Pronto-Socorro central da cidade. Uma das vítimas precisou levar quatro pontos na testa por conta dos ferimentos.

Arremedo de democracia

A covardia cometida pelos militares em questão expressa a condição de semifeudalidade a que está submetido o povo brasileiro. Em um país verdadeiramente democrático tal ação seria tratada como uma gigantesca abominação (ao menos no que diz respeito ao direito burguês), porém em nosso país, o abuso de autoridade é tratado como algo corriqueiro e até certo ponto "normal"; prova disso, é o trecho do artigo 5º, XI, da Constituição Federal, que diz "a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial". No caso concreto em questão não somente os policiais adentraram a casa da família como também realizaram buscas no local, tudo isso sem qualquer ordem judicial.

Tiramos como conclusão que até os pequenos direitos democráticos, não são respeitados. Tudo isto ocorre pois nosso país nunca rompeu o seu laço umbilical com a semifeudalidade. Nossa sociedade foi desenvolvida sob a égide de oligarcas historicamente servis ao colonialismo e ao imperialismo e esta é a base para a existência de uma velha e carcomida estrutura estatal, que dá a pobre coitados como esses policiais a condição de oprimir, agredir e matar proletários e camponeses na cidade e no campo.


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