Tunísia: Em resposta à crise, povo toma as ruas em protestos multitudinários

Juventude de bairros populares como el-Tadamen e Sijoumi enfrentaram agentes da repressão. Foto: Fethi Belaid.

Na Tunísia, em mais de 15 cidades, o povo tomou as ruas em protesto em cinco dias de protestos consecutivos, em revolta pela miséria que as massas vem lidando em meio à crise do capitalismo burocrático do país. Os protestos combativos, que já contam com mais de 600 presos, começaram no dia 15 de janeiro, no aniversário de 10 anos do fim da ditadura de Zine El Abidine Ben Ali, que governou o país em uma ditadura militar-fascista.

Os protestos começaram após o governo de turno da Tunísia impor toques de recolher no país com duração de quatro dias, usando como alcunha o combate à pandemia, querendo evitar atos em celebração à queda de Ben Ali, e após um policial agredir um pastor de ovelhas, devido a suas ovelhas chegarem próximas ao prédio do governo. A violência policial, junto do aniversário de 10 anos da queda de Ben Ali e o toque de recolher imposto, foi a faísca para incendiar a pradaria dos protestos multitudinários que logo tomariam o país. 

Na cidade de Tunes, no dia 15/01, os protestos começaram em bairros populares como el-Tadamen e Sijoumi, onde principalmente jovens trabalhadores queimavam imagem dos políticos de turno e denunciavam o sistema de exploração e opressão, com palavras de ordem como Trabalho! Liberdade! Patriotismo!

O velho Estado, por sua vez, reprimiu a justa revolta do povo com balas borracha e gás lacrimogêneo, o que elevou a fúria das massas, que responderam queimando pneus, árvores e carros, bloqueando ruas e estradas das cidades, respondendo a violência reacionária da polícia com pedras e coquetéis molotovs.

Ainda no dia 15/01, em outras cidades, como a própria Siliana, onde o pastor foi agredido, o povo saiu em protesto, sendo eventualmente reprimido pelas forças da repressão. Confrontos durante a noite foram registrados em Susa, onde o povo queimou pneus e tentou saquear um banco, e em outras seis cidades.

Antecipando que as massas continuariam com sua revolta, o velho Estado enviou o exército para as cidades de Susa, Bizerta, Kasserine e Seliana.

No segundo dia de protesto consecutivo, no dia 17/01, os protestos prosseguiram, alguns se iniciaram, nas cidades de Tunes, Mádia, Susa, Bizerta, Cairuão, Kebili, Seliana, Nabeul, Manouba e Monastir, onde foram registrados confrontos entre o povo e agentes da repressão.

Já no dia 19/01, no quinto dia de protesto, os protestos tomaram proporções a nível nacional, com protestos durante o dia e a noite, onde a população exige a liberdade dos mais de 600 presos durante os protestos, uma solução para crise que não seja maior exploração do povo, contra corrupção no velho Estado e violência policial, sobre palavras de ordem como Sem medo! Sem terror! As ruas pertencem ao povo!, carregando faixas escrito Trabalho é um direito, não um favor!.

“Todo o sistema deve ir abaixo... Voltaremos às ruas e recuperaremos nossos direitos e nossa dignidade”, afirmou Maher Abid, um manifestante desempregado.

Crise sistêmica do capitalismo burocrático joga milhares à miséria

O capitalismo burocrático da Tunísia, que já estava passando por uma crise antes da pandemia, teve a mesma aprofundada com o coronavírus. O seu PIB, muito dependente em petróleo, na agricultura e outros commodities – característica do seu semifeudalismo e semicolonialismo – caiu cerca de 9% em 2020, com produtos tendo um elevado aumento nos preços.

Além disso, o setor de turismo, um dos setores que mais gerava renda para o país, está entrando em colapso devido a pandemia, com cada vez mais hotéis fechando no país. Como resultado, cerca de 30% da população jovem do país está desempregada, com o nível de pobreza chegando aos 20%.  

Em revolta, a população sai às ruas em protesto exigindo emprego, serviços públicos de qualidade e fim a brutalidade policial. O país vem passando por cada vez mais protestos das massas, com o ano de 2020 registrando mais de 6500 protestos no país.

O primeiro-ministro reacionário Hichem Mechichi, por sua vez, afirma que a violência das massas é “inaceitável”, prometendo "confrontá-la com a força da lei”.

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