Imperialismo ianque volta a bombardear a Síria, agora sob mando de Biden

Foto: Chip Somodevilla. 

No dia 25 de fevereiro um ataque aéreo autorizado pelo novo representante do imperialismo ianque (Estados Unidos, USA), Joe Biden, atingiu o leste da Síria, na fronteira com o Iraque, perto da cidade de Abu Kamal, visando alvos das milícias xiitas que vêm realizado diversas ações contra bases e posições da força de intervenção do USA no país. O ataque, amplamente criticado ao redor do mundo, expôs novamente a convergência entre "democratas" e "republicanos" quanto ao seu papel no sistema de exploração e opressão dos povos de nações dominadas pelo imperialismo.

Segundo o monopólio de imprensa inglês The Guardian, os ataques noturnos do USA teriam atingido três caminhões e, com isso, matado 22 pessoas, membros das Hashd al-Shaabi ("Forças de Mobilização Popular"), um "guarda-chuva" que inclui vários grupos de milícias xiitas, próximas do Irã. Além disso, a "Organização Não Governamental" (ONG) inglesa Observatório Sírio para os Direitos Humanos afirmou que postos de fronteira usados ​​pelos combatentes também teriam sido destruídos.

No entanto, o monopólio de imprensa Forbes noticiou informações divergentes, de que o ataque teria sido realizado contra a base Imam Ali, utilizada pelas mesmas milícias xiitas. De acordo com a reportagem, dois jatos F-15E ianques teriam lançado sete bombas JDAM contra a base, e apenas a morte de um combatente teria sido confirmada.

O secretário de Defesa da atual administração, Lloyd Austin, disse a repórteres na noite do dia 25/02 que a incursão contra a Síria foi uma "retaliação" a um ataque feito contra instalações militares ianques no Iraque no dia 15/02. Já Biden afirmou que o objetivo foi enviar uma mensagem ao Irã: “Não se pode agir impunemente. Tome cuidado", de forma a seguir a mesma linha adotada pelo presidente anterior, o arquirreacionário Donald Trump. 

O Ministério das Relações Exteriores da Síria declarou, em um comunicado, que “A Síria condena nos termos mais veementes o ataque covarde do USA às áreas de Deir al-Zor, perto da fronteira entre a Síria e o Iraque”.

Segundo a própria revista Forbes, as Forças de Mobilização Popular reuniram sob seu nome essas diversas milícias em 2014 como parte de um esforço conjunto para combater o autoproclamado "Estado Islâmico" (EI), que crescia expressivamente nos territórios da Síria e Iraque. As várias tentativas recentes do USA em combater militarmente a influência local do Irã – representante regional dos interesses do imperialismo russo, junto do lacaio Bashar al-Assad –, por meio dos ataques às milícias xiitas, evidenciam alguns dos motivos pelos quais o USA mantém suas tropas e forças aliadas no terreno.

O USA afirma que sua permanência no Iraque se dá a fim de continuar a combater as remanescências do EI, apesar do Iraque ter dado essa campanha como encerrada em 2017. 

Todavia, as últimas ações da coalizão liderada pelo USA no Iraque e em outras nações próximas, como na Jordânia, foram quase inteiramente concentradas contra alvos próximos ao Irã. A base de Imam Ali, apontada como o foco atingido no dia 25/02, já havia sido atacada por aviões de guerra israelenses e ianques no passado recente. 

'REPUBLICANOS' E 'DEMOCRATAS' NA SÍRIA: A MESMA INTERVENÇÃO 

Com o ataque do dia 25/02, Biden se tornou o terceiro presidente do USA, desde o início da intervenção militar direta na Síria, em 2014, a ordenar ataques contra o país sem a aprovação do Congresso – o que é tido nos termos formais do imperialismo ianque como "inconstitucional". Antes desse momento, o USA já fornecia apoio financeiro, logístico e de inteligência, além de treinamento militar a grupos sírios selecionados, contrários ao governo de Assad. 

Em busca de justificar legalmente suas intervenções militares na Síria, a administração de Barack Obama (2009-2017), com Biden na vice-presidência, reivindicou a "Autorização de Uso da Força Militar de 2001" (AUMF), resolução parlamentar que permitiu o início da guerra de rapina contra o Afeganistão em 2001, e se tornou a praxe para o lançamento da chamada "Guerra ao Terror" em larga escala, e a AUMF de 2002, que autorizou a invasão do Iraque pelas Forças Armadas ianques.

De forma similar, o governo de turno de Donald Trump (2017-2021) também se baseou na AUMF de 2001 e na "teoria de autodefesa" do Artigo II para justificar a continuidade dos ataques aéreos do USA à Síria, bem como o argumento jurídico mais recente de que uma permissão do Congresso não é necessária porque os ataques não configurariam o nível de “guerra”.

Em 2017, o ataque a mísseis do USA à base aérea de Shayrat ficou conhecido como a primeira vez que as forças ianques atacaram abertamente as forças do governo sírio, marcando o início de uma série de uma campanha militar direta. No início de 2018, a administração Trump indicou sua intenção de manter uma presença militar aberta na Síria para conter a influência do Irã e tirar Assad, e depois ordenou unilateralmente a retirada de milhares de tropas terrestres, abandonando seus antigos aliados (leia-se lacaios) curdos, atuantes principalmente no Norte do país. Dessa forma, a intervenção ianque passou a atuar de forma menos direta, com foco nos desertos orientais – onde estão localizados os campos de petróleo –, apesar de manter sua imposição de mudanças no governo de turno, de forma a desestabilizar o país internamente, com caos políticos e sanções econômicas, bem como seus ataques aéreos.

Leia mais: Guerra de agressão prossegue mascarada de conflito regional na Síria 

Para ilustrar como o imperialismo ianque é indiferente à distinção entre "republicanos" e "democratas", o jornalista árabe-estadunidense Ayman Mohyeldin listou, em seu perfil na internet, os primeiros ataques aéreos lançados contra o Oriente Médio Ampliado nos mandatos dos últimos presidentes do USA. Enquanto Biden bombardeou a Síria no 37º dia do seu mandato; Trump atacou o Iêmen no nono dia; Obama no terceiro, tendo o Paquistão como alvo, e George W. Bush bombardeou o Iraque 27 dias após o início da sua administração.

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