RJ: PM comete chacina no morro dos Macacos

Valmir Pereira Candido trabalhava na Reduc, o trabalhador foi morto com um tiro na cabeça durante operação da PM no morro dos Macacos. Foto: Arquivo pessoal

Moradores acusam a Polícia Militar (PM) de fazer uma verdadeira chacina no morro dos Macacos, no bairro de Vila Isabel, no dia 6 de março. Durante a operação, os PMs mataram cinco pessoas.

A chacina  cometida pelos agentes de repressão começou durante a tarde, por volta de 16h, na localidade conhecida como B13, na comunidade Terreirinho. Entre os moradores brutalmente assassinados estavam os trabalhadores Valmir Pereira Candido e Iago dos Santos, alvejados por militares que faziam uma incursão na favela.

Um vídeo flagrou os policiais empilhando os corpos na traseira do camburão, numa cena cruel. Na gravação é possível ouvir uma das pessoas que acompanhava a cena dizendo que não tinha mais lugar para colocar os corpos no veículo. Os baleados foram levados para o Hospital do Andaraí, porém já saíram da favela mortos. 

O sentimento de revolta tomou conta de familiares e amigos dos trabalhadores mortos. Na porta do hospital, a mulher de Valmir, Valéria Pereira, disse que o marido trabalhava como montador de andaimes na Petrobras e estava de folga no sábado, o homem teria ido até um bar próximo de casa para tomar uma cerveja com um amigo, quando teria sido baleado e morto. Já Iago dos Santos, trabalhava como eletricista e não tinha antecedentes criminais.

Iago dos Santos foi um dos trabalhadores assassinados na chacina do morro dos Macacos. Foto: Reprodução

Nenhum policial foi morto ou ferido na ação, fato que demonstra a pouca probabilidade de realmente ter ocorrido um confronto.

"Mais uma vez, polícia sobe o morro e tira a vida do morador. Meu irmão estava de folga hoje. Meu irmão trabalha na Reduc. E agora? Nenhum dinheiro vai trazer meu irmão de volta", disse a irmã de Valmir, em entrevista a TV Globo.

"Já basta as pessoas morrerem de coronavírus. Não dá para ficar calma diante disso. Eu quero que vocês paguem. Não quero dinheiro. Eu quero que vocês vão para a cadeia. É isso que eu quero", completou de forma revoltada a irmã.

A esposa de Valmir, criticou o tratamento dado pela PM ao seu marido, chamando em nota, Valmir de “suspeito”.

"Meu marido está numa rua, e os bandidos estão na rua de cima. Eu filmei o bar, todo sujo, com buracos na parede. Não estavam no mesmo lugar. E outra: cinco suspeitos, não. Meu marido era trabalhador", afirmou a mulher.

De acordo com a mulher, Valmir era um dos representantes da torcida organizada do Flamengo chamada de “Fla-Macacos”, e saiu para resolver coisas sobre a nova blusa da torcida: "Ele estava numa região chamada B13, que é justamente onde os moradores costumam se reunir para assistir jogos, confraternizar. É um ponto de encontro da torcida", disse.

A mulher ainda falou da dor de ver o marido ser colocado morto em uma viatura, junto de quatro outras pessoas com seus corpos decepados e ensanguentados: "O meu marido é o primeiro (a ser colocado na viatura). E os outros corpos jogados por cima. Igual bicho. Mas meu marido não era bicho, era trabalhador", afirmou a esposa.

Uma moradora denunciou que são frequentes as chacinas e tiroteios em que moradores acabam virando vítimas no Morro dos Macacos: "Isso se chama chacina. Aqui é um Carandiru por mês. Virou rotina", denuncia a moradora.

Valmir deixa uma esposa e dois filhos de 21 e 15 anos. De acordo com a esposa eles estavam preparando a festa da filha mais nova.

Moradores e amigos organizam um protesto em homenagem ao trabalhador e para cobrar justiça e punição aos PMs que promoveram a chacina. O ato está marcado para o dia 8 de março, na Padaria da Petrocochino, às 18h, em Vila Isabel

PM promove mortes de trabalhadores em favelas do Rio

Nos dois dias anteriores à chacina do morro dos Macacos, PMs já haviam matado pelo menos três pessoas em outras favelas do Rio. Além do assassinato covarde de Luanna, em Vigário Geral. Nessa ocasião, um vídeo divulgado em redes sociais flagrou os militares combinando a versão a ser apresentada para se livrarem da acusação de assassinato.

Leia também: RJ: Moradores protestam após morte de enfermeira durante operação policial; vídeo mostra agentes combinando versão

No dia 5 de março. Paulo Roberto, de 45 anos, foi morto ao ser atingido por um tiro de fuzil durante uma ação da PM, na Vila Kennedy, em Bangu, na zona oeste.

Paulo Roberto estava indo para o supermercado onde trabalhava, quando foi baleado e morto.

No dia 4 de março, em Guadalupe, na zona norte, dois amigos foram assassinados por policiais durante uma operação, no complexo do Chapadão.

Guilherme Martins de Oliveira, 20 anos, foi atingido nas costas e morreu, seu amigo  Gabryel Marques de Oliveira Rodrigues Rosa, de 21 anos também foi baleado e morto. De acordo com a família de ambos os jovens, os dois não tinham envolvimento com o tráfico e tinham acabado de dar baixa no serviço militar.

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