DENÚNCIA GRAVE DE FURA-FILAS: Empresários realizaram vacinação clandestina

No fim da tarde do dia 24 de março, veio à tona a vacinação realizada de forma secreta organizada por mega empresários mineiros do setor de transporte. A denúncia foi feita em primeira mão pela Revista Piauí (em matéria intitulada “Empresários tomam vacinas às escondidas”). Ela traz nomes tanto do meio empresarial como de políticos do legislativo do velho Estado, todos eles envolvidos no esquema.

A vacinação foi realizada, segundo a matéria, na terça-feira, 23/03, e atingiu um grupo de políticos e empresários ligados ao setor de transporte. A aplicação das duas doses seria feita após o pagamento de 600 reais, porém, nem todos “ilustres” fura-filas pagaram.

Clésio de Andrade foi um dos vacinados. Ex-presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) por 26 anos, foi também vice-governador de Minas Gerais e senador pelo MDB. Ele disse que, mesmo sem precisar, tomou a vacina pois teria sido convidado pelos organizadores do evento. Clésio, que é réu em três processos (um deles é o chamado “mensalão mineiro”), ainda afirmou: “fui convidado, foi gratuito para mim”.

Outro político mineiro que foi vacinado, segundo os relatos ouvidos pela revista, foi o deputado estadual Alencar da Silveira (PDT).

O evento clandestino começou com atraso. O motivo é que a enfermeira responsável estaria imunizando um outro grupo na Belgo Mineira, mineradora que hoje pertence à ArcelorMittal Aços.

Aplicação de doses é proibida por lei

O congresso aprovou, de maneira extremamente rápida, uma lei que autoriza a compra de vacinas pela iniciativa privada. O projeto, de autoria do presidente do Senado (o senhor Rodrigo Pacheco, também oriundo do ramo de transportes de Minas Gerais), proíbe a vacinação de outros grupos antes da imunização total dos grupos de risco, cerca de 77 milhões de brasileiros.

A chamada “lei da vacina” foi inicialmente o Projeto de Lei (PL) 534/2021. De autoria do senhor Pacheco, o PL discorria sobre “a aquisição e distribuição de vacinas por pessoas jurídicas de direito privado”. Menos de uma semana depois, em 02/03, ela se encontrava devidamente discutida e aprovada pelo plenário do Senado.

Após oito dias, e três vetos do presidente fascista Jair Bolsonaro, a lei já estava em vigor.

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Bolsonaro vetou trecho que obrigava o repasse de informações de aplicação dessas vacinas

Entre os três vetos de Jair Bolsonaro ao PL de Pacheco, aquele que se destaca é o que estabelecia a obrigação de que o Ministério da Saúde atualizasse, em até 48 horas, os painéis de informação sobre a aquisição e aplicação das vacinas oriundas do setor privado. Embora em sua justificativa o governo federal apontasse que tal determinação só pudesse ser feita a partir de um PL próprio, o resultado prático é aquilo que estamos vendo pela primeira vez sendo denunciado como uma vacinação clandestina feita pelos ricaços. Quem dirá que não existiram outras antes dessa?

Trata-se de mais um crime contra o povo. Em meio à alta de todas as taxas de óbitos decorrentes da Covid-19 no país (esse Brasil que se encontra entre o primeiro na taxa de mortandade entre todos os outros países, muitos dos quais já se encontram avançados no processo de vacinação), justamente no momento que se vê a paralisação da imunização da população grupo de risco em diferentes cidades justamente por falta de doses, esse caso é denunciado. Ele escancara, frente aos olhos de todos, a que sorte o povo pobre está sendo submetido. Essa verdadeira farra das vacinas feitas por esses grandes burgueses será devidamente cobrada!

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O megaempresário e ex-senador investigado por corrupção Clésio de Andrade não teve qualquer vergonha em admitir que tomou a vacina. Foto: Pedro França

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