GO: Camponeses sofrem intoxicação por agrotóxicos, latifúndio segue impune

Camponês avista avião que lança agrotóxico sobre a região. Foto: Reprodução

Cerca de oito horas da manhã do dia 07 de maio, dois ônibus com 60 camponeses chegaram ao Hospital Municipal Antônio Batista da Silva em Goiás (GO). Destes, 47 passavam mal, uns estavam desmaiados, outros vomitavam, e a maioria relatavam dores de cabeça e tontura. Estes trabalhadores haviam sido atingidos por agrotóxicos despejados por um avião enquanto estes trabalhavam em uma plantação de milho, prestando serviço a um desconhecido latifundiário.

O crime contra os trabalhadores ocorreu em um latifúndio localizado no município de Morrinhos, região metropolitana de Goiânia, GO.

O avião lançava à revelia de leis e com total apatia aos trabalhadores ali presentes, quantidades absurdas de agrotóxicos. Esta prática, longe de ser a iniciativa irresponsável de um indivíduo, é na verdade mais um crime que o latifúndio perpetua contra os camponeses.

O uso de agrotóxicos como arma de guerra na luta pela terra

Recentemente, os latifundiários grileiros de terra, Gabriel Introvini e André Introvini foram denunciados por contratar um avião para despejar agrotóxicos contra a comunidade rural do Araçá, município de Buriti, no Maranhão.

Na ocasião, o avião já sobrevoava há três dias o local, por várias vezes durante o dia despejava o veneno sobre os camponeses. Oito pessoas, entre elas crianças, foram intoxicadas. Este foi mais um ataque feito pelo bando na tentativa de expulsar os moradores locais. A luta pela terra no local já dura cerca de quatro anos, desde a chegada dos sojeiros na região. 

Como no caso em Goiás, esta não havia sido a primeira vez, os camponeses relatam que os criminosos grileiros já haviam atacado comunidades próximas e plantações dos camponeses.

Em Pau D’arco, estado do Pará, o latifúndio usa as mesmas táticas. De acordo com denúncia publicada pela Agência Brasil, as famílias camponesas foram atacadas. Também utilizando-se de um avião que sobrevoava a área, agrotóxicos foram despejados sobre mulheres e crianças que relataram coceiras, dores de cabeça e mal estar. 

“Além de intoxicar as pessoas, o agrotóxico pulverizado de avião pelo vizinho também secou os roçados dos pequenos produtores que ocupam a Santa Lúcia, prejudicando o investimento e meses de trabalho. Eles produzem milho, mandioca, quiabo e melancia, entre outras culturas variadas, para venda nas cidades do entorno”, relata a matéria reproduzida também pelo AND.

No estado do Mato Grosso do Sul, os povos indígenas são constantes alvos de ataques químicos pelo latifúndio. Em abril de 2015, a comunidade indígena Tey Jusu, da etnia Guarani Kaiowá, localizada no município de Caarapó, foi atingida por um fungicida despejado por um avião. Crianças e adultos sofreram de dores de cabeça e de garganta, diarreia e febre devido a intoxicação.

Em janeiro do mesmo ano, a comunidade indígena de Guyra Kambi’y, na região de Dourados, havia sido atacada, crianças e adultos apresentaram os mesmos sintomas dos episódios já relatados.

Esta guerra química deliberada pelo latifúndio conta com a cumplicidade do velho Estado. Os camponeses do Pará denunciam que a eles foram negado acompanhamento de saúde. O governo do Maranhão demorou mais de dez dias para enviar equipe de atendimento ao local. 

Ao contrário do descaso com o povo, as multinacionais que produzem os agrotóxicos têm isenção fiscal de cerca de R$ 10 bilhões ao ano. Os limites de uso de determinadas substâncias e suas condições de aplicação também são ignoradas. Em meio ao governo militar de Bolsonaro e generais, em 2020 foram liberados 493 novos agrotóxicos, e também o uso de 967 tipos, mesmo estes sendo proibidos em diversos outros países.

Leia também: O paraíso dos agrotóxicos

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