Bolsonaro, Pazuello e novo episódio da crise militar

Em mais um episódio da crise militar, Pazuello sobe em palanque durante carreata bolsonarista, buscando uma saída negociada. Bolsonaro segue desafiando o ACFA, como parte de sua rotina de criar instabilidades. Foto: Saulo Angelo

O fascista Jair Bolsonaro e seu capacho de ocasião, Eduardo Pazuello (general de divisa do Exército reacionário), colocaram em situação delicada o Alto Comando das Forças Armadas (ACFA). O ex-ministro, que foi responsável pelo genocídio premeditado do povo brasileiro no período em que esteve à frente da pasta da Saúde, participou presencialmente, como militar da ativa, de uma carreata organizada pela extrema-direita bolsonarista. Neste ato, foram agitadas palavras de ordem a favor de um golpe de Estado e intervenção militar completa.

Com isso, à direita hegemônica no ACFA foi imposta uma pequena escaramuça, e diante dela deve escolher o caminho a seguir: ou punir Pazuello e confrontar-se abertamente com Bolsonaro e sua base fascista civil e militar agitada com o desenrolar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI); ou não puni-lo, desgastando-se na opinião pública e sendo identificados como coniventes com as agitações intervencionistas, sendo prevaricadora perante um general flagrantemente infrator das normas. Essa segunda opção abre ainda outro dilema: como o ACFA poderá punir os oficiais da baixa oficialidade, bolsonaristas e encorajados pela impunidade, que passarem a promover abertamente a "politização das Forças Armadas"?

Na CPI, Pazuello foi entregue à própria sorte pela atitude dos generais de desvincular a imagem do exército com a do governo. Vendo o risco de ser desmoralizado, ele juntou-se a Bolsonaro e, com isso, instigou a crise política. Ciente de que tal atitude agravaria os ânimos, buscou forçar uma saída negociada: sua passagem à reserva e alguma blindagem. 

Bolsonaro se aproveitou disso para desafiar o ACFA: baixou ordem desautorizando o ministro da Defesa, general da reserva Braga Netto, de dar qualquer notícia à imprensa sobre punição ou trâmite do processo sobre Pazuello.

Bolsonaro, assim, abre nova crise militar, composta por pequenas instabilidades de rotina sem as quais ele não poderá nunca “virar a mesa” e arrastar o ACFA para sua posição da intervenção militar completa. Trata-se do sintoma da divisão dentro da coluna vertebral do velho Estado. Como a direita militar sempre fez a tendência é: conciliar para manter a unidade da tropa na contrarrevolução, baixando a cabeça para o capitão e engolindo a seco mais uma bolsonarada.

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