China: Dirigente de sindicato independente é condenado à prisão por cinco anos

O dirigente da Aliança dos Motoristas de Entrega, Chen Guojiang, conhecido como "Mengzhu", está detido desde 25 de fevereiro por seu papel na organização de trabalhadores de entregas para pressionar por melhores condições.

Em 25 de fevereiro deste ano, o conhecido ativista de entregadores de comida, Chen Guojian (também conhecido como “Mengzhu”), foi detido pela polícia de Pequim em uma batida no apartamento onde morava com outros entregadores e condenado a cinco anos de prisão. Quatro deles também foram detidos.

Enquanto dois dos trabalhadores foram libertados após interrogatório na delegacia, Mengzhu e dois de seus amigos próximos ainda estão detidos, ele foi acusado pelo Estado fascista chinês de "arranjar brigas e provocar problemas". Tal incriminação é muito utilizada contra ativistas independentes e combativos na China social-imperialista.

Várias organizações da mídia chinesa relataram a detenção de Chen, mas as reportagens foram bloqueadas ou apagadas pelos censores estatais até o início de março.

Ativistas na internet tentaram várias maneiras de tornar pública uma carta aberta do pai de Chen. Diferentes tentativas foram feitas buscando auxílio financeiro para o pagamento da assistência legal de advogados, tendo sido doados mais de 120.000 yuan (cerca de 94 mil reais) dentro de 10 horas.

Em 16 de março, a página de Chen no WeChat (rede social chinesa), onde a carta aberta havia sido postada por sua irmã, foi permanentemente banida pelo Departamento de Informática e Supervisão da Internet.

As forças de repressão chinesas chegaram a questionar vários usuários de mídias sociais que haviam encaminhado mensagens em grupos do WeChat. Alguns advogados e estudantes envolvidos no contato com a família de Chen foram investigados.As amplas ações policiais indicam que as “autoridades” chinesas atribuem grande importância ao caso de Chen.

Uma das principais preocupações do governo chinês é impedir o desenvolvimento de qualquer movimento de trabalhadores independentes da tutela do Estado fascista social-imperialista. Na maioria dos casos, quando surgem protestos dos trabalhadores, algumas concessões são dadas temporariamente enquanto os líderes são presos e o movimento é disperso.

Trabalhadores se organizam apesar da repressão

O pseudônimo de Chen "Menghzu" (盟主) é a abreviação de "Líder da Aliança dos Motoristas de Entrega" (外送江湖骑士联盟盟主). Ele fundou a Aliança com um amigo em Pequim em 2019. Chen publicava pequenos vídeos sobre as experiências de trabalho diário dos entregadores, pedindo-lhes que aprofundassem a solidariedade e lutassem contra condições injustas.

Chen criou 16 grupos de conversa no aplicativo WeChat, alcançando cerca de 15.000 trabalhadores entregadores durante os últimos dois anos. Um canal público da Aliança dos Motoristas de Entrega (AME) que ele operava no aplicativo fornecia consultas legais gratuitas e vários tipos de assistência aos trabalhadores de entregas. Isto incluía a mediação de processos legais com restaurantes, reboques e reparos de motocicletas, negociações com companhias de seguro, e até mesmo o fornecimento de acomodações gratuitas ou baratas para motoristas recém-chegados em Pequim.

A AME se tornou uma verdadeira organização sindical para os trabalhadores de entregas de alimentos em Pequim e tinha conexões com trabalhadores de entregas auto-organizados em outras cidades.

Além da plataforma online, Chen se conectou com os trabalhadores de entregas offline. Ele aparecia nos seus locais de trabalho para oferecer ajuda quando os entregadores encontravam problemas no local de trabalho. Em alguns casos, ele ia pessoalmente ao local de um acidente para ajudar um motorista ferido. Eram organizados jantares coletivos mensais com os entregadores. No final de 2020, o 20º jantar solidário contou com 200 trabalhadores.

Exposição de corrupção nas grandes empresas

Pouco antes de ser detido, Chen lançou uma campanha online para denunciar o programa de bônus do Festival da Primavera da Ele.me. Em seu último vídeo, publicado no dia 19 de fevereiro, ele gravou vários trabalhadores da Ele.me em greve para protestar contra as regras de bônus para os trabalhadores estabelecidas pela empresa. Os trabalhadores expuseram os planos da empresa de reter o bônus prometido.

Este vídeo foi visto 9,6 milhões de vezes online e o tópico (semelhante a uma hashtag no Twitter) foi visto mais de 200 milhões de vezes no Weibo, uma das maiores plataformas de mídia social da China. Isto provocou grandes críticas públicas contra a Ele.me, que é de propriedade da Alibaba, a maior empresa de comércio eletrônico da China. A Ele.me teve de responder às críticas públicas, pedir desculpas abertamente aos trabalhadores de entregas e prometer compensá-los.

Fugindo da tentativa de corporativização, a entidade classista contou com apoio por todo país, dentro e fora da internet, mesmo apesar das “promessas” de mais campanhas de recompensa para os entregadores. A AME criticou todas essas tentativas da empresa, caracterizando-as como "compensação com mais exploração".

Um dia antes de ser levado pela polícia, Chen advertiu que, se não ouvissem mais dele, seria porque ele teria sido detido.Chen já havia sido detido em 2019, quando ele chamou os entregadores da Ele.me e da Meituan, outra grande empresa, a se rebelar e protestar contra os cortes nos salários.

Em uma entrevista recente, Chen disse que as empresas notaram suas atividades no WeChat e chamaram a polícia para detê-lo, para impedir que ele ganhasse uma influência ainda mais ampla.

Em 2019, Chen foi detido por 26 dias. Poucas pessoas o conheciam na época e ele passou todos os 26 dias sem solidariedade organizada ou apoio público. Mas, dessa vez, sua detenção provocou grande revolta entre os trabalhadores de entregas e o povo.

Ações de solidariedade a Mengzhu são realizados na europa

Ações de solidariedade a Mengzhu foram realizados na Europa: Reino Unido e Alemanha.

Trabalhadores de entrega realizam manifestação em solidariedade à Mengzhu no Reino Unido.

Manifestação em solidariedade à Mengzhu na Alemanha

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