Busca por Lázaro impulsiona polícias a cometerem crimes por todo o país

Policiais estão cometendo crimes como: assassinato, tortura e intolerância religiosa durante buscas pro Lázaro Barbosa. Foto: Pablo Jacob

O sensacionalismo barato feito pelo monopólio de imprensa juntamente com a sanha assassina do velho Estado criou as condições para que uma série de ações contra as massas fossem praticadas. A “motivação” para a realização dos crimes por agentes de repressão se dá em torno do caso de Lázaro Barbosa, homem em surto psicótico que está sendo procurado após cometer crimes no Distrito Federal e em Goiás.

Além da morte do jovem Hamilton, outras graves denúncias envolvendo o caso foram feitas contra agentes do velho Estado.

Esposa é torturada por policiais

A esposa de Lázaro em uma entrevista ao canal do monopólio de imprensa Record afirmou que foi torturada por policiais para que revelasse o paradeiro do marido.

“O policial deu três, quatro tapas no meu rosto. Ele quebrou o rodo da minha tia e ia me bater com o cabo. Eu pensei comigo: 'Senhor [referindo-se a deus], eu não acho justo eu apanhar com esse cabo de vassoura. O senhor sabe que eu não sei onde ele está’”.

A mulher diz que já afirmou às autoridades que não sabe onde o marido está, porém mesmo assim um policial ameaçou afogá-la se ela não desse a localização de Lázaro. "Isso é um abuso, eles não podem bater na gente assim", afirmou a mulher.

A mulher conta também que está sofrendo ameaças da população: "Muitos estão falando que eu era cúmplice, que eu sabia de tudo, que eu tinha que morrer. Hoje mesmo uma mulher me falou para eu não ficar andando na rua, porque tem muita gente comentando: por que não mata a mulher dele? Corta o pescoço dela para ver se atinge ele, se ele se entrega”, contou.

Em MS, homem é espancado

Homem foi espancado após ser confundido com Lázaro. Foto: Reprodução

Outro caso com relação ao caso Lázaro ocorreu, no dia 22 de junho, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde um homem foi espancado após ser confundido com Lázaro. O caso ocorreu há mais de 900 km do município onde estão ocorrendo as buscas.

O rapaz de nome Brendo foi sequestrado por quatro pessoas encapuzadas quando passava pelo bairro Tiradentes. Ele foi colocado dentro de um carro e levado para uma área rural próximo ao autódromo de Campo Grande, às margens da BR-262, local em que foi espancado com pedaços de pau. 

Após a sessão de espancamento, Brendo ficou cerca de três horas pedindo socorro aos carros que trafegavam pela rodovia, porém nenhum motorista parou. Em filmagens feitas por motoristas e divulgadas nas redes sociais, Brendo aparece pedindo ajuda enquanto estava muito machucado.

O corpo de Bombeiros foi acionado para socorrer o homem. 

Mesmo machucado após o espancamento, o rapaz teve ainda que apresentar documentos e dizer aos policiais onde esteve nas últimas semanas para provar que ele não é Lázaro.

Policiais invadem terreiros

Outra denúncia envolvendo o caso se trata da intolerância religiosa. Segundo lideranças locais de religiões de matriz africana, policiais estão invadindo vários terreiros em cidades de Goiás e estão ameaçando pessoas, apontando armas, violando locais sagrados e interrogando pessoas.

Tata Ngunzetala, líder de mais de 30 casas de Candomblé, em Águas Lindas de Goiás e região, contou que policiais estão invadindo as casas e apontando rifles em direção às pessoas "Estamos sofrendo, neste momento estou falando pela dor de muitas casas, sofrendo invasões constantes de polícias de vários comandos, não dá nem para saber qual, violando nossos sagrados, colocando rifles na nossa cabeça sob acusação de que estamos acoitando o Lázaro".

De acordo com as denúncias, policiais estão vasculhando também telefones e computadores, tudo isto sem qualquer mandado judicial. 

"Tive que abrir todas as portas dos espaços sagrados, inclusive aquelas restritas às pessoas iniciadas sob mira de fuzil. Tive meu celular e computadores vasculhados sem mandado judicial, sem nenhuma acusação formal, nada que me vincule e vincule nossas casas de tradição ao que eles estão buscando", contou.

O homem afirmou que as invasões estão ocorrendo diariamente e mais de uma vez ao dia. 

"Perguntam constantemente qual última vez que vimos Lázaro e nós respondendo o tempo todo que não temos nenhuma vinculação, nem nossas casas, nem nossas tradições com crimes e qualquer situação civil que a polícia e a Justiça têm que dar conta, e não colocar nossas casas e lideranças sob suspeitas", afirmou Tata Ngunzetala.

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