Frente ao expansionismo de Israel, palestinos resistem a despejos e demolições forçados

Um manifestante palestino joga para trás uma bomba de gás lacrimogêneo disparada por forças israelenses durante um protesto contra os assentamentos israelenses em Beita, na Cisjordânia ocupada por Israel. Foto: Raneen Sawafta / Reuters

As expulsões forçadas impulsionadas por Israel contra palestinos de suas próprias casas cresceram 65% no primeiro semestre de 2021, em comparação com o mesmo período em 2020. Foi o que relatou em relatórios a Coordenação de Assuntos Humanitários nos Territórios Palestinos (OCHAPT, na sigla em inglês). Segundo o relatório, 305 palestinos foram expulsos pelos despejos, dos quais 172 são crianças, e pelo menos 435 tiveram suas vidas ou seus acessos a serviços afetados.

No decorrer do último mês, na cidade de Beita, em Nablus, palestinos têm enfrentado os militares e colonos israelenses contra a construção do assentamento israelense ilegal Evyatar em terras de 17 famílias palestinas, afetando mais de 100 pessoas cujas famílias vivem lá há gerações. As terras roubadas, que totalizam pelo menos dois hectares, antes eram usadas para o plantio de oliveiras. 

Israel havia determinado que as 50 casas construídas pelos colonos no Monte Sabih (colonato de Evyatar) fossem demolidas, por serem construídas em terras palestinas privadas, porém os colonos não apenas se recusam a fazê-lo, como também planejam construir outras 70 casas, uma sinagoga, uma creche e uma escola. Eles rotineiramente também entram em Beita e destroem plantações, vandalizam propriedades de palestinos e provocam os moradores.

Os moradores de Beita resistem como podem, erguendo barricadas de pneus em chamas, fazendo procissões com tochas à noite e utilizando lasers contra os drones dos militares sionistas, que assassinaram quatro residentes palestinos recentemente. Entre eles, estão Muhammad Hamayel, de 16 anos, e Ahmad Bani Shams, de 15. Mais de 50 pessoas ficaram feridas por tiros de arma de fogo.

Durante os confrontos, várias ambulâncias foram alvejadas por balas de borracha, dois paramédicos sofreram ferimentos por inalação de gás lacrimogêneo e balas de borracha, respectivamente. Em busca de evitar que palestinos chegassem aos protestos, soldados israelenses começaram a fechar a estrada principal entre Ramallah e Nablus, porém nem assim conseguiram impedir a sua realização triunfante todas as semanas.

Manifestantes palestinos carregam tochas durante um protesto noturno contra o posto avançado de assentamento de Evyatar, Cisjordânia, 11/06/2021. Foto: Oren Ziv

DEZENAS DE FAMÍLIAS LUTAM CONTRA EXPULSÃO EM JERUSALÉM

Outro foco do avanço colonial sionista tem sido o bairro de Silwan, em Jerusalém Oriental, em especial a área denominada de al-Bustan. Lá, 13 famílias – 130 pessoas – enfrentam ameaças de despejo e de terem suas casas demolidas por Israel. No dia 27/06, os moradores do local receberam um prazo final para deixarem suas residências, ou, senão, enfrentarem multas de milhares de dólares.

Dois dias depois, em 29/06, as demolições tiveram início. Soldados israelenses chegaram com escavadeiras e demoliram um açougue de propriedade de palestinos, o que motivou a revolta dos moradores. Pelo menos quatro palestinos ficaram feridos durante a revolta contra os militares, que usaram gás lacrimogêneo e balas de aço revestidas de borracha para tentar dispersar moradores e ativistas, enquanto os alto-falantes das mesquitas próximas convocavam os residentes para se unirem e protegerem suas casas. Outras 20 unidades estão sob ameaça de demolição na mesma localidade. 

Em 07/06, o município de Jerusalém havia emitido uma série de ordens de demolição para residentes de al-Bustan em Silwan. As famílias afetadas tiveram um prazo de apenas 21 dias para evacuar e demolir suas próprias casas. Se não o fizessem, teriam de arcar com os custos da demolição hiperinflacionada feita por forças israelenses: cerca de 6 mil dólares.

Desde 2005, os moradores de al-Bustan, onde vivem mais de 33 mil palestinos, receberam avisos para demolir cerca de 90 casas sob o pretexto de terem construído sem licença. A tática visa favorecer uma organização de colonos israelenses que busca transformar o terreno em um parque nacional e ligá-lo à cidade arqueológica de Área de David.

Já em Sheikh Jarrah, no dia 21/06, mais de 20 palestinos ficaram feridos durante mais um ataque das forças ao bairro em Jerusalém Oriental, onde as famílias que enfrentam bravamente expulsões forçadas. Nesse dia, as forças sionistas invadiram as casas das famílias al-Kurd e al-Qasem, que estão ameaçadas de expulsão e se tornaram um exemplo de resistência que ecoou por todo o mundo, por diariamente confrontarem os colonos que roubaram suas casas.

O Crescente Vermelho Palestino afirmou que colonos que vivem em Sheikh Jarrah atiraram pedras contra ambulâncias que tentavam socorrer palestinos feridos, incluindo duas pessoas que foram espancadas, e um senhor de idade que sofreu um ferimento na cabeça. Enquanto isso, a polícia israelense usava skunk water (“água de gambá”, um tipo de jato d’água extremamente fétido) contra os manifestantes.

Desde 1967, Israel demoliu 28 mil residências palestinas na Cisjordânia e em Jerusalém oriental, segundo o Comitê Israelense Contra as Demolições Residenciais. A ONG Save the Children (“Salvem as Crianças”) afirma que pelo menos 6 mil crianças foram deslocadas por conta das demolições nos últimos 12 anos. Além disso, quatro de cinco crianças palestinas afetadas por elas afirmam que “se sentiram abandonadas” pelo mundo.

90% de todas as casas selecionadas para demolição estavam concentradas na chamada Área C da Cisjordânia, território totalmente sob domínio das forças israelenses, e seus moradores não foram avisados com antecedência. 60% da Cisjordânia atualmente é categorizada como Área C, onde Israel possui total controle sobre planejamento e construções.

A motivação por trás desses despejos é abrir caminho para o avanço da colonização de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia por colonos israelenses, muitas vezes vindos do Estados Unidos (USA) e da Europa.

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