Força Nacional de Bolsonaro, PM e pistoleiros atiram contra camponeses

Reproduzimos na íntegra matéria publicada no Jornal Resistência Camponesa sobre recentes ataques da Força Nacional de Bolsonaro, PM e pistoleiros contra camponeses na região do Acampamento Tiago dos Santos em Rondônia.

Fotos dos guaxebas enviadas ao Jornal Resistência Camponesa por camponeses que ocupam o latifúndio Santa Carmem. Foto: Jornal Resistência Camponesa

Na região sul de Rondônia, nas proximidades da área Manoel Ribeiro, a polícia segue atuando, agora junto com os novos pistoleiros da fazenda Nossa Senhora Aparecida patrulhando as estradas e aterrorizando os moradores da região.

Em outras regiões do estado já realizaram despejos favorecendo os latifundiários ladrões de terra da União.

E na região norte estão se concentrando em reprimir camponeses que tomaram grandes latifúndios da região, como é o caso do Sebastião Martins, o conhecido Galo Velho, notório criminoso condenado e preso por falsificação de documentos de propriedade de terras e compra de sentença que dava por produtiva uma fazenda que tinha apenas mata e mato.

Esse e outros latifúndios foram tomados pelos camponeses e foram cortados em pequenos lotes onde hoje trabalham milhares de famílias. São as áreas conhecidas como Dois amigos, Tiago dos Santos e Ademar Ferreira, nomes dados pelos camponeses em homenagem a dois camponeses assassinados covardemente pela polícia há 3 anos, em julho de 2018 nessas mesmas terras. Essas áreas se localizam na região noroeste de Rondônia, a grosso modo ao sul da BR 364 e a leste da BR 425, que faz divisa com a Bolívia.

Essas famílias já sofreram pesados ataques da polícia e foram despejadas do Acampamento no final do ano passado. Operação covarde contra as centenas de famílias que resistiram após terem sido jogadas num dos vilarejos da região, seguiram resistindo e retornaram para a área diretamente para seus lotes que já estavam cortados e trabalham nas terras desde então.

Jadson Ferreira Abadias, pistoleiro sob a cobertura de empresa de segurança (“Impactual vigilância e segurança” sediada em Porto Velho), aparece nas fotos portando rifle com mira telescópica para assassinar trabalhadores. Foto: Jornal Resistência Camponesa

Contra esses camponeses é que as tropas de Bolsonaro e da PM do governador de Rondônia, a marionete de latifundiários, coronel PM Marcos Rocha, buscam concentrar forças para atacar. E agora terão reforços inclusive das forças armadas reacionárias, pois Bolsonaro já decretou uma nova “GLO” que tem como justificativa legal o combate a incêndios, mas os camponeses sabem bem que o real motivo da mobilização dessas forças é outro, assim como aconteceu em anos anteriores, onde os militares desembarcaram de helicópteros em áreas camponesas, invadiram casas, realizaram interrogatórios, torturaram e intimidaram as pessoas, buscando informações sobre lideranças e a LCP. O combate a incêndios é só a cobertura para efetivar maior militarização da região amazônica. O alvo principal deles não são os grandes madeireiros e grandes latifundiários, esses sim os maiores devastadores de florestas, mas miram reprimir os camponeses e pequenos proprietários.

Os últimos episódios dentro de verdadeira operação de guerra em curso contra os camponeses foram incursões da força nacional, pm e pistoleiros contra as famílias camponesas das áreas Tiago dos Santos e Ademar Ferreira.

Nos últimos dias, realizaram várias ações de fustigamento contra as famílias. Em um desses episódios, foram em direção às áreas com 3 viaturas da força nacional, 1 da pm, junto de outras 3 de pistoleiros, mas tiveram que parar ao se depararem com uma barreira de galhos de árvores na estrada, colocadas pelos camponeses para impedir as incursões e ataques das tropas de covardes e assassinos. Camponeses passaram a fazer registros fotográficos da presença das tropas. Ao perceber a presença dos camponeses, os militares efetuaram disparos de fuzis e escopetas calibre 12 em direção aos trabalhadores. Nessa ocasião realizaram ao menos 15 disparos e os camponeses se retiraram do local.

E estão atuando descaradamente com apoio de forças paramilitares, na verdade pistoleiros a soldo do latifúndio, com a cobertura de empresa de “segurança privada”. E muito provavelmente, tais pistoleiros são policiais. Tal situação ficou comprovada em imagens que recebemos, obtidas pelos camponeses. Nelas fica clara a intenção dos guaxebas em assassinar trabalhadores, inclusive a longa distância, já que portam rifles com miras telescópicas.

Tal bando de pistoleiros, colocou câmeras fotográficas na beira de estradas com o intuito de registrar os camponeses, mas no fim das contas acabaram se autoregistrando. Tais imagens são as que seguem abaixo. Segundo informações dos camponeses há pelo menos 15 desses pistoleiros rondando as áreas, todos muito bem armados e apetrechados inclusive com coletes balísticos.

Imagens de veículos da Força Nacional, PM e pistoleiros atuando juntos. Nas fotos local onde abriram fogo contra os camponesas. Foto: Jornal Resistência Camponesa

A situação é muito grave, ainda mais porque o próprio fascista e genocida Bolsonaro, dá carta branca para os latifundiários e tropas de assassinos cometerem seus crimes contra os camponeses impunemente, como denunciado em nota da LCP, “Bolsonaro arma latifundiários e diz que polícia pode matar camponeses que ficará impune”:

(…) Bolsonaro complementou defendo lei aprovada em seu governo em que os latifundiários podem andar armados a vontade, e como “solução definitiva” o genocida disse o seguinte: “nós temos um projeto dentro do congresso que acho que resolve em definitivo, chama excludente de ilicitude. Ou seja, o nosso policial, ele porventura venha trocar tiro com esse tipo de gente, ele vai para casa e não vai receber a visita do oficial de justiça, o que ele fez lá passa a ser uma parte da operação e ele não vai responder por esses atos”.

Ainda reforçou dando exemplos de policiais no Rio de Janeiro, que não têm problema em matar, mas temem os processos como decorrência da ação assassina. Recentemente a polícia do Rio de Janeiro assassinou friamente 28 jovens numa única ação na favela do Jacarezinho, através de execuções sumárias, depois de muitos terem sido rendidos e desarmados. E tal operação criminosa recebeu elogios e aplausos do fascista Bolsonaro e seu vice, o general Mourão.

Ou seja, o que Bolsonaro aponta como “solução” para o problema agrário no Brasil, é que os latifundiários se armem ainda mais para assassinar camponeses e indígenas, e como solução definitiva é dar carta branca para agentes do velho Estado assassinarem impunemente, ainda mais do que já fazem, e não serem nem incomodados com investigação e processos, que quando chegam a ocorrer na maioria das vezes não dão em nada.

Ou seja, Bolsonaro quer como “solução” o aprofundamento da política de terror e massacre cometidos há séculos pelo latifúndio e seu velho Estado, agora de forma ainda mais escancarada e impune. Isso sim é terrorismo! É terrorismo de Estado, e não só é o que o fascista Bolsonaro prega, como é o que busca aplicar com seu governo, ainda mais com o golpe contrarrevolucionário preventivo atualmente em curso, do qual disputa a direção com o Alto Comando das Forças Armadas (ACFA).

Urge ampliar a denúncia de tais crimes do latifúndio e do velho Estado e ampliar o apoio à luta combativa dos camponeses de Rondônia.




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