RO: Forças policiais de Bolsonaro e de Marcos Rocha assassinam covardemente camponeses

Amarildo Aparecido Rodrigues (49), Amaral José Stoco Rodrigues (17) e Kevin Fernando Holanda de Souza (21): Camponeses assassinados enquanto lutavam pela terras. Foto: Resistência Camponesa

Na sexta-feira, 13 de agosto, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Força Nacional assassinaram covardemente três camponeses na área Ademar Ferreira, em Nova Mutum Paraná, região de Porto Velho, em Rondônia (RO). Durante a invasão dos policiais, outros quatro trabalhadores foram presos e ainda há muitos desaparecidos ou refugiados na mata.

O camponês Amarildo Aparecido Rodrigues, de 49 anos, e seu filho Amaral José Stoco Rodrigues, de 17, foram assassinados no lote em que moravam enquanto estavam trabalhando na roça. As marcas de sangue ficaram ao lado da garrafa d'água que usavam os camponeses durante a jornada de trabalho.

Kevin Fernando Holanda de Souza, de 21 anos, foi assassinado pelas costas com tiros vindos de um helicóptero da polícia que o perseguia. Os projéteis de fuzil disparados atravessaram o corpo e a moto do camponês.

Além de Amaral, que trabalhava na roça e estava concluindo o ensino médio, Amarildo tinha outro filho pequeno e era casado. Kevin, também trabalhava em seu lote onde vivia com sua esposa grávida.

Moto do camponês Kevin, assassinado pelas forças policiais com marcas de sangue e de tiros. Foto: Resistência Camponesa

O covarde ataque contra os camponeses

No dia 13/08, um helicóptero da polícia atirou em direção às famílias. Casas foram atingidas. Após os assassinatos, os corpos foram rapidamente retirados e jogados em porta-malas, dificultando assim o recolhimento de evidências.

Não satisfeitos, os policiais prenderam ainda cinco camponeses residentes na área, sendo eles um idoso e dois casais. Uma das famílias, foi detida com dois filhos, uma criança de 1 ano e meio e uma outra criança de 8 anos de idade, com deficiência física e mental. 

Um carro que passava pela estrada durante ação criminosa dos policiais foi alvejado pelas balas, e um morador da área sofreu ferimentos de estilhaços e tiros de raspão. Um incêndio também foi promovido sobre o capim em um dos locais.

Marcas dos tiros de fuzil disparados na criminosa ação contra camponeses da área Ademar Ferreira. Foto: Resistência Camponesa

Marcas dos tiros de fuzil disparados na criminosa ação contra camponeses da área Ademar Ferreira. Foto: Resistência Camponesa

A Secretária de Segurança de RO, comandada pelo coronel da Polícia Militar  José Hélio Cysneiros Pachá, conhecido também como carniceiro de Santa Elina, negou que houve operação da polícia no local e só revelaram os assassinatos quando vídeos com poças de sangue derramado dos camponeses circulavam em redes sociais.

Sobre a invasão policial à área camponesa, a primeira versão contada pelas forças de repressão dizia que a Força Nacional foi até o local para atender a uma denúncia de invasão de terra. Porém, ocorre que a área está ocupada desde janeiro. A segunda versão contada para justificar os crimes, foi a execução de uma suposta reintegração de terra, cuja ordem judicial inexiste. 

Os policiais alegaram também que foram recebidos com tiros. Desmentindo a versão contada por eles junto aos portais de imprensa porta-vozes do latifúndio, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) afirma: “Se tivesse ocorrido troca de tiros, onde estão as provas de tal episódio? Nenhum policial ou viatura teve um arranhão sequer. O que ocorreu foi um ataque sorrateiro e criminoso de pistoleiros, PM e Força Nacional contra camponeses que estavam trabalhando”. 

Marcas de picadas de formiga nas costa de camponês que se abrigou no mato para escapar dos assassinos e munições de fuzil deflagradas pela polícia na criminosa ação. Foto: Resistência Camponesa

O movimento, que lançou nota sobre o crime do velho Estado no portal Resistência Camponesa (disponível no link), denunciou também: “O crime que esses camponeses cometeram foi se organizarem para lutar por um pedaço de terra para viver com dignidade. ‘Crime’ imperdoável para o latifúndio, ladrões de terras da União e o velho Estado que o serve”.

A preparação para o crime

A LCP denúncia que a Força Nacional foi enviada em 16/06 pelo fascista Bolsonaro e seus generais para auxiliar a PM assassina do coronel PM Marcos Rocha, governador de Rondônia, marionete de latifundiários e pau mandado de Bolsonaro para combater a luta pela terra, especialmente a LCP”.

Ainda em julho, as tropas policiais junto a pistoleiros, efetuaram ao menos 15 disparos de fuzis e escopetas calibre 12, em direção aos camponeses da área Ademar Ferreira.

Em 05/08, os ataques mais incisivos começaram: policiais filmaram com drones, incendiaram barracos e fizeram vários sobrevoos de helicóptero, inclusive dando rasantes na vila Alípio de Freitas, localizada na área vizinha Tiago dos Santos. Os policiais se embrenharam nas matas dias antes do ataque. 

A conquista da terra e a resistência

A área Ademar Ferreira é vizinha às áreas Tiago dos Santos e Dois Amigos, onde com o apoio da LCP milhares de camponeses conquistaram suas terras, enfrentando e resistindo bravamente à repressão violenta.

As terras foram retomadas em janeiro de 2021, no local estava localizado na antiga Fazenda Santa Carmem. Quem reivindica a posse da área camponesa é o empresário [latifundiário] Ricardo Leite, o Rico, dono do Centro Universitário UniNorte, uma das maiores instituições de ensino privado da região.

Camponeses denunciam que o crime não aconteceu ao acaso, e que se trata de uma retaliação, pois foi na área Tiago dos Santos onde morreram dois policiais militares em outubro do ano passado. Mesmo sem provas acusatórias contra os camponeses da área, seguem as acusações contra os camponeses.

Camponeses organizados denunciam os verdadeiros terroristas e criminosos

A LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental afirmou que as forças de repressão são os verdadeiros bandidos e terroristas, particularmente Pachá com seu histórico de crimes contra os camponeses desde ao menos 26 anos atrás. 

O movimento declara ainda: “Repetimos uma vez mais, ninguém, nenhum terrorismo de Estado conseguirá parar a luta pela terra! O sangue não afoga a revolução, ao contrário, rega-a! Quem semeia vento, colhe tempestade. O que fazem é aumentar nosso ódio e disposição para lutar. Estamos fazendo as contas, e vamos cobrar. Vocês pagarão caro!”.

Seguem dizendo: “Estes camponeses assassinados, presos e atacados são trabalhadores honrados. Não tarda o dia em que o campesinato se levantará aos milhões e varrerá com o latifúndio e cobrará os séculos de exploração e violência contra nós cometidos. Quem viver, verá!”.

Na nota, a Liga conclama as famílias das áreas Ademar Ferreira, Tiago dos Santos e Dois Amigos a se unirem ainda mais em defesa de suas legítimas terras, a se manterem firmes e elevar sua organização “para rechaçar com o máximo de força os ataques das hordas assassinas deste velho e carcomido, corrupto e genocida Estado de grandes latifundiários e grandes burgueses, serviçais do imperialismo, principalmente norte-americano”.

Conclamam também os democratas a condenarem o governo militar genocida e, por fim, exigem punição aos assassinos e concluem sob a palavra de ordem: Viva a Revolução Agrária, morte ao latifúndio!

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