Turquia: Apoio ao partido do ultrarreacionário Erdogan se afunda ao pior nível

Armênios libaneses rasgam um outdoor que mostra o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante um protesto contra a visita de Erdogan ao Líbano, na Praça dos Mártires em Beirute, em 25 de novembro de 2010. Foto: Jamal Saidi. 

Próximo ao aniversário de 20 anos do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) do ultrarreacionário Recep Tayyip Erdogan, o governo turco por ele encabeçado se encontra com seus números de aprovação abaixo de 34%, seu pior nível. Isso acontece ao mesmo tempo em que o velho Estado se afunda numa crise do capitalismo burocrático, não conseguindo dar resposta a nenhum dos problemas atuais das massas. Diante do claro rechaço das massas, o partido adiou a comemoração prevista para o dia 14/08.

Mesmo os ditos “cientistas políticos” turcos explicam que tal rechaço se dá devido ao agravamento da repressão contra o povo. Simultaneamente se dá o aumento da execução de decretos presidenciais, exemplo da tendência a assumir a forma de presidencialismo absolutista no objetivo de desempenhar o papel de viabilizar a passagem de medidas de recuperação econômica de maneira ágil. 

Exemplos disso são os decretos de Erdogan feitos na calada da noite. Assim se deu a designação de um interventor em determinada faculdade, a troca de presidente do Banco Central (foram quatro em dois anos) ou a retirada unilateral da Turquia de um tratado internacional como a Convenção de Istambul.

 

Capitalismo burocrático não ‘dá conta’ de se recuperar

O ano de 2020 findou-se com o governo de Erdogan se envolvendo em escândalos sobre manipulação de dados das mortes pela Covid-19. Já o ano de 2021 começou com uma rebelião estudantil após a imposição por Erdogan de um reitor à maior universidade do país (rebelião tão grande que o ultrarreacionário voltou atrás em sua decisão). 

A situação agravou-se ainda mais com as denúncias de corrupção no governo e a descoberta de uma rede de tráfico de pessoas nas quais estavam envolvidos diferentes membros do APK nas prefeituras espalhadas pelo país. No mesmo contexto, foi feita a revelação de ligações de diversos setores do governo de turno com máfias.

Há, ainda, a revolta das massas camponesas contra  a ação de despejo de centenas de camponeses para a exploração mineira pelas empresas imperialistas. Pescadores também se juntaram à torrente de protestos contra o governo reacionário contra o lançamento nas águas turcas de esgoto vindo da Europa, deixando uma cobertura de gosma branca de fitoplâncton no mar de Mármora. Tal prática criminosa afetou a atividade pesqueira de milhares de turcos que dependem disso para sobreviver.

 

Crise econômica e política

Tudo isso toma lugar numa grave crise econômica desatada desde 2018. A moeda turca vem apresentando, nesse período, constantes desvalorizações. Em 2021, uma alta na inflação sucedeu a inadimplência de dívidas de grandes empresas com o velho Estado. Nesse contexto, a econômica turca sofreu estagnação. 

Diante da tarefa de levar a cabo uma maior centralização do poder no executivo, novos desafios levantaram-se ao reacionário presidente turco. Uma vez que o governo de turno conta com menos recursos para distribuir aos outros “dois poderes”, na dinâmica política dos regimes reacionários de conceder recursos aos grupos parlamentares em troca de apoio aos projetos do executivo, tornaram-se mais frequentes as lutas internas entre facções do parlamento contra o governo. 

A crise econômica causou um declínio significativo na popularidade de Erdogan e do AKP, que enfrentou grandes protestos populares do povo oprimido da Turquia em defesa de seus direitos ameaçados num contexto de crise geral do capitalismo burocrático. Em consequência disso, o partido de Erdogan perdeu as eleições, em 2019, nas maiores cidades da Turquia, incluindo Istambul e Ancara (Capital).

É nesse contexto que o fascista Erdogan tenta se mostrar mais útil ao imperialismo ianque e aceitou que fosse seu o exército a assumir o controle do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, enquanto a capital se encontra tomada pelo Talibã.

 

As massas não param de lutar

Diante da crise econômica e a repressão desenfreada do governo de Erdogan, as massas não param de lutar. Como nos recentes protestos de camponeses contra o despejo causado pela atividade de mineração das megaempresas imperialistas e as manifestações massivas, que contaram com intensos enfrentamentos com a polícia, em rechaço à conivência e impulsionamento do governo de turno com a opressão feminina, expresso nos números de feminicídios, estupros, e da saída de acordos internacionais sobre o assunto.

O povo turco conta, hoje, com centenas de milhares presos políticos do velho Estado reacionário, em que sua parte mais consciente e decidida lutam de forma organizada conduzidas pelo Partido Comunista da Turquia/Marxista Leninista (TKP/ML) na Guerra Popular Prolongada que se desenvolve atualmente no país. 

Como na ação conduzida por combatentes do Exército de Libertação de Operários e Camponeses (Tikko, na sigla em turco), dirigido pelo TKP/ML, em fevereiro deste ano em que realizou-se um ataque com tiros a sede do AKP em Istambul.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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