O aumento do preço da carne e a chaga da fome

Famílias brasileiras estão com as geladeiras cada vez mais vazias devido aos altos preços dos alimentos. Foto: Reprodução

Com novas altas nos preços, motivadas pela crise geral do capitalismo burocrático brasileiro, as proteínas de origem animal continuam a bater recordes de alta no preço. Segundo estudo realizado pela Consultoria LCA, alimentos como carne bovina, frango, carne de porco e ovo, terão aumento médio de 10% em 2021.

De acordo com o estudo, as maiores altas serão respectivamente carne bovina (17,6%), carne de porco (15,1%), frango (11,8%) e ovo (7,6%).

Frente aos aumentos, o direito do povo a se alimentar se choca com os interesses de grandes burgueses e latifundiários, que lucram com a situação de fome e miséria das massas populares.

Em cuiabá, fila para conseguir ossos

Em Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, centenas de pessoas formam uma gigantesca fila na porta de um açougue para conseguir ossos de boi.

O corte conhecido como ossinho é o mais barato do açougue e ele é nada mais nada menos do que a sobra do corte do boi. Junto com o osso ficam retalhos de carne, gordura e cartilagem.

O açougue distribui o corte para famílias necessitadas há dez anos, uma vez por semana. Contudo, o dono do açougue Atacadão das Carnes, Edivaldo Oliveira, conta, em entrevista ao monopólio de imprensa Globo, que com o início da pandemia a procura pela doação de ossinhos cresceu bastante e a distribuição agora é feita três vezes por semana com filas de espera de aproximadamente 200 pessoas.

“Eu vejo que a fome e a necessidade dessas pessoas são muito grandes. Para pegar uma sacolinha de um quilo ou um quilo e meio de ossinho, elas chegam antes das 9h e ficam às vezes até 13h esperando. E elas são gratas por isso, por algo que as pessoas que têm mais estabilidade não dão valor algum”, comenta o comerciante.

A cena chocante de pessoas antes das 9h da manhã, numa fila enorme, com centenas de pessoas esperando horas debaixo do sol quente, sentados na calçada, até que a porta lateral se abre às 11h e um funcionário começa a distribuição do que restou da desossa do boi, retrata com fatos concretos a situação de miséria e fome crescentes a que está sendo submetido o povo brasileiro.

“É a maior felicidade a gente conseguir um ossinho aqui, porque está feia a crise! Eu estou desempregado e não tem para onde a gente recorrer. Faz tempo que eu não como carne, se não fosse o ossinho. Tudo está caro!”, conta Joacil Romão da Silva, de 57 anos, sobre conseguir ossos com resquícios da carne.

Edivaldo Oliveira conta que a fila cresceu assustadoramente desde o início da pandemia. “Hoje são 200 pessoas. Estamos com dificuldade para atender e a gente está se esforçando ao máximo. Mas é muita gente mesmo”, relata o dono do açougue.

Celina Mota, de 56 anos, é uma das trabalhadoras que enfrenta a fila para conseguir os ossinhos, ela conta que não é só carne que falta em casa. Celina também vai ao mercadinho do bairro para tentar conseguir verduras e frutas que não foram vendidas ou que seriam descartadas. “Conversei com o rapaz lá e ele me arranjou essas verduras, que eu cozinho um pedaço a cada dia. Com os ossinhos vai ajudar. Dá para ir vivendo”.

Outra trabalhadora que também enfrenta a fila pelos cortes, Eliane Oliveira, contou sobre o grande aumento no preço da carne: “Antigamente ia comprar carne moída, dava para o almoço e janta. Agora você vai comprar carne moída não dá nem para o almoço”, afirma.

Metade dos brasileiros passam fome

Cerca de 116,8 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar no Brasil, o que significa que mais da metade da população brasileira não tem acesso pleno e permanente a alimentos.

De 2018 a 2020 o número de brasileiros passando fome deu um grande salto. Em dois anos nove milhões de pessoas entraram na gravíssima estatística, um aumento de 27,6% na taxa anual de pessoas famintas. Apesar disso, o número de famintos já vinha crescendo em ritmo acelerado de 8% ao ano desde 2013.

Falta de auxílio e desemprego

O cenário de pandemia do novo coronavírus agravou este quadro. Desde o segundo semestre do ano de 2020, por culpa do governo militar genocida de Bolsonaro/generais a vida de milhões de brasileiros tornou-se ainda mais degradada. A falta de um auxílio emergencial digno, a falta de assistência econômica para as pequenas empresas, o desemprego e a demora na vacinação serviram para aprofundar e acelerar o processo de vida miserável a qual os brasileiros foram submetidos.

Em contrapartida com a dita falta de verba para atender aos anseios populares, o governo Bolsonaro aprovou um novo fundo eleitoral no valor de R$ 5,7 bilhões para os partidos eleitoreiros usarem em campanhas.

E nos gastos aprovados por lei para o Orçamento de 2021, o pagamento da dívida pública seguirá sendo um peso para a Nação, com destinação de R$ 1,603 trilhão. O montante será sugado legalmente pelo sistema financeiro (bancos) do imperialismo, enquanto o povo brasileiro permanecerá na miséria.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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