AM: Fotojornalista é ameaçado de morte após registrar queimadas e desmatamentos

No dia 23 de agosto, o fotojornalista Edmar Barros, recebeu em seu celular mensagens com ameaças de morte, após publicar em uma rede social fotos impactantes que registram queimadas ocorridas no município de Lábrea, localizado na região da Amazônia. A região é palco de diversos crimes promovidos pelo latifúndio e apresentou números recordes de queimadas e desmatamentos no último ano.

Após o registros de incêndios criminosos, o fotojornalista Edmar Barros é ameaçado de morte. Foto: Edmar Barros

Incêndios criminosos se alastram na região Amazônica. Foto: Edmar Barros

As fotos reveladoras e as ameaças

Após a publicação de 10 fotos da situação atual do desmatamento e das queimadas ilegais que aconteciam no estado de Amazonas, o fotojornalista recebeu a seguinte ameaça: “Edmar estou lhe trazendo um recado para vc, do pessoal do 42, se vc vier meter seu rabo aqui em Lábrea para denunciar as derrubadas vc vai queimar junto na queimada, vou te dar dois dias para vc sumir aqui da região, fica dito seu vagabundo, x9 do caralho, seu relógio está contando, fique ligeiro. Vai virar churrasquinho. Recado dado”[sic].

Ameaças de morte recebidas pelo fotojornalista. Foto: Edmar Barros

Edmar havia ido até a região, na companhia de Sandro Pereira, região para fotografar os incêndios ilegais e o desmatamento para uma revista eletrônica. Eles percorreram cerca de 2,4 mil quilômetros (km) durante dez dias, entre 9 a 19/08. Foram dias de árduo trabalho, registros que compunham uma cobertura de mais de um ano de intensas queimadas e desmatamento, relatou o trabalhador nas redes sociais.

Além de queimadas, o município de Lábrea é palco de desmatamento. Foto: Edmar Barros

O fotojornalista não se intimidou. Denunciou as ameaças e respondeu: “Quem me ameaçou não deve conhecer minha personalidade e muito menos meu trabalho. Se eu tivesse medo de ameaças jamais teria escolhido o fotojornalismo como profissão, quem me conhece sabe que, quando me ameaçam ou tentam impedir meu trabalho, aí que vou pra cima mesmo!”. E ainda lamentou: “Uma pena que não estou mais em Lábrea, pois já estaria agora pela manhã lá no ramal do km 42 novamente procurando o ‘valentão’ criminoso ambiental”.

Conforme Edmar informou ao monopólio de imprensa Uol, o ramal do km 42 fica na beira da BR-230. Ele afirmou: “Grileiro é o que mais existe nesta região, com áreas clandestinas há quilômetros e quilômetros queimados”.

Em meio a incessantes queimadas e desmatamento latifúndio promove terror

Lábrea, fica ao Sul do Amazonas (cerca de 850 km da capital Manaus) e é o município onde se concentra o maior número de focos de queimadas da Amazônia Legal segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). Entre o período de janeiro a 08/08 deste ano, foi constatado também pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) um total de 761 focos. De março a julho deste ano, 287 km² de floresta foram derrubados apenas no município.

Incêndio criminoso se alastra em Lábrea. Foto: Edmar Barros

Os incêndios na região Amazônica têm crescido a números alarmantes e teve sua máxima expressão na grande queima promovida pelo latifúndio em 2019 que ficou conhecida como “Dia do Fogo”. Em declarações feitas pelos reacionários à imprensa, estes afirmavam que o objetivo era promover queimadas em vastas regiões do país de modo coordenado em apoio ao governo. Na ocasião o AND afirmou ainda: “Mais especificamente, o objetivo foi destruir florestas e áreas de preservação para apropriar-se delas, e para justificar a militarização da região e sufocar a luta pela terra, coibi-la e reprimir os camponeses em luta pela Revolução Agrária”.

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Apesar de pequeno, o município de Lábrea é parte dessa rota. Além dos constantes incêndios e derrubadas, a cidade tem um longo histórico de crimes protagonizados pelo latifúndio e seus bandos armados. 

Um exemplo já muito conhecido é dos latifundiários Celso Ribeiro e Nilo Lemos que são denunciados por trabalhadores e entidades democráticas e são também alvo de investigações do velho Estado pelos inúmeros crimes envolvendo extração ilegal de madeira, grilagem de terras públicas, agressões e ameaça de morte contra camponeses. Outro latifundiário atuante na região é Sidney Zamora que junto às forças repressivas do velho Estado, protagonizou um violento despejo de camponeses, ação frustrada pela resistência dos trabalhadores.

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A fumaça dos incêndios criminosos já chega as regiões vizinhas. Foto: Edmar Barros

A perseguição à imprensa e as liberdades democráticas se agrava

De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) em seu Relatório da Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, elaborado com os dados das ocorrências no ano de 2020, foram registrados 428 casos de ataques contra trabalhadores da imprensa, incluindo dois assassinatos. O dado representa um aumento de 105,77% em relação ao ano de 2019, ano esse que já havia apresentado aumento das violações à liberdade de imprensa em território nacional.  

Hoje o país possui uma classificação de liberdade de expressão restrita segundo o Ranking Global de Liberdade de Expressão elaborado anualmente pela Ong Artigo 19.

Segundo Paulo Tonet de Camargo, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert): "A maior parte das agressões é cometida por agentes públicos, principalmente por policiais, guardas municipais e outros agentes de segurança [...] A maioria dos ataques aconteceu durante manifestações [políticas] e, infelizmente, partiu de autoridades públicas, sobretudo de agentes de segurança, que aparecem como os grandes responsáveis por esse tipo de violência contra os profissionais de imprensa”.

Recentemente o AND denunciou ser alvo de campanas, segmentos e intimidações. Na ocasião, o jornal afirmou: “Tais atividades se dão em meio ao agravamento ímpar da destruição das liberdades democráticas, em que o governo militar genocida, de Jair Bolsonaro e do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA), usa e abusa da Lei de Segurança Nacional para calar toda e qualquer oposição”.

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“Nada e nem ninguém calará os genuínos democratas” foi o recado dado pela imprensa popular e democrática à época.

No mês de julho, o portal de imprensa De olho nos ruralistas denunciou uma campanha de difamação encabeçada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) contra o periódico, o fato foi noticiado pelo AND.

Leia também: Frente de latifundiários atacam o portal De olho nos ruralistas

 

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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