RR: Após encontro, lideranças Yanomami realizam protesto em Boa Vista

Indígenas Yanomami ocupam sede da Dsei-YY em meio a protesto em Boa vista. Foto: Yolanda Mêne

Cerca de 70 lideranças dos povos Yanomami e Ye'kwana realizaram em 8 de setembro, um protesto em Boa Vista, Roraima (RR), contra a invasão de territórios indígenas, principalmente por mineradoras e o contra os ataques recorrentes do velho Estado contra os povos em relação ao direito à saúde. Os indígenas, empunhados de arcos e flechas, ergueram durante a manifestação algumas faixas.

O grupo marchou até as sedes do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Ye’kwana (Dsei-YY), da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do Ministério Público Federal (MPF) no estado. Os indígenas ocuparam a sede do Dsei-YY após não obterem respostas às solicitações de reuniões e o não comparecimento do coordenador do órgão, Rômulo Pinheiro de Freitas.

“Isso é uma vergonha. Ele fugiu para não nos atender. Só estamos aqui para cobrar nossos direitos. Nosso povo está morrendo, nossas crianças estão morrendo, merecemos uma saúde de respeito, que atenda nosso povo, não precisa fugir da gente, nossa luta não acaba aqui”, disse Elizeu Yanomami em entrevista ao portal Amazônia Real.

A ida a Funai também resultou em diversas denúncias. Ana Lice Yanomami também em entrevista ao portal, afirmou: “Esse órgão era para nos defender, eu fico triste porque é o nosso futuro que está em jogo, não é o futuro dos brancos, e o futuro do meu povo, das minhas crianças, a Funai não chama a gente pra conversar, estamos sendo atacados todo dia pelos garimpeiros, mesmo assim nada é feito”. 

O protesto foi uma das ações decorrentes do II Fórum de Lideranças da Terra Indígena (TI) Yanomami, realizado na região da Tabalascada, município do Cantá, ao norte de RR, durante os dias 04/09 e 07/09. 

O encontro discutiu a luta pela terra, o surto de doenças, mortes e o descaso do velho Estado. Contou com a presença de indígenas de diversas regiões da TI Yanomami como Maturacá, Marauiá, Demini, Novo Demini, Haxiu, Maloca Paapiu, Palimiu, Awaris, Ajuricaba, Missão Catrimani, Surucucu, Alto Mucajaí, Baixo Mucajaí e Uraricoera.

Indígenas Yanomami erguem  faixas com os dizeres “Nossa luta é pela vida” e “Fora Garimpo, Fora Xawara” durante protesto em Boa vista. Foto: Adriana Duarte

Cartas denunciam invasão de territórios e descaso com a saúde

Duas cartas foram emitidas pelo fórum. Uma delas intitulada “Posicionamento do Fórum de Lideranças da TI Yanomami sobre a saúde dos povos Yanomami e Ye’kwana”, relatou uma calamitosa situação envolvendo surtos de doenças, mortes de crianças e não atendimento.

Somaram-se à pandemia do Covid-19 doenças como malária, diarreia, verminoses, leishmaniose, pneumonia, tuberculose e outras ainda desconhecidas. Segundo a carta, a malária explodiu na TI Yanomami nas áreas de garimpo e se espalhou pelo território. Foram mais de 27 mil casos em 2020 entre uma população de cerca de 28 mil pessoas. A denúncia constata também, demarcando que os fatos não dizem respeito a todos os trabalhadores da saúde, que o Dsei tem sido negligente com o atendimento das comunidades, faltam medicamentos e atendimento. “Nossos parentes estão morrendo de doenças simples, de fácil tratamento, porque não tem atenção de saúde básica”, relata o documento.

A carta constata ainda que ao menos 47 crianças yanomamis morreram entre o ano de 2020 e 2021 em decorrência de questões de saúde envolvendo inclusive não-atendimento. 

“Não somos ignorantes. Não podemos aceitar que nossos parentes continuem morrendo sem atendimento de saúde. O sofrimento é muito grande. Vocês pensam que é fácil falar dos nossos netos e filhos que estão morrendo? Nós não queremos falar dos nossos mortos. Nós não queremos mais mortes nas nossas comunidades. Exigimos respeito às nossas vidas”.

A outra carta intitulada “Posicionamento do Fórum de Lideranças da Terra Indígena Yanomami sobre o garimpo na TI Yanomami”, denuncia as invasões no território Yanomami e o conluio com o governo diante das novas legislações que beneficiam interesses das grandes mineradoras e do latifúndio em geral.

Na carta os líderes e as organizações denunciaram que o governo só trabalha “para envenenar a terra. Por isso, a floresta já está acabando”. Afirmam ainda: “Já roubaram nossa terra no passado e agora querem fazer isso de novo através do marco temporal, do PL 191 e do PL 490. Nós não vamos negociar a nossa riqueza, que é a floresta e a vida”.

Assinam os documentos a Hutukara Associação Yanomami (HAY), Associação Wanasseduume Ye’kwana (Seduume), Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma (AMYK), Associação Kurikama Yanomami (AKY), Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (AYRCA), Texoli Associação Ninam do Estado de Roraima (TANER), Hwenama Associação do Povo Yanomami de Roraima (HAPYR) e o Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-YY).

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