RO: ‘Essas terras são do povo e lutaremos por elas’, afirmam camponeses enquanto PM e Força Nacional preparam massacre

Assembleia Popular das Áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, 02 de outubro de 2021. Foto: Resistência Camponesa

Durante a AP as famílias declaram: "Não sairemos daqui, essas terras são do povo e lutaremos por elas". Foto: Resistência Camponesa

No dia 2 de outubro, milhares de camponeses das áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, localizadas no distrito de Nova Mutum, em Porto Velho, Rondônia (RO), se reuniram e realizaram Assembleia Popular (AP) para discutir sobre os preparativos de um novo massacre por parte dos reacionários do governo de Marcos Rocha e do genocida Bolsonaro. Nos rostos dos homens, mulheres e crianças pôde ser vista a dureza e a determinação exigida diante da situação que se apresenta. Nas bandeiras erguidas, na marcha e na faixa estendida, a motivação: Terra a quem nela trabalha! Viva a Revolução Agrária!

Diante das famílias, se apresenta um criminoso e ilegal cerco policial que visa, através do terror e de um massacre contra os camponeses, entregar as terras destas mais de 800 famílias ao latifúndio e intimidar os que se levantam diante da terrível situação de miséria e da secular desigualdade. 

As denúncias são feitas por camponeses organizados pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) através de uma carta emitida pela AP. O documento declara que o Estado reacionário brasileiro, através da Força Nacional de Bolsonaro e generais e Polícia Militar (PM) de Marcos Rocha, governador do estado de Rondônia, intensificaram nas últimas semanas a preparação de um novo massacre. Para isso contam ainda com o auxílio da Polícia Federal (PF).

Segundo as denúncias, as tropas têm agido junto com bandos paramilitares que “estão a serviço da fazenda Norbrasil e Santa Carmem”, antigo latifúndio ocupado pelos camponeses. Os trabalhadores afirmam que o grupo permanece dia e noite na sede das fazendas.

A nota emitida pela AP afirma que quem se beneficia com o massacre contra os camponeses são os latifundiários Antônio Martins dos Santos (Galo Velho) e a família Leite. Ambos são apontados como grileiros de terras da União e supostos donos das antigas fazendas Norbrasil e Arco-íris (onde hoje se localiza a Área Tiago Campin dos Santos) e Santa Carmem e Boi Sossego (onde hoje se localiza a Área Ademar Ferreira).

Outros ataques na região

Não é a primeira vez que as famílias destas áreas resistem a covardes ataques. Conforme já noticiado pelo AND um ano atrás, também sob o comando de Marcos Rocha e do coronel Alexandre Almeida, as tropas policiais perpetraram todo tipo de ilegalidade e abusos contra a área Tiago Campin dos Santos, praticando torturas e prisões, além do cerco e proibição da entrada de alimentos e leite na área em um ataque que durou mais de cinco dias.

Leia também: Acampamento Tiago dos Santos é cercado pela PM, resiste e impede novo massacre

Em 13 de agosto deste ano, uma chacina comandada pelos mesmos reacionários já mencionados e executada pelas tropas da PM, Força de Segurança Nacional e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ceifou a vida de três camponeses da Área Ademar Ferreira: Amarildo, Amaral e Kevin. Além disso, durante o ataque as tropas policiais incendiaram casas, atiraram e caçaram diversos outros trabalhadores.

Leia também: RO: Forças policiais de Bolsonaro e de Marcos Rocha assassinam covardemente camponeses

CNDH alerta sobre preparação de massacre

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) emitiu no dia 05/10 uma nota denunciando o iminente despejo contra a Área Tiago Campin dos Santos. No documento, o conselho afirma que desde a decisão judicial favorável ao despejo, emitida em 27/09 pelo juiz Ilisir Bueno Rodrigues, foi solicitado reforço policial considerável para a região.

O CNDH afirma também que no local vivem mais de 2 mil pessoas e que o local “vem sendo ocupado desde 2013 por diferentes grupos de sem-terra, tendo surgido em período que coincide com o fim da construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, localizada a 120 km de Porto Velho”. De acordo com o texto, o término das obras deixou milhares de trabalhadores sem emprego e moradia, o que os empurrou para a luta pela terra. 

O Conselho traz à luz a preocupação que diante do cenário de agravamento dos conflitos agrários e violência do velho Estado e latifúndio contra os camponeses em Rondônia e em todo país, principalmente em meio à pandemia, se repita novos massacres como o chamado “Massacre de Corumbiara” ocorrido em 1995. A ação, movida principalmente por forças repressivas estatais em serviço, resultou na morte de oito camponeses, incluindo uma criança, desaparecimento de 20 trabalhadores, 350 trabalhadores feridos e 200 prisões.

Leia o documento na íntegra.

A transformação das terras ocupadas em Rondônia

Os camponeses declararam em nota que os latifúndios se converteram em áreas onde vivem homens, mulheres, idosos e mais de 400 crianças e adolescentes. Ali os trabalhadores produzem alimentos como mandioca, banana, feijão, milho, abóbora.

As famílias conclamam “todos os verdadeiros democratas, intelectuais, comerciantes e trabalhadores em geral para que defendam os direitos do povo brasileiro, para que denunciem mais este crime em marcha” contra os camponeses de Rondônia. E por fim afirmam: “Deixamos claro, mais uma vez, que não sairemos daqui, essas terras são do povo e lutaremos por elas. Queremos terra para trabalhar e viver com dignidade, não repressão e chacinas”.

Durante a manifestação os camponeses ergueram faixas com as consignas Terra a quem nela trabalha! Viva a Revolução Agrária!. Foto: Resistência Camponesa

Manifestação das Áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, 02 de outubro. Foto: Resistência Camponesa

Manifestação das Áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, 02 de outubro. Foto: Resistência Camponesa

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