Caminhoneiros fazem paralisação em seis estados como prévia de greve em novembro

Caminhões tanqueiros parados em MG. Foto: Reprodução.

Após mais de quatro anos de promessas e demagogia do governo reacionário, e frustrações para as massas de caminhoneiros autônomos e também os assalariados, volta a estourar a greve dos caminhoneiros que já atinge o abastecimento de importantes regiões do país. A greve já chega ao segundo dia, atingindo seis estados e prometendo alastrar-se a todo o território nacional, pondo em polvorosa o governo militar genocida. Os mais de três mil caminhoneiros parados, até agora, anteciparam greve de quinze dias marcada para o dia 1 de novembro.

As maiores movimentações ocorreram nos estados de Minas Gerais (MG) e do Rio de Janeiro (RJ). Em MG, a adesão chegou a 100% da categoria dos tanqueiros, de acordo com o Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sinditanque-MG). Cerca de 800 caminhoneiros em greve se concentraram na região da Refinaria Gabriel Passos, em Betim. Por tratar-se de uma região de onde se distribui combustível para todo o estado, em somente dois dias de paralisação, já existe episódios de desabastecimento em Minas Gerais e filas nos postos de gasolina. Todavia, na tarde do dia 22, o Sinditanque-MG suspendeu a paralisação, "após a sensibilidade das distribuidoras, junto com as transportadoras de combustível e derivado de petróleo", mas dizendo ainda aguardar "uma posição do governo do estado referente as alíquotas dos combustíveis".

No RJ, houve, no dia 21 de outubro, bloqueio das vias para as bases de abastecimento na Região de Campos Elíseos, do município de Duque de Caxias, onde se localiza a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). Se estima que mais de 1,5 mil caminhoneiros estejam parados só no RJ.

DEMANDAS E CONTRADIÇÕES

As principais demandas levadas adiante pelos representantes da categoria dizem respeito ao aumento abusivo do preço do diesel, que, segundo o Sinditanque, correspondem a 70% do valor do frete, tornando o trabalho inviável. Segundo o monopólio de imprensa Veja, o gasto de diesel mensal de um caminhoneiro autônomo subiu 12 mil reais em um ano. Só em 2021, o preço do diesel nas refinarias já foi ajustado em 51,4%, chegando a 61,9% na gasolina. Nos postos, forma principal de abastecimento dos caminhoneiros autônomos, esse aumento se expressa em 40%.

Um caminhoneiro que entrou em contato com AND comentou que o trabalho está caríssimo diante da desvalorização dos fretes: "Não cobre as despesas. Vemos a negligência das autoridades, que podem fazer alguma coisa para mudar a situação, mas se ocupam em roupar, se promover, para se perpetuarem no poder. E cada dia que passa, mudam leis, fazem leis, para beneficiar os ladrões, eles próprios".

No artigo publicado na edição de nº 239 de AND de nome “Breves observações sobre a crise nacional do petróleo e da Petrobrás”, a principal causa dessa flutuação é a política semicolonial do Preço de Paridade de Importação (PPI), que “vincula o petróleo produzido no Brasil à cotação em dólar e à taxa de câmbio” - gerando uma situação em que “o preço do barril no Brasil não corresponde à própria inflação no país, mas aos preços internacionais”. Isso afeta o preço de todos os derivados do petróleo, incluindo o gás de cozinha. Bolsonaro tenta manejar a situação dando enfoque exclusivo ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos estados, ou seja, jogando a responsabilidade da crise nos governos estaduais. Todavia, sua demagogia possui limites e cada vez mais a revisão do PPI é pautada pela categoria.

Dentre as outras demandas levantadas pelos sindicatos e associações, estão a redução do ICMS; o cumprimento da Lei do Piso Mínimo de Frete (Lei nº: 13.703/2018) e a aposentadoria especial após 25 anos de contribuição. 

GOVERNO TENTA INTERFERIR

Desde 2018, quando houve a última grande greve de caminhoneiros, a categoria não consegue concretizar os vários apelos e ameaças de greve nacional, apesar da piora das condições. A antecipação da greve em onze dias pode ser visto como uma tentativa de comprovar com feitos a seriedade do chamado, mas também como uma forma de liquidar a greve marcada antes que inicie.

No dia 21, no irromper da greve, Bolsonaro tentou comprar a categoria com uma promessa de 400 reais de auxílio, que atingiria 750 mil caminhoneiros. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, este valor somente cobriria 13% de um tanque de caminhão cheio. Referindo-se ao pronunciamento de Bolsonaro, ele disse: “Agradecemos pela piada do presidente, mas estamos num trabalho de unificação das pautas da categoria e a paralisação para o dia 1 de novembro está mantida, seguimos com a mobilização”. 

Para tentar impedir a greve do dia 1 de novembro, foi marcada uma reunião emergencial da Casa Civil com lideranças da categoria no dia 28 de outubro. Se ocorrer, a greve contará com 70% da categoria, segundo o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer.

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