RJ: PM promove terror e roubos durante ocupação do ‘Complexo de Israel’; Moradores protestam e fecham Av. Brasil

Moradores fecharam Avenida Brasil em protesto contra os abusos e crimes praticados pelos PMs durante ocupação. Foto: Fábio Costa

Moradores das comunidades na região do denominado Complexo de Israel, na zona Norte do Rio de Janeiro, fecharam a Avenida Brasil na tarde do dia 26 de outubro em protesto contra a violenta e criminosa ocupação da Polícia Militar (PM) na região.

Os moradores fecharam a importante via expressa na altura do bairro de Parada de Lucas. Eles montaram barricadas com objetos e entulhos, além de um caminhão de lixo que foi colocado no meio da via. A PM logo chegou para reprimir os trabalhadores. Os militares deram tiros de fuzil para o alto e dispararam bombas de gás lacrimogêneo, porém não foi suficiente para intimidar os moradores. Revoltados com a truculência policial dentro da favela, eles seguiram protestando e bloqueando a via.

Moradores durante concentração para o ato na Avenida Brasil. Foto: Reprodução

"A gente estava aqui na rua e do nada começaram a nos expulsar para proibir a manifestação dos moradores. Não tinha ninguém agredindo, era uma manifestação pacífica. Vieram jogando gás, achando que estávamos envolvidos (com o tráfico), mas não estávamos. Só pedimos paz", disse a manifestante Vanessa Batista em entrevista ao jornal O Dia, do monopólio de imprensa.

PMs retiram móveis utilizados nas barricadas montadas pelos trabalhadores. Foto: Fábio Costa

Protesto na linha de trem

Além de fecharem a Avenida Brasil, os moradores também bloquearam com pedaços de madeira os trilhos dos trens localizados próximo às estações de Parada de Lucas e Vigário Geral.

Com o protesto, as estações Penha Circular, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral foram paralisadas. 

PMs invadem casas e roubam pertences de moradores

Tamires Oliveira filmou os PMs armados e encapuzados dentro da sua residência. Foto: Reprodução

Vídeos divulgados por moradores em redes sociais mostraram policiais encapuzados e armados até os dentes circulando dentro das casas dos trabalhadores. Os imóveis ficaram completamente revirados. Os PMs ainda roubaram pertences dos moradores como eletrodomésticos, roupas e comidas.

Tamires Oliveira, de 27 anos, foi uma das trabalhadoras que teve sua casa invadida. Ela contou em entrevista, no segundo dia da ocupação (26/10), ao portal do monopólio de imprensa G1, que recebeu mensagens de um vizinho por volta das 9h da manhã, no dia 25 de outubro, falando para ela não voltar para casa pois os PMs estavam dentro da residência.

A moradora ficou apreensiva e acatou o pedido. De noite ao chegar em casa encontrou o imóvel totalmente revirado e deu falta de vários pertences. O abuso e crimes cometidos pelos PMs revoltou a trabalhadora.

"Levaram até as roupas dos meus filhos. O que não levaram, detonaram: tinha urina, fezes. Meu filho, que está na casa de uma tia, só chora. Ele viu como ficou o quarto dele. Minha filha passou a noite toda pedindo para voltar para casa. Você não tem noção. As coisas, a gente conquista novamente, mas é pelo trauma, pelo desrespeito. Levaram até as carnes do freezer. Deixaram só as salsichas. Levaram até o velotrol do meu filho. Os vizinhos contaram que parou uma picape aqui em frente para levarem as minhas coisas”, contou a trabalhadora.

Tamires contou que desde o início da ocupação no dia 25, sua casa já foi invadida quatro vezes pelos militares. Ela disse que os PMs estavam levando seus pertences dentro de um saco preto e colocando dentro do veículo blindado.

“De ontem para hoje teve essa pacificação, eu estava trabalhando e meus filhos na escola quando eles invadiram pela primeira vez a casa. Eu gravei eles dentro da minha casa, tenho prova de tudo. Eu também tenho nota de tudo que foi comprado. A gente é de bem, ninguém tá aqui para defender bandido ou polícia, só queremos o nosso direito. Imagina chegar em casa e ver ela dessa forma? É triste demais, meu filho ficou chorando o tempo todo", relata a trabalhadora.

No dia 26, Tamires fez uma transmissão ao vivo pela rede social Instagram mostrando os PMs dentro de sua casa."Resolvi fazer a live (vídeo ao vivo) porque eles estavam dentro da minha casa e fiquei com medo que pudessem fazer alguma coisa comigo. Mas, se me desse um tiro, ia ser ao vivo. Todo mundo ia ver", afirmou a moradora.

A moça ainda contou que depois do acontecido tem medo de voltar para casa por conta de represálias que podem acontecer dado a covardia típica dos policiais. "Eu não volto mais pra cá, meus filhos estão assustados. Eles ficaram a noite toda chorando, com medo. Estou sendo humilhada dentro de casa. Estou fugida com meus filhos há duas noites, com medo, com a minha casa destruída, mas eles não podem fazer isso. Tratar a gente feito um cachorro. Tenho nota fiscal de tudo que tem aqui. Eu trabalho, parcelo no cartão, mas eu pago. Não podem fazer isso", disse Tamires.

A mulher ainda disse que não sabe até agora o porquê dos PMs terem invadido várias vezes a sua residência. Ela afirmou que pretende denunciar os abusos na Corregedoria de Polícia.

Tamires participou do protesto que fechou a Avenida Brasil, e defendeu a justeza da revolta dos moradores: "fui protestar porque aqui ninguém aguenta mais. Aqui só tem família. A gente não enaltece bandido, não tem envolvimento com nada e não aguenta mais”, argumentou.

A comerciante contou, ainda, que outros moradores da região também foram alvo dos abusos e até agressões. "Tem uma senhora que quebraram o trailer dela. Quebraram tudo, reviraram e levaram o cadeado. Outro rapaz, que tem uma lojinha aqui também, e ainda foi agredido. Para que isso?", denunciou.

Uma outra moradora, que não teve a identidade revelada, mostrou que a fechadura do portão da sua casa e de sua garagem também foi arrombada pelos PMs.

Morador posta foto de sua casa revirada após PMs invadirem o local e roubarem pertences. Foto: Reprodução

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