CE: Açougues vendem ossos classificados como de ‘primeira’ e de ‘segunda’ em Fortaleza

Devido a alta procura por ossos de boi, comércios começaram a vender o item. Foto: Reprodução.

Açougues, frigoríficos e supermercados de Fortaleza, no Ceará, estão vendendo ossos com restos de carnes com classificação de “qualidade”. Os ossos são vendidos como de “primeira” ou de “segunda” classe.

A prática foi revelada após uma reportagem, do jornal do monopólio de imprensa, Folha de São Paulo, em que jornalistas percorreram diversos estabelecimentos da capital do estado do Ceará, entre os dias 27 e 29 de outubro.

No bairro Presidente Vargas, na periferia de Fortaleza, comerciantes estão vendendo sacos com desossas de boi por cerca de R$ 3,50 o quilo. Isso é, o osso liso, aquele que não contém carne nem gordura, custa entre R$ 3,50 e R$ 5 o quilo. Em outros bairros, como na Barra do Ceará, o valor do produto é de R$ 2,50 o quilo. Nas regiões de Messejana, Centro, José Walter e Mucuripe, o item custa em média R$ 10 o quilo.

No Grande Bom Jardim e região do Conjunto Ceará os ossos estão sendo classificados como osso de segunda, aquele que pertence a uma carne nobre, como alcatra, por exemplo, e ossos de primeira, chamados de "cozidão", que contém resquícios de carne e gordura. Os ossos de segunda classe estão custando cerca de R$ 10,99 o quilo e o de primeira custa R$ 17,99 o quilo. 

Os ossos de primeira são mais caros nos bairros Conjunto Esperança e José Walter, custando R$ 19,99 e R$ 24,99 o quilo, respectivamente.

Isabel Rodrigues, de 39 anos, é moradora do Parque Presidente Vargas, a mulher que trabalha como empregada doméstica, disse que até o osso está ficando caro: "Quando a gente tem sorte, pega uns com carninha. Levo sempre para fazer sopa, colocar no feijão. Mesmo tendo essas placas com promoção, não dá no meu orçamento. E até o osso está ficando caro".

A comerciante Francisca de Assis, de 71 anos, é dona de um pequeno açougue localizado em frente a sua casa, em Praia do Futuro. Ela contou ao monopólio de imprensa Folha que estava há dois dias sem vender carne. "Está muito difícil. As pessoas não têm dinheiro e a gente fica sem saber como manter o comércio", afirmou a trabalhadora. Sobre os ossos, Francisca diz que “antigamente, eu dava, mas hoje, vivendo só da aposentadoria e precisando pagar as contas, estou cobrando".

Denilson Araújo, de 35 anos, é o único vendedor de carnes em um corredor que se estende por cinco quarteirões. Ele monta uma barraca de vendas de carnes toda semana na feira Apolo XI, no Conjunto Esperança. O homem não consegue vender os cortes mais, devido a falta de clientes. Em uma sexta-feira, ao meio-dia, ele ainda não tinha vendido nada. "Já perdi o dia. Se não chegaram até agora, não vêm mais", lamentou o trabalhador.

117 milhões passam fome 

Pelo menos 117 milhões de brasileiros encontram dificuldades para se alimentar como deveriam. É o que revelou uma pesquisa feita pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

O Nordeste é a região que concentra 7,7 milhões de pessoas atingidas pela fome. Cenário semelhante se vê no Norte: concentrando apenas 7,5% dos habitantes do Brasil, 14,9% do total das pessoas com fome estão ali.

No Norte e Nordeste, a fome atinge 60% e 70% das famílias, respectivamente. A pior situação de fome (a insegurança alimentar grave) afeta 18 a cada 100 nortistas e 14 a cada 100 nordestinos.

No Ceará, onde foram registradas as imagens, cerca de 1 milhão de pessoas vivem na extrema pobreza, com renda mensal de até R$ 89, segundo o Ministério da Cidadania.

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