Viva a resistência camponesa nas áreas Tiago dos Santos, Ademar Ferreira e 2 Amigos!

Reproduzimos abaixo matéria publicada pelo Jornal Resistência Camponesa no dia 26 de novembro, a respeito da grandiosa resistência camponesa ocorrida nas áreas Tiago dos Santos, Ademar Ferreira e 2 Amigos durante o segundo semestre de 2021.

Resistência das famílias garantiu o retorno dos que saíram das Áreas, para suas terras. Foto: Resistência Camponesa

Viva a resistência camponesa nas áreas Tiago dos Santos, Ademar Ferreira e 2 Amigos!

A Operação “Nova Mutum” tinha o objetivo declarado de despejar cerca de 800 famílias que moram e produzem há vários anos nas áreas vizinhas Tiago Campin dos Santos, Ademar Ferreira e 2 Amigos, no distrito de Nova Mutum Paraná, zona rural de Porto Velho. Policiais da Força Nacional dos fascistas Bolsonaro e generais e da Polícia Militar do governador coronel Marcos Rocha, marionete de latifundiários, comandadas pelo secretário de segurança Hélio Pachá, o carniceiro de Santa Elina, lançaram uma operação de guerra contra camponeses honrados, e a serviço dos latifundiários ladrões de terras públicas Antônio Martins e a família Leite.

Apesar do terrorismo policial, foram derrotados pela resistência camponesa combativa, dirigida pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP)! A maioria das famílias continuou em suas terras e as despejadas já retomaram seus lotes, todos seguem lutando. Esta heroica resistência camponesa prova uma vez mais que as massas camponesas necessitam da terra para sobreviver, ainda mais quando o Brasil afunda numa crise econômica, política e sanitária sem precedentes. O campesinato pobre não têm nada a perder e está disposto a fazer a guerra pela terra.

Força Nacional e Polícia Militar seguem repressão injusta e ilegal

Mesmo anunciando oficialmente o fim da operação, as forças repressivas continuaram cometendo crimes contra os camponeses. O próprio Alexandre Almeida, comandante da PM, afirmou que mantém um contingente de centenas de policiais militares e outros tantos de policiais da Força Nacional, para fazer “patrulhamento rural”, reprimir e prevenir crimes, como roubo de trator e caminhonete. É só uma nova máscara para o mesmo terrorismo policial de sempre.

Todos os dias camponeses enviam denúncias ao Jornal Resistência Camponesa, a seguir, relatamos as mais recentes. Policiais estão impedindo os camponeses de refazerem suas casas, comércios e outras construções e destruindo as obras recém erguidas. Para isso, os agentes repressivos chegaram a dar voos rasantes de helicóptero. Os policiais ainda ameaçam tomar as motosserras dos camponeses que desobedecerem e tentarem usar esta ferramenta para alguma construção.

Ainda segundo os trabalhadores, todos os dias policiais montam barreiras em estradas de acesso às áreas, e circulam na Vila Alípio de Freitas, na Área Tiago dos Santos, duas vezes por dia, fazem revistas humilhantes, roubam combustível e outras mercadorias das residências e dos comércios, coagem moradores dando prazo para irem embora, ameaçam fazer um “arrastão” para prenderem quem está na área, dificultam o retorno de famílias mentindo que este está suspenso, apreendem moto ilegalmente.

As forças policiais estão tentando continuar o despejo, direta e indiretamente, ao aterrorizar cotidianamente as famílias. Enquanto isso, o cínico comandante da PM mente que deixaram “de realizar a retirada dos invasores”.

A PM mudou sua base militar pra sede da Fazenda Santa Carmen, cujas terras foram tomadas e cortadas por camponeses, originando a Área Ademar Ferreira. A Associação Juízes para a Democracia (AJD) denunciou este fato como ilegal, por caracterizar serviço de segurança privada para um latifundiário, acrescido do fato desta fazenda ser objeto de disputa judicial. É a tradução em norma culta da alcunha que os camponeses deram aos policiais há tempos: guaxebas de latifundiários! Pistoleiros fardados!

Relatos confirmam que policiais em helicóptero executaram Gedeon e Rafael

Policias do BOPE (batalhão de operações especiais) executaram covardemente os companheiros Gedeon José Duque e Rafael Gasparini Tedesco, no último dia 29 de outubro, logo após a maioria das famílias despejadas retomarem seus lotes. Ambos eram militantes da LCP e lutavam com as centenas de famílias camponesas por um pedaço de terra para sobreviverem. Com estes companheiros, já são 7 camponeses em luta pela terra que a polícia executou este ano na região de Ponta do Abunã, sem contar Tiago e Ademar, assassinados em 2018.

Gedeon José Duque e Rafael Gasparini Tedesco, covardemente assassinados pela PM de Rondônia no último dia 29 de outubro. Foto: Resistência Camponesa

Testemunhas denunciaram ao Jornal Resistência Camponesa que antes das 5 horas da manhã policiais em pelo menos 5 viaturas e um helicóptero atacaram a casa onde Gedeon e Rafael tinham passado a noite, na Área 2 Amigos. Os companheiros correram em direção a mata nos fundos da residência, mas foram executados por policiais que dispararam com fuzis desde o helicóptero, sem qualquer chance de se defenderem.

Os policiais cercaram a casa e espancaram os moradores durante muitas horas. Depois, levaram os corpos dos dois companheiros para outro local escolhido para ser o palco da farsa montada de ante-mão de que as mortes decorreram de “tiroteio entre bandidos e policiais”.

Em seguida, policiais foram na casa de Gedeon, na Área Tiago dos Santos e torturou com muitas agressões físicas e psicológicas sua família e até uma senhora vizinha que estava no local. Policiais mostraram fotos dos corpos já sem vida dos companheiros, ameaçaram executar quem continuasse a atividade de Gedeon, que era um dos líderes da luta pela terra na região. Os covardes agentes da repressão falaram ainda que possuem uma lista de camponeses para exterminar e inclusive citou nomes de advogados que defendem as famílias.

Em declarações e entrevistas o carniceiro Hélio Pachá e o comandante-geral da PM Alexandre Almeida apresentaram o embuste de que policiais realizavam patrulhamento de rotina, como continuidade da Operação “Nova Mutum”, quando encontraram Gedeon e Rafael, que estes não obedeceram ordem de parada e ainda dispararam armas de fogo contra os policiais, obrigando os agentes da repressão a agir em legítima defesa contra a “injusta agressão”. Repetiram tal estorinha a exaustão e mais, ameaçaram repetir esta conduta criminosa em todos casos de resistência à prisão. Mentirosos, canalhas! Facínoras! É a mesma estorinha de sempre, usada mil vezes para justificar os assassinatos de pobres cometidos impunemente por forças policiais em áreas camponesas e favelas e periferias das cidades em todo Brasil. É a mesma farsa que montaram quando chacinaram os trabalhadores honrados Amarildo, Amaral e Kevin, na Área Ademar Ferreira, no último dia 13 de agosto.

Mas o ardil é desmascarado pelas testemunhas e pelos corpos dos companheiros: os disparos que atingiram Gedeon e Rafael, se comparados os pontos de entrada e saída dos projéteis, tem trajetória inclinada clara, que não deixa nenhuma dúvida de que foram feitos de cima pra baixo, desde o helicóptero.

Caçar lideranças e qualquer ativista da LCP era um dos objetivos da Operação “Nova Mutum”, anunciado pelo próprio Bolsonaro e orquestrado pelas Forças Armadas reacionárias para que fosse feito de modo encoberto pelas calúnias odiosas pintando trabalhadores e lutadores honrados como piores demônios. Por isso, os monopólios de comunicação e da imprensa lixo de Rondônia são cúmplices e têm as mãos sujas de sangue camponês.

O companheiro Gedeon era uma liderança amada pelas famílias por sua dedicação à luta, por sua coragem e senso de justiça. O companheiro Rafael era um jovem, também filho do povo, lutador com sede de justiça para sua gente sofrida. Como afirmou a LCP em nota: “As massas choram suas mortes, mas enxugarão as lágrimas e redobrarão seu ódio de classe contra os exploradores e opressores de nosso povo.” e “A conquista da terra será a maior de nossas vinganças!”

AVISO: IMAGENS EXPLÍCITAS

Camponeses assassinados pela PM com tiros de fuzil disparados de helicóptero. Foto: Resistência Camponesa

Só a Revolução Agrária entrega terra aos pobres no campo!

É longa a lista de crimes e arbitrariedades cometidos pelas forças de repressão do velho Estado apenas durante a Operação “Nova Mutum”: chacina; destruição e roubo violento e generalizado de bens; impedimento da entrada de medicamentos e comida; violação do direito das famílias irem, virem e permanecerem em seus lotes; cerco, invasão e despejo violento, ameaças, intimidações, humilhações; abuso de autoridade; forças repressivas atuando como guaxebas fardados do latifúndio; descumprimento de ordem judicial; criminalização da luta pela terra; calúnia e difamação. Alguns se assemelham a crimes de guerra proibidos desde o século passado por tratados internacionais sobre guerras convencionais.

Engana-se quem acha que vai parar a luta pela terra com repressão. Todo terror concentrado em Corumbiara no dia 9 de agosto de 1995, não foi capaz de parar a luta pela terra e não vai parar agora. A LCP foi fundada, se expandiu no País e segue avançando a Revolução Agrária, com tomadas de terra vitoriosas em várias partes do Brasil. O assassinato de dirigentes como Renato Nathan, Cleomar, Zé Bentão, Enilson, Isaque, Edilene e tantos outros, também não acabou com a luta pela terra, outras lideranças surgiram, como Gedeon e Rafael e muitos outros surgirão. Enquanto a terra estiver concentrada nas mãos de um punhado de latifundiários parasitas da Nação, os camponeses continuarão lutando pela terra, independente da vontade de quem quer que seja. E “por mais que demore, vamos triunfar!”

A seguir, uma síntese da recente resistência camponesa na região de Nova Mutum Paraná. Comecemos pelo lado principal desta luta de classes.

Em reuniões e Assembleias Populares as famílias das Áreas Tiago Campin dos Santos, Ademar Ferreira e 2 Amigos organizaram sua resistência, tirando lições da luta vitoriosa que eles mesmo empreenderam em 2020 e outras experiências, no Brasil e no mundo, acumuladas pela LCP.

Nas vésperas do despejo, toda noite policiais atiravam e soltavam fogos, para atrapalhar o descanso dos camponeses. Em vão, pois estes já estavam acordados derrubando árvores para bloquear as estradas e dificultar a entrada da polícia.

Os camponeses também se dividiam para derrubar pontes e a vigilância em pontos estratégicos, para avisar antecipadamente a chegada da polícia. E cumpriam todas estas tarefas sem deixar de trabalhar nas roças e criações. Mesmo cansada, a massa estava muito feliz por ter êxito em impor resistência e sabotar a injusta agressão da reação.

O forte aparato repressivo que invadiu a Área Tiago dos Santos, avançava bem devagar, evidenciando o medo dos policiais, corajosos pra matar gente pobre desarmada. Quando centenas de policiais fortemente armados com fuzis, bombas e escudos, apoiados por helicóptero, chegaram na Vila Alípio de Freitas os camponeses não se intimidaram, as mulheres e crianças se posicionaram na frente, sem temer, todos agitavam as bandeiras vermelhas da LCP, entoavam com vigor as canções de luta e palavras de ordem.

Os policiais pediram para as famílias enviar um representante para conversar, os camponeses não caíram na armadilha e responderam em uníssono que não tinham nada pra conversar com a polícia “Aqui quem decide é todo mundo junto!”.

Mais preparados que no despejo de 2020, desta vez a maior parte das famílias não foi despejada. A polícia invadiu as linhas das áreas com muita dificuldade, tendo que abrir novos carreadores, em algumas nem conseguiu entrar. Os agentes de repressão chamavam os camponeses pra irem embora, ofereciam ônibus, mas ninguém saiu. Novamente, os policiais não conseguiram esconder o medo, conversavam rápido com as famílias e iam embora em seguida.

Uma parte das famílias foi despejada para uma escola na Vila da Penha, mas saiu de cabeça erguida, certos de que voltariam. Mantiveram a organização e combatividade na Vila da Penha, nos dois fechamentos de BR e no enfrentamento de mais um cerco policial para retornar para seus lotes. Vários trabalhadores comentaram “Desta vez a polícia não conseguiu nos humilhar como no despejo passado.”

As massas resolveram todos problemas impostos pelo velho Estado, mantendo sua união e organização, com debate e decisão coletivos, se dividindo em comissões de trabalho. As mulheres tiveram participação destacada. Na escola da Vila da Penha limparam o poço e a caixa d’água, improvisaram uma cozinha, construíram fossa, arrumaram bateria para gerar energia pra bomba d’água, viraram a noite copiando à mão um panfleto explicando os motivos da luta e fazendo bandeiras e faixas para os dois bloqueios da BR 364.

Na estrada onde a PM e Força Nacional montaram uma barreira para tentar impedir o retorno das famílias a resistência camponesa derrotou todas tentativas de divisão e intimidação lançadas pelos policiais: os trabalhadores fizeram chacota do helicóptero e drone da PM que sobrevoavam a multidão; passaram a noite na estrada e se revezaram na busca de água, arrecadação e preparo de alimento, cuidado com doentes, segurança e descanso; entoaram firmemente canções de luta e palavras de ordem, irritando o comandante policial que pediu aos advogados dos camponeses para ordenarem o fim das músicas. Como ele pediu com jeitinho, claro, o povo não obedeceu!

A cada dia a luta camponesa combativa angaria mais e mais solidariedade ativa em várias partes do país e do mundo. Moradores da região doaram alimentos, cederam abrigo aos camponeses e denunciaram a polícia. Em uma rádio local, um participante lembrou que União Bandeirante começou da mesma forma e só existe graças à resistência camponesa. Funcionários da escola na Vila da Penha protestaram: para cumprir uma ordem judicial, seja qual for, a polícia não pode passar por cima dos direitos à vida.

Uma Missão de Solidariedade, reunindo diversas entidades democráticas, de direitos humanos e sindicais, ademais de contar com a participação de procuradores e defensores públicos de diversos lugares do país se deslocou até a Área Tiago dos Santos. Integrantes da Missão levaram alimentos, roupas e medicamentos que arrecadaram nas cidades e passaram 3 dias com os camponeses também enfrentando constrangimentos, ameaças e privações, empenhados em defender a verdade, a justiça e direito dos camponeses a um pedaço de terra, demonstrando a solidariedade infinita de todos os oprimidos de nosso país. Em reunião com Ministério Público durante a Operação “Nova Mutum” o comandante da PM falou em tom de ameaça para um membro de entidade democrática: “Então é você que fica escrevendo mentiras?”

A Associação Juízes para a Democracia impetrou no Superior Tribunal de Justiça um Habeas Corpus coletivo com objetivo de cessar imediatamente os atos comandados pelo governador, o secretário de segurança e o comandante da PM contra os direitos das famílias camponesas na Área Tiago dos Santos. Denunciam o uso de armamento e violência para constrangimento ilegal, a prática de tratar como inimigo os camponeses que lutam pela terra e naturalizar a violência contra eles. E ainda, que o governo de Bolsonaro e generais chancela esta situação grave que fere em proporções gigantes direitos de milhares de pessoas; e que o governador e seus subordinados pretendem continuar praticando essas ilegalidades.

Missão de Solidariedade, reunindo diversas entidades democráticas, de direitos humanos e sindicais se deslocou até a Área. Foto: Resistência Camponesa

Todo terror policial esconde o temor da grande tempestade camponesa que se avizinha

Cerco, invasão, ameaças, despejo violento

Um grande contingente policial da Força Nacional e PM promoveu um verdadeiro estado de sítio nas Áreas Tiago dos Santos, Ademar Ferreira e 2 Amigos, violando direitos dos camponeses irem, virem e permanecerem em suas posses, terem acesso à água e alimentação. Centenas de policiais estavam fortemente armados, também com escudo e spray de pimenta, sem uso de câmera, muitos sem identificação e com rosto coberto. Realizaram um despejo violento que atravessou a noite e madrugada e em vários locais, sem a presença de oficiais de justiça. Policiais apontavam arma para os camponeses, inclusive do helicóptero, perseguiram famílias que se embrenharam na mata e fizeram várias ameaças: “se não sumirem em meia hora, vocês vão ver coisa feia”, “se resistirem vamos usar a força bruta, spray de pimenta e bomba.”

Como chantagem para convencer as famílias a saírem de seus lotes, prometeram que lhes seria oferecido alojamento, água e comida. Mas cerca de 500 pessoas despejadas violentamente foram jogadas numa escola localizada na Vila da Penha sem receber alimento nem acesso à cozinha para preparo de refeições; com água imprópria para consumo humano; com espaço para abrigar todos; com poço e caixa d’água sujos, vasos sanitários e pias entupidos. Em poucas horas iniciou um surto de diarreia, tontura, dor de cabeça, fraqueza e desidratação generalizada que atingiu a maioria das pessoas; muitos que já estavam com malária pioraram o quadro de saúde devido às péssimas condições. Uma bebê de apenas 40 dias, acabou contraindo pneumonia e teve que ser internada em Porto Velho. Não foi ofertado nenhum atendimento médico e sanitário. As famílias ficaram quase 24 horas sem alimentação. Uma amostra colhida da água da escola foi analisada e o resultado comprovou que estava contaminada.

Policiais passavam em frente à escola, fotografaram e filmaram as famílias. Os defensores públicos que atendiam num caminhão estacionado na Vila não registravam as denúncias feitas pelos camponeses e até questionavam sua veracidade.

Da esquerda para direita: Famílias se organizam para garantir alimentação a todos; Parte das famílias despejadas; Produção dos camponeses e Produção dos camponeses. Foto: Resistência Camponesa

Produção dos camponeses. Foto: Resistência Camponesa

Da esquerda para a direita: Produção dos camponeses; Famílias retornando para a Área; Polícia tentou impedir o retorno das famílias; Famílias resistiram bravamente. Fecharam BR 364 exigindo fim das operações policiais. Foto: Resistência Camponesa

Operação ilegal da polícia seguiu mesmo contrariando decisão judicial; O Carniceiro de Santa Elina, Hélio Pachá acompanha pessoalmente a operação criminosa contra os camponeses. Foto: Resistência Camponesa

Pilhagem e destruição da produção, construções e demais pertences dos camponeses

Policiais invadiram e destruíram residências, barracos, chiqueiros e galinheiros, comércios e espaços coletivos, até o posto de saúde que existia na área com todos os equipamentos e medicamentos que tinham dentro. Roubaram roças, criações dos camponeses – galinhas, porcos e até gado; mataram cães. Jogaram animais mortos, caixas de mantimentos, querosene e óleo diesel nos poços d’água construídos pelos camponeses.

Durante o despejo, policiais deram poucos minutos para as famílias retirarem apenas um pouco dos pertences que tinham nas casas, ameaçaram derrubar e queimar tudo. Uma retroescavadeira acompanhava a tropa reacionária. Policiais mentiram que um caminhão recolheria os móveis e eletrodomésticos das famílias, mas estes bens acabaram destruídos ou avariados, jogados de qualquer maneira na escola ou deixados ao relento nas estradas.

Descumprimento de ordens judiciais, leis e normas

O STF suspendeu o despejo da Área Tiago dos Santos de tão descarados que foram os crimes cometidos pela polícia com o apoio aberto de Bolsonaro. O STF aproveitou a oportunidade para dar mais um golpe no banditismo bolsonarista, dentro da confrontação aberta que travam com Bolsonaro há mais de ano, e que é expressão da crise econômica e política sem precedentes no país. Importante não ter ilusão alguma com qualquer um dos lados desta disputa no seio do velho Estados, onde todos servem ao latifúndio e combatem a luta pela terra.

A polícia sempre aparece como defensora da lei e das ordens judiciais, mas é a primeira a rasgá-las quando estas lhes falta ou atrapalha seus interesses e objetivos. E assim fizeram, com esta ordem do STF, assim como o acordo que fizeram com o Ministério Público de que os camponeses retornariam para suas terras e a PM retiraria os militares de dentro da Área Tiago dos Santos.

A PM montou compulsoriamente uma base num pequeno comércio na entrada da Área e bloqueou a estrada com uma barreira ilegal de dezenas de viaturas e policiais armados com fuzis e sem identificação. Centenas de camponeses, acompanhados de representantes de entidades democráticas de várias partes do país, advogados e de um procurador federal, demoraram quase 24 horas para conseguirem passar rumo aos seus lotes. A polícia tentou limitar a entrada de apenas 100 pessoas; impediu que as famílias pegassem água no comércio; durante a noite lançou os faróis das viaturas em direção às famílias; fez revistas violentas e vexatórias em camponeses, inclusive crianças e adolescentes, e todos seus pertences; fez um fichamento ilegal de todas as famílias, recolhendo dados pessoais e fotografando seus rostos e documentos. O carniceiro Pachá foi pessoalmente ao local, em um helicóptero, passar as ordens ao comando policial.

Abuso de autoridade

No dia do despejo, policiais invadiram casas de camponeses e ficaram rindo, sem camisa, jogando truco; urinaram na frente das famílias, e outros desrespeitos mais.

Policiais multaram e apreenderam carros e motos fora das áreas em disputa. Agentes armados da Sedam xingaram camponeses, escolheram pessoas aleatoriamente e aplicaram multas ambientais. Policiais fortemente armados invadiram uma Assembleia Popular, de forma ostensiva, sem identificação, coagindo as pessoas, no dia 31 de outubro, na Vila Alípio de Freitas.

Mentiras, calúnia e difamação

O cínico comandante-geral da PM, coronel Alexandre Almeida, afirmou que a Operação “Nova Mutum” ocorreu sem nenhum problema, que as famílias despejadas “ficaram em uma pousada, com direito à alimentação”, atendimento de médicos e psicólogos da PM e de advogados da Defensoria Pública. Sobre a prisão de dois membros da LCP, um deles com grande quantia de dinheiro, o comandante mentiu que o recurso vinha da venda ilegal de lotes. A verdade: prenderam um comerciante da Área Tiago dos Santos que estava saindo para comprar mais mercadoria e foi liberado após apresentar as notas fiscais de seu estabelecimento. O outro preso era um jovem, que se assustou quando se deparou com a polícia e tentou fugir de moto.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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