França: Operários, professores e estudantes realizam greve geral contra arrocho salarial e reformas antipovo

Operários, professores, estudantes e outros trabalhadores, como os da saúde e do comércio, realizaram uma grande greve geral no dia 27 de janeiro que contou com 160 mil pessoas em toda a França e manifestações em 170 cidades. Os trabalhadores tinham como exigência comum um aumento real do salário mínimo, que tem apenas acompanhado o aumento da inflação oficial. A carestia tem tornado os salários, na prática, menores ano após ano.

O salário mínimo não tem um aumento real há cinco anos, ou seja, durante todo o governo de Emmanuel Macron. Além disso, no final do ano passado, o presidente reacionário e seus ministros realizaram diversas reformas contra o interesse dos trabalhadores: a reforma do seguro-desemprego e a reforma do ensino médio. Mais recentemente, em janeiro, milhares de profissionais da educação também protestaram exigindo condições dignas para a volta às aulas e contra o caos promovido pelo governo durante o retorno presencial.

Reforma do seguro-desemprego

Na França, após mudança no sistema do seguro-desemprego, para o trabalhador ter acesso ao direito, ele deve ter trabalhado pelo menos seis meses (em vez de quatro, como era antes) nos últimos 24 meses. E, aos desempregados que “não demonstrarem uma busca ativa por empregos” terão seu seguro suspenso. 

O presidente não especificou quais seriam os critérios utilizados para determinar qual seria uma “busca ativa”.

Reforma do Ensino Médio

Já a reforma do ensino médio do atual ministro da Educação Nacional, Jean-Michel Blanquer, introduz uma série de disciplinas de especialidades nas escolas francesas, entretanto, nas escolas que não contam com recursos financeiros para implementar todas as especialidades oferecidas pela reforma (nomeadamente as escolas de periferia da França), ficam atrasadas e seus alunos prejudicados em relação às escolas com mais recursos. Além de que, com poucos professores contratados e baixos salários, o acréscimo de novas disciplinas apenas sobrecarrega a categoria.

Alunos e professores também protestaram contra a ineficácia dos protocolos e medidas do Estado reacionário no combate ao coronavírus nas escolas e exigiam a demissão de Blanquer. 

Inflação corrói salários

A inflação também tem atacado gravemente os salários dos trabalhadores, sendo que em dezembro de 2021 a inflação atingiu número recorde na França, com 3,4% segundo o monopólio de imprensa Le Monde.

As retiradas de direitos ocorrem enquanto os monopólios imperialistas da França obtiveram dividendos (lucros) recordes.

Manifestações multitudinárias

Em Paris, os manifestantes se reuniram por volta do meio-dia na Praça da Bastilha e depois rumaram em marcha ao Ministério da Economia e Finanças. Os estudantes do ensino médio se reuniram ali próximo, na Praça da Nação. Haviam cerca de 20 mil pessoas na manifestação.

Na cidade de Dijon, 400 trabalhadores ferroviários foram os primeiros a iniciar um importante dia de manifestação. Eles exigiam um aumento dos salários mínimos e das pensões de aposentadoria, além do fim da reforma do seguro-desemprego. Eles também exigiram o fim da reforma da previdência por “pontos”.

Em Marselha, pela manhã, 2.500 de trabalhadores partiram do Porto Velho. Estivadores, funcionários de hospitais, ferroviários e trabalhadores aposentados participaram da manifestação.

Cerca de 3.400 pessoas se manifestaram em Toulouse. Em Lyon, 2.500 pessoas também marcharam. À frente carregavam uma faixa escrita: É o nosso trabalho que cria riqueza!

Em Besançon, 500 trabalhadores levavam uma faixa escrita Nosso poder de compra está virando fumaça!

Operários fazem piquetes e barricadas em chamas

O piquete na Dassault Martignas. Foto: Stephane Darriet

Durante a greve geral, centenas de operários da Dassault Aviation, fabricante de aviões civis e militares, realizaram piquetes e construíram barricadas em chamas em frente à fábrica da empresa. Eles exigiam aumento salarial, o que está sendo negado pela empresa nas negociações dos novos contratos. 

Já os operários da empresa Thèles de sistemas de informação e serviços para as indústrias aeroespacial, de defesa e de segurança realizaram protestos na mesma cidade, denunciando que se utilizando da alegação de “crise” há uma subcontratação de trabalhadores para explorar mais os já contratados, além de não serem pagos a aposentadoria dos trabalhadores.

Estudantes protestam e realizam piquetes em escolas

Na escola secundária de Bréquigny, em Rennes, a polícia atingiu com uma bomba de gás lacrimogêneo a cabeça de um estudante quando os jovens realizavam um piquete em frente à entrada do local. Os estudantes protestavam contra a realização de uma prova que ocorre nacionalmente enquanto o governo não consegue aplicar as medidas de combate ao coronavírus nas escolas, prejudicando a sua preparação.

Em Paris, foi organizado um piquete no colégio Georges Brassens no 19º arrondissement, no início da manhã. A polícia reprimiu brutalmente os estudantes e realizou várias prisões.

 

Campanha pelo boicote à farsa eleitoral

A campanha francesa Boicote 2022, que tem construído uma ampla mobilização pelo boicote à farsa eleitoral na França, esteve presente com ativistas e uma faixa na greve geral.

Foto: @_Boycott2022

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