Peru: Professores se mobilizam pela Greve Nacional contra o governo vende-pátria de Castillo

Professores sindicalistas da Sutep chamam à Greve Nacional. Foto: Reprodução

O Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação do Peru (Sutep) tem, desde o início do ano de 2022, mobilizado ativamente os trabalhadores da educação em protestos. Os professores estão atendendo ao chamado feito pela entidade classista pela greve nacional por tempo indeterminado. O objetivo da atual mobilização, além de defender e aplicar os Estatutos, Linha Sindical Classista, Lema do Sutep Único, é denunciar o governo vende-pátria e oportunista de Pedro Castillo, entre outras ações.

Chamado à Greve Nacional

No dia 14 de fevereiro o Sutep regional de Huancavelica chamou ao reinício da Greve Nacional por Tempo Indeterminado para o ano de 2022. Os professores do sindicato classista e combativo afirmaram que “atualmente, este governo reacionário e de venda da pátria só oferece uma fededigna continuidade derivada do golpe de Estado de 1992 com um caminho burguês e adornado com cretinismo parlamentar”, em referência ao nefasto papel que o governo Castillo vem cumprindo em reprimir as massas em luta e retirar-lhes os direitos, bem como ao auto-golpe de Fujimori de 5 de abril de 1992.

Isto significa que o atual governo, representado pelo contra-revolucionário e oportunista Pedro Castillo, está a serviço do capitalismo burocrático (lacaio principalmente do imperialismo ianque) e especificamente só serve aos grandes burgueses e proprietários de terras (latifundiários). Além disso, governo de Castillo impulsiona o projeto de uma Assembléia Constituinte e uma nova Constituição. O Sutep, contudo, afirma que esses processos políticos são os instrumentos jurídicos que os opressores e exploradores precisam para relançar seu capitalismo burocrático ultrapassado, reestruturar este Estado em geral em decomposição e esmagar as lutas do povo. O Sutep de Barranca (departamento de Lima) afirmou sobre isto que “elaboram a Constituição os representantes das classes sociais que têm o Poder Político”, como comprova a história de 200 anos na república latifundiária-burocrática do Peru.

O Sindicato também denuncia que no âmbito da educação, as “autoridades” estatais chamam às “aulas presenciais”, apenas para o lucro das faculdades e escolas privadas (em Lima as mensalidades chegam a 5 mil dólares). Enquanto isso, está para ser aprovada uma lei que elimina diversos direitos da profissão docente e são impostas avaliações de desempenho de professores que promovem demissões em massa.

O Sutep de Hancavelica defende a Proposta Educacional do Sutep, endossada nos Estatutos do ano 1972-2003. Colocando a educação a serviço do povo e não como uma mercadoria com fins lucrativos, como é atualmente o caso.

Defendendo o Sutep

Já o Sutep regional de Barranca conclamou os trabalhadores da educação à “Levantar, defender e aplicar os Estatutos, Linha Sindical Classista, Lema do Sutep ÚNICO de J.C. Mariátegui e o Professor, Germán Caro Ríos!” e denunciaram os sindicalistas que se filiaram à Federação Nacional de Trabalhadores na Educação do Peru (Fenatep), fundada por Castillo em 2017.

E afirmaram: “as massas fazem história; nunca a ‘crosta envelhecida’ que, alimentada pelo oportunismo, imita (se disfarça) com diferentes lexemas: Movadef, Fenatep, Partido Perú Libre, Partido Popular Magisterial (representado pelo oportunista rondero, contra-revolucionário, reacionário ao núcleo, medíocre (exibe sua mediocridade como uma virtude, como faz na entrevista com o jornalista Fernando del Rincón e César Hildebrandt) e, vendepatria; um continuador confiável da política do golpe de estado de 5 de abril de 1992 e, sem qualquer ambiguidade, um inimigo jurado da educação pública e o executor da privatização da educação e da demissão em massa dos professores do povo.”

Denunciando o governo oportunista

O Comitê pela Reconstrução do Sutep de Lima lançou uma declaração em 1° de março em rechaço ao governo de Pedro Castillo. Na declaração, o comitê afirma que há sete meses eleito, Castillo não demonstra ter qualquer anseio em pôr fim à ordem estabelecida e só lhe interessa permanecer no governo, alinhando-se com a direita corrupta e conservadora.

Portanto, afirmam que rejeitam a postura oportunista de utilizar a ideia de “o povo” e chamar a defender a “governabilidade e democracia” por apetites pessoais, passando por cima do fato de que o povo ainda é esquecido e relegado em seus direitos pela corrupção e a distribuição do poder como em todos os governos. 

O comitê chama o povo a que persista em exigir mudanças reais e a se mobilizar por suas demandas verdadeiras, desmascarando os partidos políticos eleitoreiros e os sindicatos oportunistas. Eles afirmam, por fim, que rejeitam um início de ano letivo com marginalização e maus-tratos a professores contratados ou desempregados, rejeitam a política do Estado peruano, colocando que nem o executivo, nem o legislativo representam os interesses do povo, e rejeitam a política de educação implementada tecnocraticamente pelo atual ministro da educação.

Em 22/02 o Comitê de Defesa da Sutep realizou com grande sucesso seu primeiro seminário pedagógico, que abordou sua concepção educacional e o processo de ensino/educação.

Panfleto do Comitê de Defesa do Sutep Único.

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