México: Massas combatem durante a Jornada de Lutas em Defesa da Vida e Direitos do Povo


Foto: solrojista.blogspot

Grandes mobilizações de massa ocorreram na cidade de Oaxaca nos dias 1 e 2 de março durante a Jornada de Lutas em Defesa da Vida e dos Direitos do Povo. As massas reivindicavam pautas sensíveis do seu cotidiano, como o fim dos despejos de terra e da repressão do velho Estado contra os movimentos populares. Foram realizadas grandes manifestações e marchas, bloqueios de rodovias e pichações. A Jornada foi dirigida pela organização revolucionária Corrente do Povo Sol Vermelho (CPSV) e contou, ainda, com ações de solidariedade na Cidade do México.

As reivindicações das massas vão de encontro com os pontos centrais da organização democrático-revolucionária. Dentre elas o fim da guerra contra o povo e o terrorismo promovidos pelo velho Estado, a exigência de que sejam condenados os assassinos dos lutadores populares, (destacamos os dois lutadores Dr. Ernesto Sernas Garcia e Luis Armando Fuentes Aquino que foram mortos pelo velho Estado mexicano), o fim dos projetos de despejo dos camponeses e políticas antipopulares, a exemplo a construção de megaprojetos e altas tarifas na energia elétrica. Os lutadores ainda exigem a nacionalização dos setores de energia e elétrica de forma que sirva às necessidades do povo, salários dignos para os trabalhadores, o cumprimento do direito à organização e à greve, além de respeito e cumprimento dos direitos do povo, como o direito à terra e autonomia dos povos indígenas.

Foi colocado em alto, ainda, a denúncia contra o imperialismo e de solidariedade com os povos oprimidos de todo mundo, em especial àqueles em guerra de libertação nacional: o povo ucraniano, palestino, do Saara Ocidental e de Burkina Faso. A organização demarcou também sua solidariedade com as guerras populares em curso em países como Peru, Índia, Turquia e Filipinas e com as guerras populares que ainda se iniciarão. 

Os protestos

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No primeiro dia da Jornada diversos movimentos que apoiam o CPSV, como a Frente Intersindical, o Movimiento Femenino Popular (Movimento Feminino Popular), o Movimiento Estudiantil Popular, a Liga de Comunidades por la Revolución Agrária (Liga das Comunidades pela Revolução Agrária) e as Brigadas Juveniles del Pueblo (Brigadas Juvenis do Povo) se reuniram frente a um complexo federal que reúne serviços como o Serviço Postal Mexicano (Sepomex) e a Secretaria de Comunicações e Transporte (SCT) para protestar contra as medidas antipovo do velho Estado mexicano de aumento de preços e privatizações. 

As ações começaram às 9 horas da manhã e terminaram no início da noite, tendo envolvido o bloqueio de rodovias nacionais e internacionais, uma marcha rumo ao centro da cidade, que terminou frente à Casa Oficial do Governo. Foram realizadas também pichações denunciando agressões imperialistas, políticas anti-povo do velho Estado mexicano e em solidariedade aos povos oprimidos do mundo em luta de libertação nacional. Um acampamento foi estabelecido na frente da Casa Oficial do Governo.

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No segundo dia, manifestações continuaram a ocorrer na Casa Oficial do Governo, bloqueando a Avenida Juarez, enquanto outro grupo se direcionou para as instalações da Comissão Federal de Eletricidade (CFE). 
A população mexicana tem sofrido, nos últimos anos, diversos problemas relacionados à expansão do setor de energia no país. O governo busca aplicar uma reforma elétrica que envolve a renovação de hidrelétricas e construção de um parque fotovoltaico. Contudo, para que seja possível sustentar a energia elétrica exigida para a aplicação da reforma, é necessário o uso de diversos combustíveis fósseis que, utilizados em massa, oferecem grandes riscos à saúde do povo mexicano. Além disso, a geração de energia a partir destas grandes hidrelétricas e parques vai exigir um custo maior do governo que, por sua vez, será transmitido ao povo em forma de tarifas mais caras. Para além dos problemas da reforma, o governo mexicano tem colhido empréstimos bilionários para a construção de parques eólicos que servirão unicamente aos interesses de grandes empresas, como a Fomento Económico Mexicano (grande empresa mexicana de bebidas) e a Cervecería Cuauhtémoc Moctezuma (cervejaria mexicana subsidiária da Heineken). Esses parques, entretanto, irão gerar um impacto profundo no campesinato dessas regiões, e mesmo assim a construção tem sido feita sem nenhuma consulta popular. Em resposta, as empresas envolvidas na construção dos parques, como Eólica del Sur, Eléctricité de France e Mareña Renovables têm enfrentado grande resistência popular. A empresa Mareña Renovables possui, no seu histórico, denúncias de intimidação e ameaças de morte contra populações indígenas que resistiram aos seus projetos.

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Uma vez em frente à CFE, novos bloqueios foram feitos e permaneceram até às 23h. Esses bloqueios ocorreram, ainda, junto com outros bloqueios conduzidos por outras organizações, como o Sindicato de Trabajadores y Empleados de la Universidad Benito Juárez de Oaxaca (Sindicato de Trabalhadores e Funcionários da Universidade Benito Juárez de Oaxaca - STEUABJO) e a Frente de Pueblos contra la minería (Frente de Povos contra a mineração). Ao fim do bloqueio, os movimentos se reuniram novamente na Casa Oficial do Governo, onde permaneceram em manifestação até as 2 horas da manhã. O acampamento foi levantado no outro dia, quando os movimentos retornaram aos seus lugares de origem a fim de planejar as próximas atividades. Segundo a organização Sol Rojo, “no dia 2 de março a Cidade Rebelde de Oaxaca estava completamente tomada pela classe trabalhadora”. 

Foto: solrojista.blogspot

Ações de solidariedade ocorreram na Cidade do México, onde os povos indígenas Triqui (este primeiro vítima de um despejo forçado por parte do velho Estado Mexicano) e Otomi saudaram as mobilizações feitas pela Jornada de Luta em Defesa da Vida e dos Direitos do Povo. Por fim, militantes do Coletivo Popular de Propaganda conduziram ações de divulgação e solidariedade com a Jornada.

Tentativas de intimidação são repelidas pelas massas

Os militantes do Sol Rojo relatam que a Jornada de Lutas foi reprimida já no primeiro dia de mobilização. Esta intimidação foi feita, principalmente, por grupelhos de militares e paramilitares à paisana, que buscaram identificar e intimidar os manifestantes. Apesar disso, as massas em luta não se intimidaram. Ainda no primeiro dia, quando um pequeno grupo de militares à paisana tentou tirar fotos dos militantes que marchavam, as massas expulsaram os agentes e, em sua ação de auto-defesa, capturaram um dos indíviduos, identificando-o como um soldado do Exército reacionário mexicano. Segundo os militantes do Sol Rojo, o soldado possuía diretrizes claras para fotografar militantes e veículos e identificar os dirigentes. Após sua identificação, o soldado foi entregue à Cruz Vermelha e à Polícia Rodoviária Estatal. 

Além deste acontecimento, foram relatadas a perseguição por membros da Procuradoria-Geral do Estado e da Secretaria de Governo, que tentaram gravar os militantes e duas tentativas de intimidação: uma por um grupo não-identificado, que apareceu em uma caminhonete preta durante a madrugada do dia 2 de março e outra por um grupo identificado como “Pessoal de Proteção Civil de Oaxaca”, que buscou implodir a manifestação na tentativa de justificar a intervenção policial. Novamente, perante todas essas tentativas, as massas não se intimidaram e, exitosamente, rechaçaram os agentes reacionários.

Perspectivas futuras

Foto: solrojista.blogspot

O Sol Rojo, movimento revolucionário mexicano que dirigiu a Jornada de Lutas em Defesa da Vida e dos Direitos do Povo, declarou que a primeira etapa desta Jornada foi uma grande vitória.

Segundo o portal de notícias do movimento, a Jornada serviu para estabelecer uma unidade política, de ação, de princípios e programática entre os militantes e movimentos que compõem o Sol Rojo, além de elevar a moral das massas e reafirmar o caminho da mudança a partir de um processo revolucionário no México.

Veja, aqui, mais imagens da mobilização de massas:

Imagens: solrojista.blogspot

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