Protestos no mundo inteiro contra alta na gasolina e gás (atualizado 28/03)

No mundo inteiro, do hemisfério sul ao norte, do ocidente ao oriente, milhares de caminhoneiros, motoristas e cidadãos comuns protestam, realizam greves e bloqueios de estrada contra a disparada nos preços da gasolina e do gás.

Aumentos absurdos nos preços dos combustíveis tem ocorrido em todo o mundo. Eles têm impedido que os caminhoneiros, em especial os autônomos, exerçam sua profissão. Também afetam motoristas de aplicativos e taxistas, que para se deslocarem até seus destinos gastam mais e recebem o mesmo. E milhares de pessoas que utilizam o gás para suas necessidades mais básicas, como cozinhar ou para o aquecimento encanado, estão igualmente pagando mais caro sem ver seus salários aumentarem.

Contra os impactos em suas vidas, milhões de massas por todo o mundo têm se rebelado. Fazendo protestos, fechamentos de vias, greves e passeatas, os trabalhadores de todo o mundo exigem condições dignas para viver.

Em nosso país, os trabalhadores que estão sendo afetados pelo aumento no combustível também estão protestando.

Leia também: BA: Contra aumento de combustíveis, caminhoneiros protestam por dois dias consecutivos!

Espanha: Protestos nas ilhas e no continente

Pescadores fecham ponte com barricadas em chama contra preços dos combustíveis. Foto: reprodução/abc.es

Pescadores espanhóis se rebelaram na cidade de Ayamonte, que faz fronteira com a cidade portuguesa de Castro Mirim a partir da ponte de Guadiana. Quase uma centena de pescadores em fúria contra o preço dos combustíveis bloquearam a ponte com pneus em chamas entre 06:30 e 07:30 da manhã.

Já em Madrid, os caminhoneiros estão em greve há mais de doze dias, rebelados contra não conseguir cumprir com os custos de seu trabalho, pelos preços dos combustíveis altos como estão. 

A Ministra do Transporte, Raquel Sanchez, se reuniu com lideranças dos maiores sindicatos dos caminhoneiros na Espanha e prometeu uma redução de 20 cêntimos por litro de gasolina (equivalente a R$1,05) e empréstimos para empresas de transporte. Conscientes de que a proposta da ministra não resolve verdadeiramente o problema dos caminhoneiros, sejam eles a crise, a precariedade do trabalho e a superexploração, todos acentuados pelo aumento do preço da gasolina, os caminhoneiros continuam em luta. 

Manuel Hernandez, presidente da Plataforma para Defesa dos Transportes Rodoviários, sindicato de caminhoneiros não reconhecido pelo Estado imperialista espanhol, relatou ao Jornal de Notícias de Portugal (JN-PT): "Eles [o establishment] nos querem fracos e covardes, mas nós unimo-nos e somos corajosos. Agora temos a força porque somos os donos dos caminhões. Ou há soluções ou não há caminhões", relatou Hernandez ao monopólio de imprensa Jornal de Notícias de Portugal. 

Os caminhoneiros que continuam em rebelião não aceitaram os acordos porque, além de considerarem as propostas "migalhas e gorjetas" (como disse Manuel Hernandez ao JN-PT), defendem que a luta vai além dos preços dos combustíveis. Segundo informações do Washington Post, os trabalhadores também se posicionaram contra os monopólios das grandes empresas de transporte, e exigem a diminuição do preço dos fretes e melhores condições de trabalho para os caminhoneiros, incluindo o direito de aposentadoria aos 60 anos. 

Pescadores exigem liberdade aos seus companheiros detidos. Fonte: Huelvahoy.com

Os trabalhadores em luta têm enfrentado ativamente repressão policial, com prisões ocorrendo nos piquetes organizados pelos trabalhadores. Apesar disso, não demonstram intimidação e declaram que irão continuar. A Plataforma de Defesa dos Transportes Rodoviários afirmou na sua página do Facebook: "Não vamos largar a toalha depois de 12 dias. É agora ou nunca". Manifestações de dezenas de pescadores também foram realizadas na Guarda Civil de Ayamonte para exigir liberdade aos seus companheiros detidos.

Já nas Ilhas Baleares, motoristas de caminhão bloquearam a saída de um grande mercado atacadista nos arredores de Palma para protestar contra a sua situação. Transportadores em León, no continente, também protestaram.

Caminhoneiros se manifestam em Pamplona. foto: Ander Gillenea

Paraguai: Caminhoneiros fecham ponte de amizade

Caminhoneiros paraguaios realizam bloqueio em março. Foto: Roberta Paffaro

No país latino, caminhoneiros, moto-taxistas, entregadores de comida e motoristas de aplicativos realizaram protestos nos dias 14 e 15 de março, fechando a Ponte da Amizade em Ciudad del Este e exigindo o controle dos preços do combustível e gás. O bloqueio também interrompeu o tráfego no sentido à capital, Assunção.

Diante dos grandes protestos, o velho Estado foi obrigado a congelar o preço da gasolina por ora. Entretanto, os governantes afirmaram que não diminuiriam o preço cobrado atualmente. Isso acontece pelo fato de que o Paraguai é um país completamente dependente do petróleo internacional: importa 100% do que consome. O congelamento dos preços, cujo mais barato em todo país, é cerca de R$ 5,37, não compensa o valor da inflação no país, cujo IPC em fevereiro foi de 9,3%.

Uma liderança do protesto, Nery Pereira, afirmou: “Queremos que os trabalhadores e a população em geral tenham um benefício de redução dos preços de combustíveis. Se continuar assim, (…) teremos que buscar outra forma (de protesto) mais drástica”. Ele destacou que o protesto dos caminhoneiros, se tiver continuidade, poderá paralisar o país inteiro.

Os preços dos combustíveis no Paraguai subiram, em menos de um ano, o equivalente a R$ 1,70 por litro, mas ainda há outro aumento para entrar em vigor.

Filipinas: Motoristas de ônibus e caminhão em greve!

Os motoristas de ônibus e caminhões das Filipinas realizaram diversas greves durante o mês de março, as mais recentes sendo entre os dias 21 e 22, na província de Negros Ocidental, enquanto não conseguem pagar pela gasolina e não podem aumentar as tarifas devido à crise que atinge as massas em geral. 

Sobre isso, no dia 22/03, o presidente fascista Rodrigo Duterte afirmou que “nenhuma quantidade de protesto faria o preço da gasolina baixar”. 

Já as massas afirmam: “Qual será o único recurso do povo comum senão protestar?”, disse o padre Emman Afable da Diocese de Sorsogon, ao sul de Manila, à UCA News. “Aqueles que estão na classe média podem sofrer, mas ainda assim podem suportar". Mas aqueles da classe baixa, cujos salários são escassos e têm apenas o suficiente para pagar suas contas, serão os que mais sofrerão", declarou o padre.

Sri Lanka:  rebelião popular enfrenta exército reacionário

Massas do Sri Lanka enfrentam exército durante filas quilométricas para o abastecimento com gasolina, em 18 de março. Foto: AFP

No Sri Lanka, o governo do presidente Gotabaya Rajapaksa colocou tropas do exército em centenas de postos de gasolina no final do mês de março em todo o país para “desencorajar qualquer agitação” das massas contra a situação calamitosa do preço dos combustíveis, comida e remédios. 

Com o aumento do preço dos combustíveis e a desvalorização da moeda nacional, os postos de combustível retiraram todos os subsídios ao insumo e milhares fazem filas quilométricas para abastecer enquanto os preços não aumentam ainda mais. Desde fevereiro, o preço da gasolina aumentou em 80%.

A medida foi aplicada após no dia 17/03 dezenas de milhares de massas protestarem em frente aos escritórios do presidente contra a crise econômica, construírem barricadas em chamas e tentarem invadir as instalações. 

Além disso, sobre o aumento da gasolina especificamente, dezenas de mulheres em fúria bloquearem a passagem de um ônibus que deslocava turistas, protestando contra a impossibilidade de gás e querosene para conseguirem cozinhar. A situação é tão grave que três idosos morreram ao esperar nas filas em calor intenso, e um motorista foi esfaqueado até a morte por outro em uma disputa por vaga na fila.

"Os ânimos estão se desgastando à medida que as filas aumentam", disse um alto funcionário da defesa do país ao monopólio de imprensa AFP sob condição de anonimato. “Foi tomada a decisão à noite de chamar os soldados para reforçar a polícia. Isso é para desencorajar qualquer agitação.”Entre as medidas antipovo para remediar a crise, o governo do Sri Lanka começou negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Milhares de massas protestam no Sri Lanka contra aumento de preços da gasolina e da comida. Foto: Dinuka Liyanawatte.

Paquistão: protestos contra o preço do petróleo e fertilizantes

Centenas de camponeses do paquistão são presos durante manifestação contra preço da gasolina e dos fertilizantes. Foto: Reprodução

Na cidade de Lahore, no dia 23 de fevereiro, 200 camponeses que protestavam contra o preço do petróleo e dos fertilizantes foram presos e a manifestação violentamente reprimida pelo velho Estado, deixando dois manifestantes feridos. O protesto ocorreu após os preços terem disparado diante da iminência da invasão imperialista russa contra a Ucrânia.

Os camponeses denunciam que o litro da gasolina já passa de 160 rúpias paquistanesas (cerca de R$ 4,36) e dizem que o preço da gasolina ao mesmo tempo do aumento dos fertilizantes é “passar sal na ferida dos camponeses” e que os camponeses foram “economicamente assassinados”.

Irlanda: Povo se une aos caminhoneiros contra aumento

As massas populares da cidade de Derry na Irlanda do Norte protestaram contra a disparada nos preços da gasolina e do gás. Elas têm visto o preço dos combustíveis e do gás subirem ao ponto de não conseguirem pagar nem as tarifas da energia, nem o aquecimento a gás durante o inverno. O grupo Derry Contra a Pobreza de Combustíveis (DCPC) realizou uma segunda manifestação no dia 12/03. O preço da gasolina teve, em 14 dias, um salto de 89%.

Um morador local, Joe Moore, que acabava de se integrar ao sindicato Conselho do Comércio de Derry, falou: “Nos últimos meses, vimos mais e mais pessoas nas ruas protestando, tanto em casa quanto em todo o mundo. Precisamos ver as pessoas da classe trabalhadora se unirem para trazer mudanças positivas”.

“Não deveríamos ter que nos unir para que esta crise seja levada a sério por nossos líderes políticos... Não deveríamos ter que nos perguntar por que as pessoas que trabalham duro têm medo de ligar o aquecimento”. E acrescenta: “Numa época em que as empresas petrolíferas quadruplicaram seus lucros, os salários dos trabalhadores estão sendo reduzidos, nossos custos nacionais com seguridade [social] são forçados a aumentar juntamente com o aumento do custo de todas as outras coisas que precisamos para viver”.

“Sabemos que uma onda crescente de ativismo nas cidades da classe trabalhadora ao redor do mundo não é apenas algo que pode acontecer ou pode acontecer; é inevitável.“Está descendo [a onda de ativismo] uma rampa a 160km/h alimentada pela tristeza que sentimos por cada criança que passa fome e cada idoso que morre no frio de sua casa sem aquecimento”.

“A cada tragédia que nos atinge, nossa determinação só aumenta”, conclui o trabalhador.

O DCPC foi um grupo fundado em fevereiro com objetivo de organizar as massas populares contra os preços da energia. Os manifestantes carregavam cartazes que diziam: Aquecimento ou comida? Não conseguimos pagar!

Na Irlanda, a Associação Irlandesa de Caminhoneiros e Transportes Contra os Preços dos Combustíveis realizou ainda um segundo protesto contra os altos preços dos combustíveis no país.

A associação divulgou um plano para bloquear o porto de Dublin pelas principais rotas da região. Camponeses também participaram do protesto realizando manifestações em postos de gasolina ao mesmo tempo.

Albânia: manifestantes são presos por justa rebelião

Milhares de massas protestam na Albânia.

Diversos protestos ocorreram na Albânia contra o aumento do preço do combustível. O custo subiu mais de 30% em menos de uma semana, e as massas têm considerado os preços “absurdos e insuportáveis”, segundo o jornal Balkan Insight. Protestos ocorreram em Tirania, Durres, Shkodra e outras cidades. Em Tirania, no dia 9 de março, as massas rebeldes levantaram a consigna Abaixo o governo das oligarquias!, bloquearam uma das principais avenidas da cidade e deixaram claro ao Primeiro-Ministro que, se as demandas não forem cumpridas, os protestos continuarão.

A população tem movido ações contra as oligarquias (classes dominantes) porque, apesar do Estado albanês justificar as altas dos preços com a guerra da Rússia contra a Ucrânia, tem se demonstrado que esse crescimento não passa de uma manobra especulativa do mercado para gerar mais lucros aos monopólios petrolíferos às custas do povo. Além disso, a Albânia é um dos países onde mais se coleta impostos e taxas sobre o preço do combustível e, apesar disso, possui um salário ínfimo quando comparado aos outros países da Europa. 

Após os protestos, agentes da polícia albanesa prenderam 16 manifestantes com acusações de estarem “organizando e participando de reuniões ilegais”, “quebrando a ordem pública”, “desobedecendo ordens de um oficial da polícia” e “obstruindo a circulação de veículos”. As massas prometem novas manifestações em resposta aos ataques dos agentes de repressão. 

Alemanha: Caminhoneiros bloqueiam dezenas de vias

Caminhoneiros desaceleraram o tráfego em seis rodovias do país, causando enormes congestionamentos. Além disso, vários comboios de caminhões foram vistos numa rodovia localizada na região de Berlim do dia 16/03 em protesto contra os preços exorbitantes e exigindo subsídios. Caminhoneiros também bloquearam o tráfego perto do Estádio Olímpico de Berlim e da Ernst-Reuter-Platz.

Na Renânia do Norte-Vestfália, motoristas de caminhão bloquearam o tráfego em pelo menos duas rodovias à tarde. Também aconteceram manifestações em Dortmund, Gelsenkirchenn e Colônia.

França: Caminhoneiros interrompem o tráfego e realizam panfletagem

Na França, caminhoneiros interromperam o tráfego da via A13 enquanto outros motoristas bloquearam a RN225, ao sul de Lille, e entregaram panfletos.

Itália: Caminhoneiros bloqueiam porto

Na ilha da Sardenha, caminhoneiros bloquearam os portões do porto de Cagliari, enquanto outros bloqueios aconteciam nas zonas industriais da ilha. Além disso, houveram protestos em Caserta.

A justa rebelião das massas

Os protestos das massas se dá em meio a guerra de agressão do imperialismo russo contra a Ucrânia. Nesta guerra a Rússia, potência invasora, recebeu diversas sanções econômicas de outras potências e superpotências imperialistas como Estados Unidos (USA), França, Alemanha, Inglaterra, Japão, dentre outros. Não há dúvidas de que os governos destes Estados imperialistas perseguem objetivos tão mesquinhos e canalhas como a Rússia do imperialista Putin: todos querem aumentar os superlucros dos ricaços de seus países sobre a miséria de milhões, através do isolamento da Rússia com as restrições econômicas. Neste contexto, muitos países imperialistas já deixaram de comprar petróleo e gás da Rússia, que é uma das principais exportadoras de petróleo, fertilizantes e gás natural.

Apesar dos discursos humanistas de ocasião de crítica à invasão russa por parte dos representantes dos Estados imperialistas, o que eles fazem é apressar-se em aplicar sanções econômicas à uma potência rival somente para fortalecer os seus próprios mercados e principalmente subir de posição no cenário econômico internacional ou de reforçar seu posto como superpotência hegemônica única, como no caso do Estados Unidos (USA). O resultado desta disputa entre os principais responsáveis pela exploração e opressão dos povos de todo o mundo é este que estamos assistindo também em nosso país: aumento geral dos preços, inflação galopante – em uma frase: piora das condições de vida das massas.

Os ricaços, por outro lado, seguem com muito dinheiro de sobra para pagar por gasolina, abastecer suas casas com gás para cozinha e aquecimento. Menos importante para estes imperialistas são os efeitos econômicos mundialmente sentidos pelas massas populares com o aumento geral dos preços dos combustíveis. Tais combustíveis são essenciais para o emprego, a locomoção, a cozinha e aquecimento dos que agora no hemisfério norte enfrentam temperaturas abaixo de zero. Além de que são utilizados combustíveis para o transporte de mercadorias (gasolina e óleo diesel) e para o abastecimento do maquinário de muitas indústrias (gás natural). O número de trabalhadores que podem ser colocados no olho da rua nos próximos meses é gigantesco.

Leia também: Editorial AND 210 - Apoiar a greve dos caminhoneiros, preparar a greve geral!

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