Jornalistas são impedidos de trabalhar após mineradora inglesa mobilizar policiais

Jornalistas do portal Repórter Brasil foram intimidados por policiais empunhando fuzil enquanto aguardavam a resposta sobre um pedido de entrevista na sede da mineradora Brazil Iron, monopólio imperialista inglês no final do mês de março. Comunidades quilombolas do município de Piatã denunciam a mineradora por uma série de crimes contra o povo e seu território como contaminação de água, solo e ar por poeira de minério de ferro e proliferação de problemas de saúde entre os moradores da região.

Equipe da Repórter Brasil foi abordada por policiais pedido da mineradora Brazil Iron. Foto: Fernando Martinho

Policiais são usados para garantir negócios imperialistas em solo nacional

No dia 28 de março uma equipe do Repórter Brasil foi até a sede da mineradora no país, que fica localizada no município de Piatã na Bahia, para realizar uma entrevista. Os jornalistas Daniel Camargos e Fernando Martinho foram recebidos por Roberto Mann, gerente de logística, que os conduziu a uma sala de reunião onde estavam dois executivos ingleses da empresa. 

Após explicarem a motivação da entrevista, Mann pediu para que eles aguardassem e até serviu café aos jornalistas. A espera durou cerca de uma hora, foi quando dois policiais, um deles portando um fuzil, adentraram a sala informando que a mineradora havia denunciado uma invasão ao local e solicitado a apreensão das imagens produzidas. Os trabalhadores foram conduzidos à delegacia da cidade e liberados apenas horas depois.

Ataques a liberdades democráticas

Esta denúncia se soma aos recentes ataques sofridos por jornalistas democráticos comprometidos com as massas populares, ações que emergem em meio ao agravamento da destruição das liberdades democráticas durante o governo militar de Bolsonaro/generais.

Em fevereiro de 2021, a sede do jornal A Nova Democracia foi alvo de campanas e alguns dos seus trabalhadores foram seguidos. Conforme apontado na época, tal operação de fustigamento foi antecedida por outros episódios como o incêndio criminoso político do qual foi alvo a sede do Comitê de Apoio ao AND em Belo Horizonte, em setembro de 2019. Um ano depois, a sede da Redação de AND, no Rio de Janeiro, foi alvo de sabotagem após ser invadida por um indivíduo, passando-se por técnico de internet.

No mês de agosto de 2021, o fotojornalista Edmar Barros, recebeu em seu celular mensagens com ameaças de morte, após publicar em uma rede social fotos impactantes que registram queimadas ocorridas no município de Lábrea, localizado na região da Amazônia, região que é palco de diversos crimes promovidos pelo latifúndio.

No ano de 2019, o jornalista Adécio Piran sofreu ameaças de morte após denunciar o “Dia do Fogo” e a responsabilidade do latifúndio nas queimadas que ocorrem na região Amazônica. A Polícia Civil do Pará identificou o responsável pelas ameaças como sendo Donizete Severino Duarte, e constatou que o mesmo também lidera um grupo de latifundiários bolsonaristas da região organizados num movimento extremo-direitista autodenominado Direita Unida Renovada.

Após a fustigação e campana ocorrida no início do ano passado, o AND declarou: “Os desesperados, aqui, são todos os reacionários, tremendo que se encontram diante da séria ameaça de um grande levante de massas e de Revolução que rondam todo o país, em meio de um antagonismo insondável entre o sistema político e o estado de espírito das massas; entre o sistema econômico explorador e a miséria das massas; entre o governo militar de fato, por um lado e, por outro, toda a Nação, a opinião pública popular nacional e internacional”.

O AND afirmou ainda: Nada e nem ninguém calará os genuínos democratas.

Comunidade quilombola denuncia mineradora

A mineradora inglesa Brazil Iron, está presente no Brasil desde 2011 e iniciou este ano a construção de um ramal rodoviário que abrangerá mais de 120 km ligando a Ferrovia Integração Oeste Leste (Fiol) com a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), em Brumado (BA).

O monopólio que foi instalado sem consulta prévia aos moradores, está sendo denunciado por 150 famílias das comunidades quilombolas do Mocó e Bocaina, na zona rural de Piatã, localizada na Chapada Diamantina. Os quilombolas afirmam que a poeira do minério de ferro tem contaminado plantações, rios e o ar, prejudicando as produções e saúde dos residentes na região. 

Os maquinários utilizados pela Brazil Iron também tem bloqueado e danificado as vias de acesso às comunidades, denunciam os moradores ao portal usando como exemplo a BA-148.

Em entrevista ao portal Hora do Povo, uma moradora afirmou: “Nós estamos respirando poeira com resíduos de pó de mineração dia e noite. As comunidades consomem a água das nascentes que estão recebendo a lama das carretas e os resíduos de pó com ferro. Algumas pessoas estão deixando de plantar suas hortaliças com medo da contaminação. Muitas vezes as plantas amanhecem com gotas pretas do pó de ferro”.

Outra moradora também denunciou: “Como eles trabalham 24 horas por dia, a quantidade de poeira é enorme, a poluição sonora é enorme. E chegou em um momento que a gente não está mais suportando”. 

“Tem uma nascente [do Bocaína] que é bem abaixo da mineração. Ela traz água para as pessoas que ficam mais próximas do morro. Nos períodos de chuva, desce uma lama que entra na nascente e só sai barro. Não tem condições de tomar essa água. Temos idosos com problemas respiratórios que já tiveram que ir para o hospital por causa da poeira”, disse ainda outra moradora ao portal.

Um protesto contra esta situação foi realizado pela comunidade na BA-148 em outubro de 2021. A polícia outra vez agindo como garantidora dos negócios imperialistas atacou os manifestantes. 

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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