MT: Operação aponta que policiais executaram dezenas de pessoas para promover batalhões

Policiais estão sendo investigados após cometerem dezenas de assassinatos para promover batalhões. Foto: Ianara Garcia

Um total de 63 policiais militares do estado de Mato Grosso estão sendo alvos da Operação “Simulacrum” da Polícia Civil (PC) e do Ministério Público do estado de Mato Grosso (MPMT). Eles são acusados de executar 24 pessoas de maneira planejada com o objetivo de promover seus  batalhões. Os assassinatos ocorreram na região metropolitana de Cuiabá, capital de Mato Grosso, entre os anos de 2017 e 2020.

Ao todo, foram expedidos pela 12ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá 81 mandados de prisão temporária e 34 de busca e apreensão, que foram cumpridos no dia 31 de março. Os militares presos são acusados de executar dezenas de pessoas e de forjar confrontos. O objetivo era o de promover os policiais envolvidos e seus respectivos batalhões, são eles: Ronda Ostensiva Tática Móvel (Rotam), Batalhão de Operações Especiais (Bope) e Força Tática do Comando Regional 1.

Os assassinatos travestidos de falsos confrontos aconteceram nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande. No esquema montado pelos policiais, um aliciador levava as vítimas até um determinado ponto, alegando que teria uma proposta a fazê-las. Quando as vítimas se reuniam, os policiais apareciam de surpresa e os executavam. Depois eles forjavam o cenário do crime e plantavam armas nas mãos das vítimas para parecer que as mortes aconteceram após um confronto armado. A prática de flagrante forjado é um crime cometido com frequência por agentes militares.

Os militares reacionários utilizaram do acesso que tinham a dados exclusivos da polícia, para atrair pessoas que já tinham passagem criminal, o que explica que a maioria das pessoas elencadas para serem mortas tivesse passagem. Outros, porém, não tinham qualquer anotação. Somente após muitas mortes parecidas ocorrerem, é que os investigadores da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) passaram a desconfiar do que estava ocorrendo e decidiram investigar.

As execuções sumárias tinham sempre características similares de falsos confrontos, indicando flagrante forjado. Os militares sempre atiravam várias vezes nas vítimas, com disparos feitos com as armas encostadas nos corpos. Os policiais e as viaturas sempre saiam ilesos do confronto. Além disso, os investigadores observaram que em quatro desses falsos confrontos, havia sempre a descrição de um veículo VW Fox, de cor vermelha, que estaria dando apoio aos supostos criminosos e fugia dos locais.

Quatro vítimas conseguiram sobreviver aos ataques.

Judiciário expõe seu caráter de classe

Mesmo com amplas evidências sobre o envolvimento dos policiais no grupo de extermínio, O Tribunal de Justiça de Mato Grosso, através do desembargador Sebastião Barbosa Farias, ordenou, no dia 2 de abril, a soltura de todos os policiais que estavam cumprindo prisão temporária e os permitiu responder pelos crimes em liberdade.

A decisão de soltar os policiais envolvidos no assassinato indiscriminado contrapõe a realidade de milhares pessoas, em sua maioria pobres e moradoras de periferias, que permanecem presas em unidades prisionais brasileiras esperando anos pelo seu julgamento.

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