Planos de saúde terão reajuste recorde em 2022

Trabalhadores terão que pagar ainda mais caro para conseguir atendimento médico em 2022. Foto: Reprodução

Planos de saúde terão o maior reajuste da história, em 2022. Os planos de saúde individuais poderão chegar a 18,3% de reajuste e os coletivos a 40%, segundo projeções de entidades do setor. O reajuste acontece logo após o governo aprovar o aumento de 10,89% no preço dos medicamentos, deixando ainda mais difícil a vida do trabalhador que precisa de tratamento médico.

A alteração de valores será feita neste mês, em abril, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e começará a valer a partir de maio. Antes desse absurdo aumento, o maior reajuste de preços nos planos de saúde havia sido feito em 2016, quando os valores subiram 13,57%.

As operadoras de planos de saúde alegam que o alto reajuste acontece devido ao aumento nos preços de insumos, alta do dólar e o impacto financeiro pelos tratamentos de Covid. Contudo, pesquisadores da área da saúde e advogados discordam das justificativas das empresas para aumentar as cobranças.

Aumentos são infundados

O analista do programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Matheus Falcão, afirma que o Idec não encontrou uma defasagem econômica forte que justifique o grande aumento: “A inflação, que de fato está mais alta, só representa 20% da fórmula de reajuste dos planos individuais. Outro dado importante é a sinistralidade [relação entre as projeções de mercado e a utilização de planos de saúde], na qual não existe uma alta relevante para aplicação do reajuste. Não existe um subsídio forte que faça com que a gente espere um reajuste tão alto”, afirma Falcão.

Para a coordenadora do programa de Saúde do Idec, Ana Carolina Navarrete, o aumento é também injustificado: “Os percentuais projetados não fazem sentido, não condizem com a realidade e contradizem as informações divulgadas pela própria ANS. A variação de despesas médicas aumentou, mas não atingiu patamares anteriores à pandemia. O reajuste deste ano não pode servir para recuperar a redução que houve no ano passado. É preciso analisar o comportamento dos custos e fazer a projeção”, afirma a coordenadora.

Ana Carolina chama atenção para a questão da sinistralidade, que é a relação entre as projeções de mercado e a utilização de planos de saúde. Em junho de 2021, a ANS publicou um estudo mostrando que a sinistralidade do primeiro trimestre de 2021 permaneceu inferior ao observado no mesmo período de 2019, entre 75% e 77%. Além disso, o índice aumentou no segundo trimestre, chegando a 82%, mas ainda em patamar similar ao período pré-pandemia, em que foi registrado o dado de 82%, mostrando que a mesma não aumentou tanto assim os gastos dos planos de saúde. Outra grave denúncia é o fato de a metodologia utilizada para o cálculo dos reajustes terem como base informações das próprias operadoras, como explica o advogado Rafael Robba.

Crise imposta às massas

O aumento nos preços dos planos de saúde aprofundará o aspecto econômico da atual crise do capitalismo burocrático em nosso país. Enquanto os hospitais particulares aumentam os custos para o atendimento, as unidades públicas permanecem caindo aos pedaços e com filas de espera intermináveis. Tais fatores fazem com que o povo seja abandonado cada vez mais à própria sorte.

Aliado a isso, a questão da fome atinge milhões de famílias, que encontram enormes dificuldades para conseguir alimentos básicos e fontes de proteína, que auxiliam o organismo na prevenção de doenças. Enquanto isso, o genocida Bolsonaro empenha-se no pleito eleitoral para seguir cumprindo sua tarefa reacionária com o objetivo de aprofundar a exploração e miséria sobre as massas populares.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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