O dia da vitória e o discurso de Putin

No dia 9 de maio, o Dia da Vitória da União Soviética sobre o nazismo alemão, o atual chefe ultrarreacionário do imperialismo russo, Vladimir Putin, proferiu um discurso exaltando a data. O reacionário fez comparações entre o imortal heroísmo de comunistas, soldados e cidadãos soviéticos e a sua suja guerra de agressão imperialista sobre a Ucrânia. Esse glorioso momento da história da humanidade foi protagonizado por soldados soviéticos, muitos de origem ucraniana.

O discurso de 11 minutos expressou, em seu conteúdo, a defesa da invasão russa sobre a nação ucraniana. Putin relacionou a atual invasão com o 9 de maio de 1945 para fazer crer que a “bravura” dos soldados russos na luta por “desnazificar” a Ucrânia – como retórica imperialista “humanista” para justificar seus interesses de rapina – guarda relações com os propósitos que mobilizaram a classe operária e todo os povos do mundo, em especial o soviético, a verterem seu sangue pela causa da derrota da agressão alemã contra a primeira pátria socialista da história da humanidade.

A despeito da falsidade histórica que o pronunciamento expressa, de primeira cabe apontar que o discurso de Putin no ponto atual da guerra é feito para aproveitar o momento e intensificar os motivos da guerra na opinião pública russa visando o aumento de recrutamentos de soldados. Nas semanas que antecederam o discurso, analistas reacionários ligados a outras potências imperialistas apontavam que a intenção de associar a Ucrânia atual com a Alemanha hitlerista e de comparar seus intentos à gloriosa União Soviética de Stalin cumpriram papel chave como meio de demonstrar força.

As forças militares do imperialismo russo

Segundo a CNN, monopólio de imprensa ianque, dos 20 generais do comando de frente da invasão russa, pelo menos sete foram mortos. A primeira baixa de peso do exército imperialista russo foi o major-general Andrei Sukhovetsky, responsável pela 7ª Divisão Aérea. Posteriormente morreram o tenente-general russo Yakov Rezantse; o major-general e primeiro vice-comandante do 41º exército do Distrito Militar Central da Rússia, Vitaly Gerasimov; o major-general Andrei Kolesnikov, comandante do 29º Exército Combinado de Armas; o major-general Oleg Mityaev, comandante da 150ª divisão de fuzileiros motorizados russa; o comandante do 331º regimento de paraquedistas russo, o coronel Sergei Sukharev (morte que foi exposta na própria televisão estatal russa) e o tenente-coronel comandante do oitavo esquadrão de Armas Combinadas, Andrey Mordvichev, que foi a sétima alta patente morta. A matéria finaliza apontando que há ainda pelo menos uma importante baixa, que é o vice-comandante da frota russa do Mar Negro, o capitão Andrey Paly. Alguns destes foram mortos pelo reconhecidamente fascista e financiado pela OTAN e USA, Batalhão Azov.

Enquanto isso, acumulam-se os relatos de fugas: em um áudio supostamente interceptado pela inteligência ucraniana, um soldado russo demonstra descontentamento com a quantidade de fuga das tropas e baixas. Ainda segundo o CNN, esse soldado interceptado afirma que “mais russos morreram na Ucrânia do que em 4 anos da guerra da Chechênia”. No mesmo áudio, é afirmado que membros de elite da RosGvardia, a Guarda Nacional da Rússia, e da Omon, a Força Policial Especial, abandonaram a Ucrânia.

O número exato de soldados do imperialismo russo que foram mortos na Ucrânia é incerto. Autoridades do organismo imperialista OTAN afirmaram, em março, que mais de 15 mil russos já morreram nos combates. Por sua vez, o governo russo não fornece atualizações. No entanto, no meio de março, o Komsomolskaya Pravda, um tablóide russo, publicou – e posteriormente removeu – um relatório do Ministério da Defesa russo com o registro de 9.861 mortes das reacionárias Forças Armadas do país na guerra.

Mortes de imperialistas russos que controlam as maiores empresas de gás

Enquanto Putin aferra seu discurso impulsionando a retórica da guerra de agressão em torno de sua camarilha, cresce o número de grandes empresários imperialistas ligados à burocracia estatal russa que foram encontrados mortos.

São quatro casos separados de russos bilionários, ligados ao Kremlin e à indústria do petróleo, que morreram por suicídio desde o início da invasão. Dentre eles, Sergei Protosenya, um oligarca russo, que anteriormente atuou como vice-presidente da empresa de gás Novatek (segunda maior empresa de gás da Rússia), foi encontrado morto numa vila na Espanha junto de sua esposa e filha. O oligarca Vladislav Avayev, ex-vice-presidente do banco russo conectado à maior companhia petrolífera do país, foi encontrado morto em seu apartamento luxuoso em Moscou junto de sua esposa grávida e de sua filha de 13 anos. Os oligarcas russos Alexander Tulyakov e Leonid Shulman também foram encontrados mortos em suas casas perto de São Petersburgo dias após a invasão russa; ambos eram ex-executivos da empresa estatal de gás Gazprom, e as evidências em ambas as cenas sugeriram suicídio. 

O corpo de Shulman também foi encontrado com uma nota de suicídio, enquanto Tulyakov foi encontrado por seu parceiro pendurado em sua garagem, de acordo com o monopólio de imprensa britânico Mirror. Em março, o empresário bilionário e proprietário da empresa atacadista Medstom, Vasily Melnikov, também foi encontrado morto em sua casa na cidade de Nizhny Novgorod ao lado dos corpos de sua esposa e dois filhos. As investigações policiais determinaram que este caso foi um “assassinato-suicídio”, de acordo com a agência de notícias russa Kommersant.

Mais recentemente, no dia 1º de maio, um executivo da GazProm, Andrei Krukowski, foi encontrado morto após supostamente cair de um penhasco. Já é o sexto bilionário encontrado morto desde o início da invasão russa.

O acúmulo de notícias sobre o aumento no número de mortes por suicídio de oligarcas russos expressa, por si só, que reina entre os imperialistas russos não a “certeza da vitória”, mas sim a incerteza, a dúvida. Sem descartar que, na realidade, o que pode ter ocorrido não foram simples suicídios, mas sim maquinações com participação do aparato de espionagem russa ligada ao grupo de Putin, conforme precedentes, vide o envenenamento de Sergei Skripal, espião duplo, que agia para Rússia e Inglaterra, em 2018.

Falsidade histórica

Como de praxe em todo período de invasão sobre a Ucrânia, a tentativa do imperialismo russo e seu chefe, Putin, é se utilizar da memória patriótica e do orgulho do povo russo e das minorias étnicas russas na Ucrânia para confundir a população sobre o que está a acontecer e legitimar as ações da superpotência atômica Rússia. Além de afirmar que a soberania das diferentes nacionalidades está em perigo no Donbass e que o caminho para a garantia de soberania nacional é a da guerra por procuração sob o bastão de mando do imperialismo russo, denuncia que os “inimigos da Rússia” utilizaram terroristas e mercenários para disseminar a divisão e enfraquecer internamente o país – ignorando que na Ucrânia a política russa foi exatamente esta.

Não obstante, na Ucrânia, os nacionalistas reacionários ligados à OTAN e ao USA, gerindo o governo em coalizão com fascistas, buscam desvincular a resistência do povo ucraniano a libertação nacional ucraniana com o processo da Revolução Socialista de Outubro de 1917. Para tanto, estes setores se apoiam nas mais esdrúxulas campanhas anticomunistas de calúnias e tergiversações sobre o fato de que o povo ucraniano lutou impavidamente contra a invasão alemã sobre o território soviético à época da Grande Guerra Patriótica. Enquanto isso, reabilitam figuras como o colaborador nazista e antissemita Stepan Bandera.

A confusão causada pelas aparências e pelos fatos levam parte do “progressismo anti-ianque” a tomar, em sua avaliação da Ucrânia, exatamente a mesma posição que os ianques utilizaram para justificar a terrível invasão ao Afeganistão, de que é a reação que está no poder e que deve uma potência estrangeira “progressista” intervir diretamente numa nação formalmente independente para livrá-la dos elementos atrasados, fascistas ou feudais. Qual potência imperialista, até os dias atuais, interviu diretamente num país subjugado para livrá-lo de algum atraso? Ao contrário, todas elas foram, mais cedo ou mais tarde, derrotadas militarmente pelas resistências nacionais, ainda que sob orientações não proletárias.

O dia da vitória de 1945

O dia da Vitória, em fato, como consequência da Grande Guerra Patriótica, se deu após a entrega da vida de 27 milhões de soviéticos em resistência contra todo tipo de vilipêndio, barbaridades e atrocidades dos nazistas, sendo um número considerável dessas mortes em resistência na então República Soviética da Ucrânia. 

Mas a vitória veio impulsionada em especial pela direção de Josef Stalin e do Partido Comunista, e pela urdidura do Exército Vermelho, como expressão de um exército que representava e tinha em suas fileiras, numa unidade de aço, os operários e camponeses.

Celebrar esta passagem da história mundial, grande epopeia da luta dos povos pela liberdade e da classe operária por sua emancipação, não pode ser feito por estes que buscam objetivos opostos àqueles. 

O glorioso Exército Vermelho representava interesses diametralmente opostos do exército imperialista russo atual. Sua origem se dá como construção bolchevique imediatamente após a Grande Revolução Socialista de Outubro, se forjando na Guerra Civil contra o Exército Branco, defendendo o território após a invasão de 14 potências imperialistas e expulsando-os firmemente. Posteriormente, sua existência e desenvolvimento se provou fundamental nas lutas internacionalistas, vanguardeando a linha de frente nas brigadas internacionais antifascistas em várias partes do planeta, como na Guerra Civil Espanhola, além do auxílio de armas e material humano a guerras anticoloniais.

Vale ressaltar, conjuntamente, a inexorável contribuição do Exército Vermelho no apoio à Revolução Chinesa contra a invasão japonesa que se iniciou em 1937.

Em 1941, lia-se no jornal "Nova China": "Durante os quatro anos de nossa guerra santa, a ajuda soviética se tornou o auxílio externo mais importante e confiável". Posteriormente, há o auxílio do estabelecimento de apoio na região Nordeste da China, na Manchúria, onde, pela ação do Exército Vermelho, se consolida uma das mais importantes bases revolucionárias de apoio que serviriam para concentrar tropas revolucionárias chinesas dirigidas pelo PCCh e avançar na vitória sobre Kuomintang, triunfando em 1949. Ou seja, o Exército Vermelho, como consequência da justa política da União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas, prestava um hercúleo papel de estrutura de apoio revolucionário militar e político a todas as revoluções do mundo.

Que tem de similar, portanto, no atual Exército Russo com o grandioso Exército Vermelho? Nada. Sua aproximação verdadeira só poderia ser do período de restauração capitalista na URSS, em que a partir do “relatório secreto” de Kruschov no XX Congresso e os seus dois sucessores, sistematiza-se o revisionismo moderno que impulsionará o social-imperialismo onde o “Exército Soviético” passou de exército do proletariado internacional à serviço da Revolução Proletária Mundial, exímio apoiador das guerras de libertação que se davam no mundo, para ser utilizado como instrumento de guerras de rapina e repartilha do mundo como feito na Tchecoslováquia, Afeganistão, Camboja etc., onde se promoveu guerras injustas na contenda de disputa mundial. 

Surgirá o dia em que, de fato, os povos russo e ucraniano irão se pôr novamente em luta como um verdadeiro Exército para reacender a tocha revolucionária que os ventos tempestuosos da contrarrevolução tentam apagar, fazendo prevalecer a contrarrestauração socialista. Nesse momento, as massas das duas nações verão, confiantes, que o passado internacionalista e solidário, que aquilo que os unificou em tempos de triunfo do socialismo, jamais pereceu. Ao contrário, permaneceu, e servirá de ferramenta fundamental para a vitória final.  

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